Exposição virtual leva público a conhecer universo fantástico das casas que andam do artista Chico Santos

Da Assessoria

Em “Casas Novas não Têm Fantasmas”, espectador verá obras que utilizam a alegoria da casa para falar da relação do homem com o meio ambiente

Casas que andam  pelas matas, igrejas que flutuam nas  águas de rios,  seres que vagam pelas  florestas.  Criaturas  carregadas de mistérios e significados povoam a exposição virtual “Casas Novas não Têm Fantasmas”, do artista plástico londrinense Chico Santos.  Programada inicialmente para acontecer em ambientes naturais, abertos ao público, a  mostra dos trabalhos de Santos teve que migrar para o ambiente virtual da internet por causa da pandemia do novo coronavírus. Com isso, as obras  poderão ser vistas, gratuitamente,  por todos que tenham acesso à rede mundial de computadores, em qualquer lugar do mundo, a partir das 0h15 do próximo dia 08 de outubro  no site www.artenomato.com

A galeria virtual criada por Chico Santos reúne uma  série de oito vídeos,  que mostram as  obras do artista, feitas em madeira reciclada, terra cota, fios de algodão,  entre outros materiais. Para manter ao máximo a ideia original, que era levar o público a contemplar as peças em um lugar florestado, os vídeos com as obras foram gravados no  Jardim Botânico de Londrina.

Os vídeos presentes nesta exposição virtual  levam o espectador a conhecer os mitos e lendas criados por Chico Santos a partir de suas inquietações a respeito das relações do homem com a natureza. As obras apresentadas pelo artista plástico foram concebidas originalmente no projeto “Mitos Paranaenses”, em que Chico Santos cria uma de lendas e “causos” a partir de histórias verídicas para reforçar a urgência de se preservar o meio ambiente.  Em tempos de “fake news”, o artista plástico  se vale desse artifício para criar suas obras e por meio de uma história  inventada chamar a atenção para um problema verdadeiro: o descaso com  o meio ambiente.

A série de vídeos, apresentada pela professora de artes, Suellen Stanislau,   é  aberta pelo episódio “Arte no  Mato”, que traz ao espectador  uma espécie de  guia que o conduzirá pelas obras apresentadas nos  episódios seguintes, bem como faz uma apresentação do artista Chico Santos e sua trajetória. Na sequência, os vídeos, todos captados pelo cinegrafista Marcos Assi,  apresentam as obras e os contextos em que foram concebidas, a partir das lendas e mitos paranaenses.

Entre os episódios que compõe a exposição virtual também estão  o registro de um cortejo  conduzido por guardiões da mata, com a participação de índios Kaigangs, que também aparecem em outro vídeo da série, desta vez narrado em sua  língua materna, uma instalação artística gravada em toda  a bacia do Rio Tibagi.

Chico Santos também convidou para integrar a exposição virtual “Casas Novas não Têm Fantasmas”, o artista Guilherme Gerais. Em  sua participação, Gerais leva o espectador a percorrer uma exposição virtual dentro  da exposição virtual.

MITOS PARANAENSES

Os trabalhos apresentados nesta exposição virtual foram concebidos e desenvolvidos por Chico Santos a partir de uma série de atividades desenvolvidas,  antes  da pandemia,  em quatro municípios do Paraná: Primeiro de Maio, Jataizinho, Telêmaco Borba e Ortigueira.  Esses municípios têm em comum o Rio Tibagi, que nessas regiões acabou sendo afetado pelas  Usinas Hidrelétricas de Mauá e Capivara (na divisa do Paraná com São Paulo).

O trabalho nessas localidades se valeu, além das lendas, da participação ativa dos moradores das cidades, das populações ribeirinhas e das tribos indígenas que habitam essas regiões. O artista  plástico realizou uma pesquisa em cada um dos municípios envolvidos que serviram de base para a criação de  esculturas e vídeo-arte  que dão forma e materialidade aos “causos”.

Para isso, Santos, acompanhado de uma equipe de gravação de imagens e áudio, colheu depoimentos de moradores sobre essas histórias e suas diferentes versões. A produção  ainda incluiu  a realização de um cortejo-performance  com os “Guardiões da Floresta”, criados por Chico, que representam as casas e igrejas que andam ou navegam.  Os  resultados dessas intervenções  resultaram  em obras de artes de diferentes formatos que estarão  expostas no site www.artenomato.com

As histórias de cada região

Na região de Primeiro de Maio e de Jataizinho,  a história que alimenta o trabalho de Chico Santos é a de uma igreja que é vista flutuando pelo rio Tibagi em diferentes pontos. A construção de madeira teria  pertencido à uma comunidade que vivia às margens do Rio Tibagi extraindo argila para fabricação  de cerâmica. Com o represamento das águas que formam o reservatório da Usina Capivara, as casas e a igreja da comunidade  foram  encobertas pelas águas. Mas a igreja ‘sobreviveu’ e agora  navega rio abaixo  rio acima. Moradores antigos dizem que a construção  de madeira flutua em busca de um novo local para se instalar.

Já na região de Ortigueira e Telêmaco Borba,  a história que se conta é a de uma casa que tem sido avistada flutuando pelo rio Tibagi. A construção  começou a aparecer após a formação do lago que alimenta a Usina de Mauá. Dizem que tal casa pertencia a um ermitão que vivia em uma das ilhas do Tibagi que foi encoberta com o seu represamento.  Os moradores da região dizem que o ermitão se recusou a deixar o local, mesmo tendo sido alertado que as águas o encobririam. Ele representa a resistência  contra a construção da usina, que houve por parte da população das cidades da  região e principalmente da tribo indígena que habitava o lugar, que foi submerso.

O projeto “Casas Novas não Têm Fantasmas” foi aprovado no Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura (PROFICE) da Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura, Governo do Paraná, e conta com apoio da COPEL.

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