A Revolução do Porto e a Pandemia

Por Mário César Carvalho

A Revolução do Porto foi um movimento liberal que eclodiu em Portugal no ano de 1820 e que refletiu profundamente aqui ”além mar” porque apressou a “volta para a terrinha” do rei D. João, pai de D. Pedro I e, com isso, a tentativa das Cortes portuguesas de retornar o Brasil à condição de colônia.

 

O Governo Federal afirma que desde de janeiro de 2020, repassa (direta ou indiretamente) para Estados e Municípios suculentos recursos para o combate à pandemia que, imagina-se, deveriam ser aplicados no tratamento dos contaminados e no fortalecimento dos sistemas de saúde, isso para proteger a economia e evitar a adoção de medidas de isolamento social. Já os “gestores” afirmam e reafirmam que não receberam todos esses valores e que as medidas de isolamento são necessárias em razão do colapso no sistema de saúde. E no meio desse “diz que diz” o dono do dinheiro, o povo. Em quem o povo deve acreditar?

Um episódio interessante ligado a esse acontecimento, foi que alguns dias antes da partida da família real correu o boato (não tão boato assim) de que os navios portugueses que deixariam o Brasil estavam sendo carregados com toneladas de ouro retirado do Banco do Brasil. Foi então que a população se reuniu na Praça do Comércio e de lá sairam em passeata pelas ruas, em direção ao porto do Rio de Janeiro cantando: “Olho vivo, pé ligeiro. Vamos ao porto buscar o dinheiro”.

Não é difícil saber como essa história terminou. O então Príncipe Regente D. Pedro I, mandou que as forças militares colocassem os manifestantes “nos seus devidos lugares” resultando dessa refrega em 1 morto e dezenas de feridos.

Nota-se, então, que a desconfiança do povo nos seus governantes não é de hoje e que por trás dela existe sempre o elemento dinheiro. De um lado o povo, como legitimo dono do dinheiro sempre buscando saber onde e como ele foi ou está sendo aplicado e, de outro, alguns administradores públicos, ou “gestores públicos” (nomenclatura da modinha), simplesmente fazendo ouvidos moucos aos legítimos desejos populares.

Nessa situação de pandemia do SARS COVID, uma situação que chama a atenção é a de que porque apesar de efetivamente existir um vírus letal de alta contaminação, há uma grande parte da população que simplesmente não cumpre as medidas determinadas pelas autoridades. Veja-se, por exemplo, o tal lockdown, ou qualquer outro nome que queiram dar para amenizar o caráter draconiano que esse tipo de medida possui.

Na verdade o que está por trás desse “cabo de guerra” entre os “gestores e seus especialistas” contra uma parte bem significativa da população, nada mais é do que a velha desconfiança relacionada ao dinheiro lá dos tempos do Brasil colônia.

Verdade é que grande parte desse problema seria facilmente resolvido se os “gestores” mostrassem para a população se de fato receberam, qual o total e onde esses recursos que vieram do Governo Federal destinados ao combate da pandemia foram aplicados. É uma atitude tão simples e fácil que poderia ser feita pelos Portais da Transparência dos Estados e Municípios ou pelas lives repetitivas e vaziasde conteúdo que volta a meia aparecem por aí, para que aquela parte desobediente da população soubesse como e onde o “seu dinheiro” foi aplicado e daí, quem sabe, deixar de teimar e desobedecer.

D. João , os navios e o nosso ouro acabaram indo embora e nunca mais voltaram, mas, em todo caso, para nós que ficamos por aqui, com relação ao nosso dinheiro, nunca é demais manter o: “olho vivo e o pé ligeiro…..”

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