Coisa do IAP de Cornélio: a devastação da peroba

do Contraponto/Celso Nascimento

Está cada vez mais complicada a vida da chefe do escritório do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) de Cornélio Procópio, Maria das Graças Midauar. O Ministério Público abriu ação civil pública contra ela, outros servidores do escritório e proprietários de uma área rural no município de Rancho Alegre. Todos são acusados de devastação ilegal de centenas de espécimes de peroba-rosa – uma árvore em extinção e protegida por leis que proíbem o seu corte para qualquer fim.

Os cortes ilegais foram objeto de denúncia anônima, mas a pedido do Ministério Público policiais da Força Verde estiveram no local e constataram a devastação, envolvendo não só peroba como outras espécies de árvores também sob ordem de preservação. Foram localizadas centenas de metros cúbicos de toras em meio área de mata prontas para ser comercializadas.

No início do mês, o Tribunal de Contas do Estado fez inspeção de rotina no escritório do IAP e constatou que Maria das Graças – a “Nenê” -, servidora comissionada nomeada para o cargo por indicação política, vinha concedendo licenças ambientais às dúzias. Ela própria cumpria todas as complexas etapas de liberação (que normalmente demoram meses) num mesmo dia ou minutos, envolvendo empreendimentos privados que, segundo se calcula, chegavam a R$ 50 milhões.

Além de não ter habilitação técnica para fazer as liberações, “Nenê” transgredia outros procedimentos obrigatórios. Diante disso, o conselheiro do TCE Ivens Linhares determinou a imediata paralisação da concessão de licenças pelo escritório até o esclarecimento total dos fatos e a responsabilização da funcionária.

Não vai faltar óleo de peroba na praça.

4 comentários em “Coisa do IAP de Cornélio: a devastação da peroba

  • 14/03/2018, 16:18 em 16:18
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    Midauar, aquele sobrenome do problema na receita estadual?

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  • 14/03/2018, 16:23 em 16:23
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    G1 – 25 de mar de 2015 – ” O empresário Paulo Roberto Midauar preso pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), reconheceu que influenciou nomeações ligadas ao Governo do Estado. A afirmação foi feita em uma entrevista concedida …”

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  • 14/03/2018, 16:26 em 16:26
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    A irmã do empresário Paulo Roberto Midauar, Maria das Graças Dias Midauar, foi nomeada há 20 dias chefe do escritório regional do Instituto Ambiental do … Folha de Londrina 26/03/15.

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  • 14/03/2018, 17:12 em 17:12
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    O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou nesta terça-feira que sua pasta está “muito alerta” aos próximos desdobramentos da Operação Carne Fraca, que devem conter “uma delação premiada de um servidor”. A Carne Fraca foi deflagrada em março de 2017 e investiga esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos por meio do pagamento de propina a fiscais do Ministério.

    — Existe uma preocupação com o Paraná, de ter uma delação premiada de um servidor. A hora que vier a público (essa delação premiada), vai chacoalhar o Paraná — disse ele.

    A delação a que o ministro se refere é a de Daniel Gonçalves, ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná. O acordo de colaboração foi homologado. De acordo com essas fontes, Gonçalves relatou irregularidades relacionadas à BRF e a frigoríficos de outras empresas. E a lista de políticos e partidos beneficiários da corrupção. As revelações da Carne Fraca podem, inclusive mudar a correlação de forças na disputa de cadeiras de deputado federal.

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