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Deputados de luxo: o Brasil paga a maior conta parlamentar entre as democracias ocidentais

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Por: Cláudio Gonçalves dos Santos

O custo de manter um parlamentar no Brasil ultrapassa os R$ 3 milhões por ano — valor que coloca o país no topo do ranking entre as democracias ocidentais quando o assunto é gasto com deputados e senadores. A cifra, que combina salário, verbas de gabinete, auxílio-moradia, cota parlamentar e outros benefícios, é mais que o triplo do custo de um congressista nos Estados Unidos e supera, com folga, o de países como Alemanha, França e Reino Unido.

Deputados de luxo: o Brasil paga a maior conta parlamentar entre as democracias ocidentais

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A comparação internacional revela um contraste preocupante entre o peso fiscal do Legislativo brasileiro e sua produtividade. Em países desenvolvidos, os salários parlamentares são altos, mas os gastos indiretos são controlados, centralizados e submetidos a regras claras. No Brasil, o modelo é pulverizado, generoso e pouco eficiente — tanto do ponto de vista orçamentário quanto institucional.
Quanto custa um deputado?
A remuneração base de um deputado federal no Brasil é de R$ 46,3 mil por mês. A esse valor somam-se verbas mensais como a cota para o exercício da atividade parlamentar (cerca de R$ 45 mil), a verba de gabinete (R$ 125 mil), auxílio-moradia (R$ 4,2 mil) e outras despesas. Com isso, cada parlamentar custa ao contribuinte cerca de R$ 273 mil por mês, ou R$ 3,2 milhões por ano.
Veja como esse valor se compara a outros países (valores convertidos em reais, com câmbio de junho/2025):

País Custo Anual por Parlamentar (R$)
Brasil R$ 3.276.394
EUA R$ 900.000
Reino Unido R$ 1.982.204
Alemanha R$ 1.260.000
França R$ 1.579.920

Nos Estados Unidos, o salário de um congressista é fixo desde 2009: US$ 174 mil por ano. Não há repasses diretos de verba de gabinete ou cotas parlamentares; os custos operacionais são pagos diretamente pelo órgão legislativo. Já no Reino Unido, as chamadas “allowances” (verbas) são generosas, mas regulamentadas — e todos os gastos são publicados online, item por item. Alemanha e França operam sistemas ainda mais rígidos, nos quais as despesas são centralizadas e o parlamentar não recebe o dinheiro diretamente.
Um modelo caro e desigual
A estrutura atual do Congresso Nacional impõe um peso elevado ao orçamento público. Somando os 513 deputados e 81 senadores, estima-se que o custo total anual supere R$ 1,9 bilhão. Em um país com profunda desigualdade social, déficit fiscal persistente e serviços públicos precários, essa conta parece desproporcional — e politicamente insustentável.
Mais do que cortar salários, a solução passa por redesenhar o sistema de benefícios e verbas. É preciso estabelecer tetos nacionais unificados, criar regras mais rígidas para contratação de assessores e promover maior transparência nos gastos, nos moldes do que fazem as democracias europeias.
O Parlamento é uma instituição essencial da democracia. Mas, como toda instituição pública, deve funcionar com racionalidade, austeridade e responsabilidade. Manter privilégios desconectados da realidade do país é deslegitimar o próprio sistema democrático. O Brasil precisa debater com seriedade o custo da representação política — e ajustá-lo aos padrões de eficiência e decência exigidos pela sociedade.
Cláudio Gonçalves dos Santos é economista, mestre em administração financeira e contabilidade, MBA em finanças de empresas, Gestor de Valores Mobiliários com registro na CVM, Conselheiro de Administração, Professor Universitário em cursos de pós-graduação da FECAP/SP.

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4 comentários

  • Única “classe trabalhadora” que vc nunca ouve reclamar da vida: políticos.

  • Que Brasil é esse?

    O jornal “O Estado de S. Paulo” (Estadão) publicou uma crítica à ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que sua visão sobre democracia é distorcida. Como membro do STF, Carmen Lúcia tem um papel crucial na interpretação da Constituição e na garantia dos direitos democráticos no Brasil. A crítica do Estadão sugere que, na opinião do jornal, a ministra não está cumprindo esse papel de forma adequada, o que pode ter implicações significativas para a governança e a sociedade brasileira. A crítica reflete uma preocupação com a interpretação e aplicação da democracia pela ministra, especialmente considerando sua posição de influência no sistema judiciário do país.

  • Hoje a Bastilha é aqui

    A queda da Bastilha em 1789 foi um divisor de águas na história, marcando o fim do absolutismo e o início da era moderna. Hoje, no Brasil, uma sensação semelhante de descontentamento paira sobre a população. Com a Câmara, o Senado, o Judiciário e a Presidência gastando somas exorbitantes, aumentando impostos e concedendo altos salários a si mesmos, enquanto pouco realizam em termos de benefícios concretos para a sociedade, muitos brasileiros se perguntam se não é hora de uma mudança profunda. A pergunta que ecoa é: até quando a população irá tolerar essa situação?

  • Os deputados federais de Londrina, como Filipe Barros, Luzia Canziani, Lenir do Couto, Hauly e Marco Brasil, têm alto custo para a população como cita ótimo texto do Paçoca com Cebola, mas os resultados de suas ações são questionáveis. Com gastos significativos em verbas indenizatórias e gabinete, a eficácia de seus mandatos gera muitas dúvidas.
    A população só consegue chegar perto em agosto e setembro de cada 4 anos, durante a eleição.

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