Por Adriana Biason
CARTA ABERTA À COMUNIDADE LONDRINENSE
A Educação Municipal à beira do colapso em 2026
A Rede Municipal de Ensino de Londrina chega ao final de 2025 exausta, fragilizada e profundamente preocupada com os rumos impostos pela atual gestão da Secretaria Municipal de Educação. Diante de decisões administrativas que ignoram a realidade das escolas e desconsideram as necessidades de nossos estudantes, especialmente os da Educação Especial, nós, professores da rede, sentimos a responsabilidade de tornar pública a gravidade da situação.
Ao longo de 2025, as escolas trabalharam no limite: faltaram professores, faltaram profissionais de apoio, faltaram condições essenciais para garantir o direito à educação de qualidade. Ainda assim, educadores se desdobraram para assegurar o funcionamento mínimo das unidades. Mesmo diante desse cenário, a Secretaria decidiu publicar documentos que reduzem ainda mais o número de professores em diversas escolas, com base em uma previsão de contratação de novos profissionais que ainda não se concretizou.
É importante destacar que a tentativa anterior de contratação de “profissionais de apoio” — conduzida pelo HUTEC, uma empresa séria e com ampla atuação — não se efetivou porque o modelo proposto ainda está sendo adequado. A proposta atual de profissional de apoio, inclusive, é distinta da função desempenhada hoje pelo professor de apoio da rede. No entanto, mesmo sem a definição final desse novo formato, a Secretaria está planejando 2026 como se tais profissionais já estivessem presentes nas escolas, o que compromete o planejamento e a segurança do atendimento educacional.
O resultado imediato dessa decisão foi a geração de um número alarmante de professores excedentes, obrigados a disputar vagas em outras escolas, muitas delas distantes de suas casas. Pior: a regra histórica que definia excedência pelo tempo de admissão na rede foi alterada, passando a considerar o tempo de permanência na escola, o que levou à remoção de docentes experientes que haviam recentemente conquistado uma vaga próxima por meio de processos legítimos de remoção. Uma mudança abrupta, injusta e desumana.
Neste processo, é fundamental reconhecer e acolher o trabalho das equipes gestoras das escolas, que passaram por uma situação extremamente delicada. Em um prazo de menos de 48 horas, diretores, coordenadores e equipes administrativas tiveram de reorganizar quadros inteiros de servidores, apontar excedentes e encaminhar informações decisivas — tudo isso sem orientação adequada, baseando-se apenas em documentos divulgados em cima da hora.
Foram decisões difíceis, realizadas sob enorme pressão, sem o devido amparo institucional e sem tempo hábil para uma análise cuidadosa. As equipes fizeram o possível diante de um cenário imposto, e precisam ser respeitadas e reconhecidas por esse esforço.
As escolas que mais sofreram com o grande número de excedentes foram justamente aquelas que atendem maior quantidade de alunos da inclusão — estudantes que demandam apoio individualizado, estabilidade e profissionais qualificados. Nessas escolas, professores auxiliares e de apoio foram retirados da contagem do quadro, aprofundando um problema que já era grave.
Além disso, uma das medidas adotadas pela Secretaria para reduzir artificialmente o porte das escolas foi restringir o número de auxiliares de regência, limitando-os à proporção de 1 profissional para cada 6 turmas. Essa decisão contraria diretamente a Estratégia 2.20 do Plano Municipal de Educação — documento construído coletivamente e aprovado pelo próprio Conselho Municipal de Educação — que estabelece de forma clara a necessidade de garantir 1 auxiliar de regência para cada 3 turmas, especialmente nas escolas que atendem maior número de estudantes do 1º ao 5º ano. Ao descumprir uma diretriz formal da política educacional do município, a gestão fragiliza ainda mais o trabalho pedagógico, sobrecarrega professores e reduz o atendimento às crianças que mais necessitam de apoio.
Adriana Biason é professora da Rede Municipal de Educação















5 comentários
Indalécio Madruga
Mais de um ano depois da derrota eleitoral e o pessoal da candidatura perdedora ainda está estrebuchando…
Guilherme
De fora eu ouço falar. Existe realmente uma cultura de silenciamento e de assédio moral na administração?
Adriana Biason
Oi Guilherme, tem sim! Eu mesma estou vivendo isso na pele!
Guilherme
Maravilhoso ver uma profissional da rede botando a cara para falar sobre um problema cuja exposição contraria o conforto de muita gente. Vamos buscando por notícias dela nos próximos meses. Se houver retaliação por exposição de opinião, que os responsáveis paguem, cível, administrativa e criminalmente.
Adriana Biason
Esse texto foi escrito por uma colega eu apenas colaborei e assinei, pois há muito medo em se expor nessa gestão. Obrigada pelo apoio!