Sites e aplicativos, está bem mais fácil saber quem são os políticos bandidos

Entre a identificação de desvios bilionários e as centenas de políticos na mira da Justiça, os resultados das operações investigativas dos últimos anos descortinaram infindáveis esquemas de corrupção e iniciaram uma devassa no meio político. Com a aproximação das eleições, cabe ao cidadão dar continuidade ao trabalho e moldar as novas composições do Legislativo e do Executivo.

O acesso ao material para a avaliação do histórico dos candidatos deixou de ser burocrático — as fichas estão disponíveis em poucos cliques. Aplicativos e plataformas independentes consolidam informações e mostram, em segundos, problemas judiciais, gastos com verba indenizatória, faltas em sessões e conteúdos dos projetos desenvolvidos ao longo da legislatura de cada um (veja mais abaixo).
Práticos e gratuitos, os programas precisam do apoio da população para continuar a funcionar. No Vigie Aqui, a única exigência é o download de um plug-in. Depois da instalação, que dura cinco segundos, os nomes dos políticos investigados, réus ou condenados ficam grifados em roxo quando mencionados em páginas durante a navegação no Google pelo Chrome ou Firefox. Para saber do que se tratam os processos, basta passar o mouse sobre a mancha e um resumo aparece.
O banco de dados da plataforma é atualizado de forma recorrente e reúne os perfis de todos os deputados federais e senadores eleitos pelo DF. Dos oito integrantes da Câmara, apenas um não tem o destaque roxo: Ronaldo Fonseca (Podemos), que não responde a ações penais ou de improbidade, nem é investigado. No Senado, os três representantes da capital, Cristovam Buarque (PPS), Helio José (Pros) e Reguffe (sem partido), estão com a ficha limpa. Ao todo, o projeto ganhador de cinco leões em Cannes Lions, o Festival Internacional da Criatividade, monitora 714 políticos e pintou 411 nomes.
Entre os reconhecidos em roxo pelo plug-in estão os pivôs de duas das maiores operações da capital: Caixa de Pandora e Panatenaico, as quais investigam, respectivamente, a troca de propina por apoio político e o superfaturamento do Estádio Nacional Mané Garrincha. Parte das figuras desses escândalos de corrupção pretende permanecer no poder ou voltar ao protagonismo em 2018.
Responsáveis pelo desenvolvimento do sistema, estudantes da PUC do Paraná buscam, agora, doações para mantê-lo. Na internet, fizeram uma vaquinha para arrecadar valores necessários ao custeio de mais vigilantes. Eles também pretendem estender a facilidade a outros navegadores, como o Explorer. “Vamos levar a nossa voz da internet para as urnas”, dizem no anúncio.
O Vigie Aqui emplacou, ainda, o “Detector de Corrupção”, desenvolvido pelo site ReclameAQUI. Disponível para download em celulares com sistema iOS, o aplicativo mostra o histórico judicial dos políticos por meio do reconhecimento facial, depois que o usuário insere uma fotografia recém-tirada ou imagem da galeria do aparelho telefônico. Também há a opção de busca nominal. Estão no acervo governadores, vice-governadores e deputados federais eleitos em 2014; senadores que chegaram ao poder em 2010; todos os presidentes e vices vivos; além dos pré-candidatos a governador e ao Palácio do Planalto.
Para checar se o perfil do candidato à reeleição condiz com o do cidadão, há o Monitora, Brasil, cujo enfoque recai sobre a atuação parlamentar. Nele, constam gastos com verba indenizatória, descrição de projetos de lei apresentados, número de votos recebidos na última eleição, quantidade de faltas em sessões de deliberação, avaliação da atuação por usuários e número de seguidores no Twitter. O programa ainda conta com o Especial Lava-Jato — nessa lista, há a relação de todos os indiciados no âmbito da operação. (leia mais)

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