do G1
Investigadores ouvidos pelo blog da Sadi nos últimos dias são taxativos: a situação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, é vista como insustentável e tende a se agravar.
Relator do caso Master na Corte desde dezembro, quando tomou a decisão de puxar para o Supremo as investigações de supostas fraudes financeiras do banco de Daniel Vorcaro, Toffoli tem causado estranheza por decisões do caso. Como, por exemplo, quando determinou que o material apreendido na 2ª fase da Operação Compliance Zero fosse enviado para o STF e não para a Polícia Federal (PF).
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Além disso, na última semana, foi revelado que fundos ligados ao Master compraram a participação de irmãos do ministro no Resort Tayayá, na cidade de Ribeirão Claro (PR). A transação foi divulgada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e confirmada pela TV Globo.
Não há, portanto, na avaliação dos investigadores, um ponto de virada que encerre a crise — apenas uma sucessão de desdobramentos que independem, inclusive, das decisões do próprio Toffoli.
O motivo é estrutural, explicam investigadores. Há frentes da investigação que não estão sob o comando do ministro nem concentradas no Supremo. Em São Paulo, por exemplo, apurações envolvendo fundos e estruturas financeiras seguem em curso e podem gerar novos fatos a qualquer momento. Mesmo que Toffoli tente “organizar” o caso no STF, o desgaste pode vir por fora.
Esse diagnóstico já foi levado diretamente à maioria dos ministros da Corte. Investigadores alertaram que o caso tem potencial para “arrastar o tribunal para a lama”, transformando um problema individual em risco institucional. Ministros estão cientes da gravidade do quadro.
Dentro do Supremo, a leitura é dura, mas pragmática. Há quem concorde que a situação é complexa demais para que o ministro permaneça à frente do caso e defendem uma saída para baixo, ou seja, que o caso desça para a primeira instância.
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Na avaliação de uma ala da Corte, a decisão sobre o que fazer está nas mãos do próprio Toffoli. — Foto: AFP via BBC
Essa é considerada a alternativa possível justamente porque a outra — Toffoli simplesmente deixar o caso — não é vista como factível. Ministros não acreditam que ele aceitaria se afastar voluntariamente da condução.
Ao mesmo tempo, há uma queixa interna: não houve uma tentativa real de convencimento institucional. Faltou uma conversa direta, coordenada, que buscasse construir essa saída antes que a crise ganhasse dinâmica própria.
O impasse central permanece: na avaliação de uma ala da Corte, a decisão está nas mãos do próprio Toffoli. Manter o caso no Supremo concentra o desgaste nele e amplia o risco de o tribunal ser visto como juiz em causa própria. Com novos fatos podendo surgir fora do alcance do relator, a contenção pode se tornar inviável.
A leitura interna é que esticar a corda agrava a situação do tribunal e empurra o STF para o centro de uma crise política permanente. A crise de Toffoli, dizem investigadores e ministros, não tem prazo para acabar. Tem apenas a chance — ainda aberta — de ser contida antes de contaminar toda a Corte.















4 comentários
Cadê o MP
Governo Lula até o pescoço no caso do Master
Lula (PT) e seu governo parecem enrolados até o pescoço no caso do Banco Master, cujo domo, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. Uma das revelações mais devastadores sobre esse escândalo, até agora, mostrou que o presidente da República e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, reuniram-se com Vorcaro para tratar do Master. E que, no cargo, o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski ganhou R$5,25 milhões como consultor do Master.
Lobby bem sucedido
A reunião de Lula com Vorcaro ocorreu a pedido do ex-ministro petista Guido Mantega, contratado como “consultor” por R$1 milhão mensais.
Tentativa de blindagem
O vazamento da reunião, “controlado”, incluiu o detalhe de que Lula achou que o tema deveria ser tratado pela “área técnica” do governo.
R$250 mil mensais
Ricardo Lewandowski recebeu R$6,5 milhões em um contrato de serviço de “consultoria”, mediante pagamento de R$250 mil mensais.
Contrato mantido
Mesmo ministro, Lewandowski não cancelou o contrato do escritório de advocacia que mantém com os filhos, segundo a denúncia.
Relação de Wagner e Vorcaro deve ser investigada
Voltou a aparecer o nome do Líder do Governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no escândalo do Master, revelando sua ascendência sobre Daniel Vorcaro, controlador da instituição liquidada pelo Banco Central. Wagner já havia sido citado como o autor do pedido a Vorcaro, em nome do governo Lula, para contratar o ex-ministro Guido Mantega como “consultor”. O contrato teve o valor de R$1 milhão mensais.
Por que tanto poder?
As ordens de Jaques Wagner ao Banco Master intrigaram membros da CPMI do INSS, que querem investigar esse relacionamento.
De pais para filho
O Master também inaugurou sua carteira de consignados ao incorporar um órgão do governo baiano especializado em créditos a servidores.
PT na origem de tudo
A CPMI tem indícios de que participaram da “gentileza” ao Master o ex-governador da Bahia Rui Costa e seu antecessor Jaques Wagner.
https://www.osul.com.br/governo-lula-ate-o-pescoco-no-caso-do-master/
Anubian
Assim, sustentável no fim das contas é, porque ninguém pode efetivamente fazer nada contra nenhum ministro do Supremo. O Toffoli pode fazer o que bem entender que ninguém irá puni-lo de forma nenhuma.
Acho que o melhor caminho pra continuar salvando a demogracinha, o estado mandiocrático de direito e a çoberania nacional é que o Toffoli mande o processo pra 1ª instância. Assim, ele garante que o processo não vai acabar nunca, e quando ele voltar pro Supremo, em 2059, algum ministro pode mandar um “nada vê isso aí que você falou” e mandar o processo pra trituradora de papel.
Jordão Bruno
O ministro Toffoli é uma das redes de proteção de Daniel Vorcaro & Cia. Outra rede de proteção que está sendo articulada fica na Câmara e no Senado. A CPMI que está sendo articulada não passa de uma manobra para tentar livrar a cara dos tubarões envolvidos na falcatrua e responsabilizar algum bagrinho da esquerda que se meteu onde não devia. A gang dos tubarões do golpe tramado por Daniel Vorcaro vai do governador bolsonarista de Brasília, inclui o ex-presidente bolsonarista do Banco Central, Roberto Campos Neto, e chega ao governador bolsonarista e trumpista de São Paulo e seu amigão, também bolsonarista, Ciro Nogueira. O que é gritantemente óbvio é que, se não fosse o atual presidente do Banco Central, nomeado por Lula, Daniel Vorcaro teria amealhado bilhões de reais e deixado um prejuízo ainda maior ao banco do Distrito Federal, com a cumplicidade do governador Ibaneis Rocha, que, aliás, já deveria estar preso pela responsabilidade pelo quebra-quebra em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.
Machado Silva
Não adianta. O ministro Toffoli já deveria ter pedido pra sair. Tá na cara que a PF não vai topar fazer investigação para ministro engavetar.