de O Bastidor
Um dos personagens centrais na investigação sobre o uso de fundos de investimento para lavagem de dinheiro do esquema de fraudes no setor de combustíveis associado ao PCC, a maior facção criminosa do país, esteve nas dependências do União Brasil na Câmara dos Deputados nove dias antes da deflagração da operação Carbono Oculto.
Clique aqui e receba nossas notícias pelo whatsapp
Trata-se de Maurício Ali de Paula, apontado pelo Ministério Público de São Paulo como coordenador financeiro da Amapapetro, uma das maiores empresas de fachada usadas para dar suporte ao grupo de Mohamad Hussein Mourad, dono da Copape, e um dos líderes do esquema de sonegação fiscal, fraudes contábeis e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Ele esteve na Câmara no dia 19 de agosto. Documento obtido pelo Bastidor mostra que Maurício entrou no Congresso às 14h53. Na portaria, após se identificar, só informou que iria ao União Brasil.
Como mostrou o Bastidor, Maurício é próximo do presidente do União Brasil, Antônio Rueda. Ambos negam ter vínculo comercial, dizem se conheer apenas socialmente. Reportagem mostrou em setembro que eles curtiram juntos, ao lado de amigos e familiares, shows de Xand Avião e de Pedro Sampaio na praia de Cumbuco, região metropolitana de Fortaleza.
O registro foi publicado em março de 2024 em redes sociais. Após a matéria ir ao ar, os irmãos de Rueda, Mila Rueda, tesoureira do União Brasil, e Fábio Rueda, suplente de deputado federal e secretário da Representação do governo do Acre em Brasília, deixaram de seguir Maurício no Instagram.
Nove dias depois da visita de Maurício ao União Brasil, em 28 de agosto, o Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal deflagraram a operação Carbono Oculto.
Nos documentos que fundamentaram as investigações, Maurício aparece como o coordenador financeiro da Amapapetro, empresa de importações usada para dar suporte ao grupo Mohamad. Ele nega.
A Amapapetro é tida como peça-chave no setor de combustíveis, com conexões diretas a distribuidoras sob investigação — Aster, Duvale, Arka, Petroworld e Everest. Além disso, a empresa mantinha vínculos financeiros relevantes com o Fundo Zeus, outro veículo acusado de servir à lavagem de capitais.
O filho de Maurício, Guilherme Ali de Paula, também esteve na Câmara. Sua visita ocorreu no dia 10 de julho de 2024. Ele chegou ao Congresso às 8h38 e foi para a liderança do PSD.
Guilherme é tratado pelo Ministério Público de São Paulo como personagem importante no uso de fundos de investimento para lavagem de dinheiro e operações no Porto de Paranaguá, no Paraná, vinculadas ao grupo de Mohamad.
Segundo o MP, Guilherme Ali de Paula recebeu recursos significativos da SM Serviços Empresariais, descrita como “shell company”, uma empresa de fachada vinculada a Mohamad Hussein Mourad e usada para lavagem de dinheiro.
“Guilherme Ali de Paula é identificado como uma figura-chave dentro da estrutura investigada, demonstrando sólidos vínculos com o grupo de Mohamad Hussein Mourad”, diz o MP.
No caso do PSD, há a proximidade com outros alvos da Carbono Oculto, a família Cepeda, da Rede Boxter de postos de combustíveis. O presidente do partido, Gilberto Kassab, secretário de Governo e Relações Institucionais do governo de São Paulo, apareceu em fotos publicadas nas redes sociais ao lado de Gabriel Cepeda. O Bastidor mostrou a proximidade em agosto.
O Bastidor procurou nesta quinta-feira Maurício e Guilherme Ali de Paula. Perguntou a ambos sobre o motivo das visitas, com quem eles encontraram, os assuntos tratados e quais empresas representavam.
Em nota, Maurício disse que esteve na “Câmara Federal nessa data, mas não na liderança partidária. E a visita não tem qualquer relação com a operação citada.”
Já Guilherme afirmou que “a questão remete a uma visita de mais de um ano atrás, da qual sequer me lembro. E que, até pela data, não pode ter qualquer relação com a operação citada”.
O Bastidor não conseguiu informações sobre as visitas de Maurício e Guilherme ao Senado. A Casa, presidida por Davi Alcolumbre, do União Brasil, impôs sigilo aos dados.















3 comentários
Jordão Bruno
Como o senador Moro é um grande batalhador contra a corrupção, ele deve ter escolhido a dedo o partido a que está filiado.
Tóin
PCC do combustível
https://noticias.uol.com.br/colunas/fabio-serapiao/2025/12/05/beto-louco-forneceu-mounjaro-para-davi-alcolumbre.htm
Alborghetti filho programa cadeia
É só mostrar o TALÃO DA SANEPAR, para todos o envolvidos que já aparece tudo conta tudo não sei o que estão esperando e mostrar também para os políticos que eles foram visitar,.