Saiu atirando para tentar preservar o pouco que restava da própria história

da Reuters

Moro saiu atirando e, até para a sua história pessoal, era o que ele tinha que fazer.

Quando juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, em algumas oportunidades, esticou o elastiquinho o quanto pode para que sua vontade prevalecesse. Foi assim que conseguiu mandar políticos importantes para a cadeia, ganhando quase irrestrito apoio popular.

Era tido como uma mão de ferro contra a corrupção, e foi cor causa disso que acabou sendo convidado para integrar o governo Bolsonaro. Ia ser a referência moral do governo.

Decidiu trocar a carreira consolidada por uma aventura. Sim, uma aventura, a não ser que em nenhum momento ele tenha dado uma espiada mas informações da vida e conduta pregressa de Bolsonaro, o Jair. Se olhou, apesar de juiz, foi um mal julgador. E se não olhou, também errou, pois um juiz precisa de fatos para abalizar seu julgamento.

Depois de assumir, com sorrisos para fotos, percebeu que sua vida não seria fácil. As promessas de Bolsonaro, de que ele teria carta branca para nomear sua equipe, duraram menos do que a vida de uma bolha de sabão.

Desde então acumulava derrotas, e humilhações impostas pelo presidente (veja logo abaixo).

Se deixasse o governo sorrindo, teria jogado no lixo o que ainda lhe resta de apoio popular.  Mesmo que tardiamente, fez o que considerava o mais correto para a sua história. Apresentou ao País quem é Bolsonaro, e como ele vem usando de todos os artifícios para proteger os seus.

Veja algumas das derrotas de Moro relembradas pela CNN Brasil:

Ainda em fevereiro de 2019, Moro teve de recuar da nomeação da cientista política Ilona Szabó para um cargo de suplente no CNPCP (Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária).

Sua indicação havia repercutido negativamente entre os apoiadores de Bolsonaro porque Szabó é abertamente contra a flexibilização da posse de armas.

Após a decisão, Moro divulgou uma nota em que pediu desculpas à especialista e reforça que foi escolhida por “relevantes conhecimentos na área de segurança pública”.

Perda do Coaf

Em agosto do ano passado, em meio às suspeitas apontadas pelo Coaf na conta do senador Flávio Bolsonaro enquanto era deputado estadual no Rio de Janeiro e seu ex-assessor Fabrício Queiroz, o presidente transferiu o órgão para o Ministério da Economia, sob a justificativa de que pretendia tirar o órgão do “jogo político”.

Mesmo com a indicação de Moro de que a permanência do Coaf sob a alçada do Ministério da Justiça era “estratégica” no combate a corrupção, o Coaf acabou sendo transferido para o Banco Central, onde ganhou novo nome: UIF (Unidade de Inteligência Financeira).

Troca no comando da PF

Em agosto de 2019, Bolsonaro anunciou que trocaria o comando da Superintendência Regional da PF (Polícia Federal) no Rio de Janeiro, Ricardo Saadi, alegando problemas de “gestão e produtividade”. “Todos os ministérios são passíveis de mudança”, disse o presidente à época. “Eu dou liberdade para os ministros todos, mas quem manda sou eu”. Ele pretendia colocar no posto o delegado Alexandre Saraiva, da PF em Manaus.

Após a declaração de Bolsonaro, a corporação divulgou nota em que dizia que a troca foi feita à pedido de Saadi, nada tinha a ver com produtividade e que ele seria substituído pelo então superintendente da PF em Pernambuco, Carlos Henrique Oliveira Sousa. O episódio colocou em xeque, naquela ocasião, a permanência de Valeixo à frente da PF após o presidente sinalizar que poderia promover mudanças na direção do órgão.

Pacote anticrime

Principal bandeira do ministro Sergio Moro, o pacote anticrime só foi aprovado pelo Congresso em dezembro, após perder alguns de seus principais pontos. Entre eles, a mudança nos critérios do “excludente de ilicitude”, que isentaria de punição abusos policiais que decorressem de “escusável medo, surpresa ou violenta emoção”.

Outros itens derrubados foram a prisão em segunda instância e o chamado “plea bargain”, acordo judicial importado dos Estados Unidos, em que a confissão dos crimes pode reduzir a pena do réu. Composto por dois projetos de lei e um projeto de lei complementar, o pacote foi enviado em fevereiro e integrava a lista de metas para os primeiros 100 dias de mandato de Jair Bolsonaro.

Divisão do ministério

Em janeiro de 2020, Bolsonaro declarou a intenção de recriar o Ministério da Segurança Pública e manter Moro com a pasta da Justiça, diminuindo suas atribuições. A queda na taxa dos homicídios —tendência observada desde o governo Temer —era um dos principais resultados propagados pelo ministro. No entanto, a proposta foi descartada poucos dias depois.

Isolamento social

Enquanto Bolsonaro disparava críticas a governadores que adotaram medidas de restrição de circulação para combater a pandemia do novo coronavírus, Moro se alinhou ao ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta ao defender o isolamento social como medida mais eficaz para evitar a propagação do vírus.

Quando Mandetta ainda balançava no cargo, a esposa de Moro, Rosângela Wolff, saiu em defesa do ex-ministro nas redes sociais. Pelo Instagram, ela disse que entre ciência e achismos, ficaria com a ciência. “In Mandetta I trust (Em Mandetta eu confio)”, escreveu. Pouco depois, ela apagou a publicação.

 

2 thoughts on “Saiu atirando para tentar preservar o pouco que restava da própria história

  • 24/04/2020, 17:09 em 17:09
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    “Decidiu trocar a carreira consolidada por uma aventura. Sim, uma aventura, a não ser que em nenhum momento ele tenha dado uma espiada mas informações da vida e conduta pregressa de Bolsonaro, o Jair. Se olhou, apesar de juiz, foi um mal julgador. E se não olhou, também errou, pois um juiz precisa de fatos para abalizar seu julgamento.”

    Sabe que há quem diga que o Jair Bolsonaro é o “Glutão” da lista da Lava Jato, tendo como referência mais sólida o poderoso deputado federal José Janene, uma das cabeças do Petrolão ao lado de Beto Youseff (preso duas vezes por Moro, a primeira em 1998 na CPI do Banestado), como padrinho do Partido Progressista, onde ficou por 11 anos. É o maior período num partido do mito, que nem três anos no PSL que iria salvar o Brasil ficou. Aí está, quem não muito dificil era saber que foi. Foi expulso do exército. Quer mais?

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  • 24/04/2020, 17:59 em 17:59
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    @FlavioDino
    Moro, infelizmente, confessa mais uma ilegalidade: pediu pensão ou algo similar pra aceitar um cargo em comissão. Algo nunca antes visto na história. E tal condição foi aceita ? Não posso deixar de registrar o espanto.

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