Zé Dirceu discursa no Senado quase vinte anos após ter mandato cassado

da Veja

A data da sessão remete ao dia 2 de abril de 1964, quando o Congresso Nacional declarou vago o cargo de presidente do Brasil, até então ocupado por João Goulart, o Jango, deposto pela ditadura.

Além de Dirceu, estavam na mesa a viúva de Jango, Maria Thereza Fontella Goulart, e um de seus filhos, João Vicente Fontella Goulart, que é presidente-executivo do Instituto João Goulart; e a jornalista Mara Luquet, fundadora do canal MyNews.

O líder do governo Lula no Congresso, Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), que presidiu a sessão especial, classificou Dirceu como um dos principais responsáveis por sua formação política ao chamá-lo à tribuna.

“Com enorme honra, eu destaco e agradeço a presença nesta mesa deste companheiro que agradeço a Deus a possibilidade de na minha formação política ter sido um dos formadores nos melhores momentos do Partido dos Trabalhadores, meu querido José Dirceu de Oliveira e Silva, ex-deputado federal, militante político da resistência à ditadura entre os anos de 1960 e 1970. Zé, é uma honra para nós ter você conosco aqui nesta mesa”, disse Randolfe.

Ao abrir sua fala, Dirceu afirmou que quase não aceitou o convite do senador para participar da sessão. “Desde a madrugada de 1º de dezembro (de 2005), quando a Câmara dos Deputados cassou meu mandato, que o povo de São Paulo tinha me dado pela terceira vez, eu nunca mais voltei ao Congresso Nacional. Mas acredito que João Goulart merecia e merece a minha presença hoje aqui, Maria Thereza (Goulart)”, declarou Dirceu, na abertura de sua fala.

“Quero prestar essa homenagem a essa figura fantástica da nossa história que foi João Goulart. Vamos lembrar que João Goulart foi impedido de continuar no Ministério do Trabalho por causa do salário mínimo, e vamos lembrar que o nosso povo trabalhador, a nossa classe trabalhadora, votou no PTB, em sua maioria, de 46 a 64”, afirmou o petista.

E complementou: “Não é verdade que o golpe de 64 teve apoio popular. Tanto não é verdade que a ditadura perdeu as eleições para governador em Minas Gerais, no meu estado, com muita honra, e no Rio de Janeiro, depois de impugnar vários candidatos, porque a ditadura inventou o domicílio eleitoral e inelegibilidades, que não existiam no Brasil. Perdendo as eleições, acabou com as eleições e com os partidos, impôs a censura e a repressão. Mas o povo resistiu. Primeiro, os estudantes, depois os jornalistas, os intelectuais, os artistas, depois os trabalhadores, com as greves de Contagem e de Osasco como símbolo.”

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Um comentário

  1. Biro

    Dirceu Guerreiro do povo brasileiro. Esse homem era o sucessor de Lula quando foi seu ministro da Casa Civil. Era ele que viria a ser presidente ño lugar da Dilma. Tropeços da vida afastaram ele da sucessão. Tomara que ele consiga se reeleger. Faz falta um rocha firme desses na política. Bem diferente dos frangotes do PL.

    1. Observador

      Frangotes do PL foi boa.

      1. Direita

        O que vc tem contra os “frangotes:”. Melhor que esses lobos da velha política…

        1. Observador

          Eles não têm nada haver. Simples assim.

  2. Genildo

    O clima quente tem favorecido a proliferação de ratos, ratazanas e corruptos.

  3. Pentelho

    No título da matéria, o blogueiro diz que o Dirceu foi cassado há 10 anos. Corrigindo faz quase 20 anos. Ele foi cassado em 2005. Segue o baile.

  4. Há Lagoas

    A República das Bananas é um escárnio! Réu no mensalão e petrolão discursando no Congresso Nacional em defesa da democracia! A volta do imaculado Lula ainda trará muitos companheiros corruptos aos holofotes da política! Nossa democracia tupiniquim é uma piada!

  5. Brendon

    esse tá escrito pilantra na testa. Aqui pelo Paraná esse vagabundo não se elege, tenta lá pra cima quem sabe.

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