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Cláudio Osti

Ex-delator acusa Moro no STF de usá-lo para investigar desembargadores, juízes e ministros do STJ

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do G1

O senador Sergio Moro (União Brasil-PR), em entrevista ao Estúdio i — Foto: Reprodução/GloboNews

O senador Sergio Moro (União Brasil-PR), em entrevista ao Estúdio i — Foto: Reprodução/GloboNews

O hoje senador diz que a acusação é infundada e que não existem gravações de pessoas com foro no processo.

O acordo foi celebrado em dezembro de 2004, e pessoalmente supervisionado, checado e monitorado por Moro ao longo de anos.

O documento, agora enviado pelo delator ao Supremo Tribunal Federal, mostra que a colaboração previa, entre outras coisas, que o réu usasse escutas ambientais em encontros e conversas com políticos e juristas para obter informações sobre desembargadores do Paraná e ministros do Superior Tribunal de Justiça.

No processo, agora remetido ao Supremo com a intenção de anular todos os efeitos da ação de Moro contra Tony, há registros até de conversas telefônica do ex-juiz com o réu, cobrando a entrega das tarefas que tinham sido estabelecidas no trato legal.

Os autos mostram que 30 missões foram delegadas ao delator como condição para a colaboração com o Ministério Público Federal, assinada por Moro.

Procurado, o ex-juiz e hoje senador nega qualquer irregularidade, diz que Tony é criminoso condenado e que nenhuma das gravações entregues por ele envolve pessoas com foro.

“Tony Garcia é um criminoso que foi condenado, com trânsito em julgado, por fraude e apropriação indébita. Em 2004, fez acordo de colaboração que envolveu a devolução de valores roubados do Consórcio Garibaldi e a utilização de escutas ambientais autorizadas judicialmente e com acompanhamento da Polícia Federal e do MPF. Essas diligências foram realizadas por volta de 2004 e 2005, e todas foram documentadas”, diz o ex-juiz.

A descrição dessas “tarefas” é detalhada. Na de número 8, por exemplo, está registrado literalmente: “Caso TRF Ricardo Saboya Kury — Bertoldo [um advogado paranaense] teria obtido liminares favoráveis com o Des. [desembargador] Dirceu, mediante troca de favores. O beneficiário procurará obter a fita cassete junto a Nego Scarpin, onde constaria tal fato, podendo, neste caso, realizar escutas externas.”

Há outras menções a escutas e gravações em posses de terceiros que deveriam ser encontradas pelo delator para que ele pudesse obter os benefícios previstos no acordo. É o caso das tarefas 4 e 5.

“4) Caso Nego Scarpin – Bertoldo teria passado para a CPLI-BANESTADO a conta de Luiz Antônio Scarpin para extorquir dinheiro. (Trata-se do bilhete apreendidos manuscrito pelo Sérgio Malucelli com timbre da Votorantin). Estariam envolvidos o Deputado Iris Simões, o Dep. Mentor e o Vereador João Melão/SP. O beneficiário trará a prova documental e gravações. Essas gravações estão em poder de Nego Scarpim, envolvendo Desembargadores do TRF, advogados e políticos. 5) Caso Enio Fornea X Bertoldo. As fitas acima contêm gravações do auxílio dado a Enio Fornea por um Desembargador do TRF da 4o Região.” [sic]

Além de avançarem sobre colegas da magistratura que formalmente não poderiam ser investigados na primeira instância, o MPF e Moro incluem no acordo uma cláusula que tinha como principal, ou único destinatário, o próprio ex-juiz.

Afirmando ter sido ele mesmo, Moro, alvo de um grampo ilegal, determina-se que Tony recupere o grampo e o apresente à 13ª vara para providências cabíveis. O autor da escuta ilegal seria um advogado, Bertoldo, principal personagem das 30 tarefas distribuídas ao delator.

O feito está registrado na penúltima “missão” imposta a Tony. “29) Interceptação telefônica do Juiz Federal: Segundo Antônio Celso Garcia, o Advogado Bertoldo teria mandado interceptar a linha telefônica do Juiz Federal Sérgio Moro. O grampo teria ocorrido na PIC do MPE onde Bertoldo tem influência. De fato, as interceptações telefônicas do PCD revelam conversa entre Roberto de Siqueira e Eduardo Albertini sobre possível mandado de prisão expedido contra Toni Garcia. Bertoldo, por volta da 1 hora da manhã esteve na casa de Toni Garcia [sic] dizendo para que ele fugisse pois seria preso. Toni [sic] não acreditava e Bertoldo afirmou que tinha grampeado o telefone de Sérgio Moro e ouvira ele ligando para alguém da Força Tarefa para avisar que havia decretado a prisão de Toni [sic]. O beneficiário testemunhará e procurará obter a prova da materialidade delitiva.”

Em um dos episódios, a Polícia Federal, que monitorava as escutas feitas por e com o auxílio de Tony relata uma conversa, por telefone, do próprio delator com o ex-juiz. Toni, na ocasião, era réu de Moro.

