O passado que passou

Do Carlos Brickmann
Em maio de 2000, o governador paulista Mário Covas, PSDB, foi à Secretaria da Educação, cercada por professores em greve (a presidente do sindicato era, desde então, a mesma de hoje). Foi agredido a pauladas e pedradas, ferido na testa e no lábio inferior, mas se manteve firme: “Ninguém vai impedir o governador de entrar numa secretaria de Estado pela porta da frente”, disse. Saiu também pela porta da frente, sendo apedrejado.

Seu herdeiro político, Geraldo Alckmin, foi à missa pelo aniversário de São Paulo, na Catedral da Sé. Como viu que umas vinte pessoas do Movimento Passe Livre estavam por lá, saiu escondido pelos fundos. O prefeito Fernando Haddad, PT, dava entrevista quando foi atingido por uma garrafa vazia de plástico. Assustado, saiu na hora, protegido pela segurança.

Exemplo de ontem

Em 24 de dezembro de 1961, 700 presos se rebelaram na Penitenciária Lemos de Brito, Rio, e tomaram dois dos quatro pavilhões. Quando o governador Carlos Lacerda chegou, havia dois presos mortos por facções rivais; e a Secretaria de Segurança já tinha dado ordem para que a Polícia invadisse o local. Lacerda entrou sozinho no presídio, sem seguranças. Disse que quem tivesse queixas razoáveis seria ouvido; quem quisesse violência enfrentaria o rigor da lei. Uma frase: “Não temos medo de quem acha que é valente, porque não somos mais nem menos valentes do que vocês. Vamos conversar e chegar a um entendimento”.

Pois é: autoridade não fugia nem se escondia.

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