Na conversa, Tony faz reparos ao trabalho do MPF e Moro diz que, independentemente disso, teria de dar alguma condenação ao delator, porque isso estava estabelecido no acordo fechado cerca de um ano antes.

Tony foi condenado a seis anos de prisão por fraude em consórcios, mas teve, por conta de sua colaboração, a pena comutada em serviços comunitários. O benefício foi concedido por Moro.

Agora, o ex-colaborador do hoje senador vai ao Supremo para condenar Moro por atuação parcial, anular os efeitos de seu acordo e todas as informações levantadas por ele. O caso está com o ministro Dias Toffoli. Ele recebeu em anexo todas os registros do MPF, da PF e da própria 13ª vara que tratam da colaboração de Tony com Moro por anos no Paraná.

Leia a íntegra da manifestação de Moro

Tony Garcia é um criminoso que foi condenado, com trânsito em julgado, por fraude e apropriação indébita. Em 2004, fez acordo de colaboração que envolveu a devolução de valores roubados do Consórcio Garibaldi e a utilização de escutas ambientais autorizadas judicialmente e com acompanhamento da Polícia Federal e do MPF. Essas diligências foram realizadas por volta de 2004 e 2005, e todas foram documentadas. Não incluem qualquer gravação de autoridade com foro privilegiado, nem têm qualquer relação com as investigações do Mensalão ou Petrolão. Aliás, a farsa afirmada por Tony Garcia é facilmente desmascarada por ele não ter qualquer gravação de magistrados do TRF4, STJ ou STF.

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11 comentários

  • Bispo Ramos

    Agora Moro tenta tratar Tony Garcia como um reles condenado em total descrédito. O problema de Moro é que antes Tony Garcia era seu “amigão” chantageado, seu araponga escolhido a dedo, seu espião favorito. Nada como um dia depois do outro, não é, Marreco? Como as viúvas do Bolsonaro, as conjas do Moro também estão em polvorosa e ficam essas patéticas repetindo as notinhas divulgadas pelo ainda senador bolsonarista.

  • Os dois, Bolsonaro e Moro, vão dividir uma cela e pagar pela própria burrice.

    Bolsonaro viu o rumo que as coisas estavam tomando por aqui e achou que seria prudente voltar pro Brasil pra “liderar a oposição” em plena era do Complexo do Xandequistão. Esse cara tinha que ter saído dos Estados Unidos direto pra Itália. Com a mesma facilidade que a máfia da toga tirou o Cachaça da cadeia e devolveu a elegibilidade dele, ele perdeu a elegibilidade e vai acabar na cadeia.

    Moro sabia exatamente o que o PT significava mas resolveu entrar na onda da imprensa e encampar o anti-bolsopetismo, como se Lula e Bolsonaro fossem a mesma coisa. Perdeu a toga, vai perder o mandato, vai perder a liberdade e vai fazer companhia pro Bolsonaro na cadeia enquanto o Cachaça e a a meretriz particular dele viajam no novo Aerolula de 400 milhões de Reais.

  • VERITAS LUX MEA

    Em maio cai ele e a leva de oportunista que grudou nele.
    Aqui em Londrina o Trimdade, Juliani e Fernanda Vioto.

    A verdade é minha luz.

  • Bom, se começarem a remexer a merda, desde o banco Del Paraná, vai feder federal kkkkkkkk.

  • Só leva a sério o que Tony Garcia diz quem nunca comprou uma única cota do Consórcio Garibaldi.

    • Não é assim que funciona, parceiro. Já vi delegado levar a sério palavras de “malucão” e chegar a bandido traficante. O falso combatente da corrupção está caindo do cavalo. Quá! Quá! Quá!

      • Parceiro? Tá louco? Não me meça pela sua régua, não sou igual seus pares não!

  • Com certeza que não há mal que dure para sempre. Já passou da hora desse ex-juiz travestido de soberano julgador ser cassado e levado ao xilindró. O ápice de que Moro não passava de picareta mal intencionado do Judiciário ocorreu quando a Lava Jato, sob seu comando em parceria com o evangélico Deltan Dallagnol, outro procurador picareta em função tão importante, enviou à Globo o grampo ilegal com a gravação da então presidente Dilma e o ex-presidente Lula. Qualquer juiz mequetrefe saberia que grampo ilegal nada vale, deve ser descartado e sua divulgação é crime. Qualquer juiz mequetrefe também sabe que grampo, se legal, envolvendo autoridade com foro privilegiado, obriga o envio do processo ao STF. A Justiça só será consumada completamente quando esse bolsonarista for cassado e pagar na prisão pelos crimes cometidos.

  • Sandro Augusto dos Santos

    Infelizmente, este já passou da hora de ser cassado. Uma pena o povo paranaense ter se embriagado pela mídia elegendo este cidadão.

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