
Por Marcos Cesar Gouvea
O Brasil vota dia 25 o segundo turno da eleição presidencial opondo o presidente social-democrata Lula da Silva e o ultradireitista Flavio Bolsonaro. A campanha petista busca apoio da juventude na mobilização da militância, enquanto o ultradireitista aposta no apoio das forças de direita.
A luta, totalmente aberta, é para conquistar votos do grande número de eleitores que se abstiveram no primeiro turno, que teve Bolsonaro com 47% e Lula com 45% dos votos válidos. A eleição é decisiva para a geopolítica da América Latina, quase completamente tomada por governos de direita feroz.
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Caso Lula da Silva seja reeleito, o Brasil continua a ser uma referência para um Ocidente já sedento de mais democracia. Se vence Bolsonaro e com o Congresso capturado pela direita, serão quatro anos imprevisíveis. Flávio Bolsonaro pode imitar o pai e tentar completar sua obra, a tentativa de golpear a Democracia há quatro anos..
Já Israel faz eleições no dia 27 para seu Legislativo, o Knesset, com o primeiro ministro Benjamin Netanyahu, com sua coligação de ultradireita, e uma oposição de direita buscando a maioria de 61 cadeiras que permite a formação de novo governo e a nomeação do primeiro-ministro.
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Às eleições brasileiras e israelenses se seguem as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, no dia 3 de novembro, com renovação total da Câmara e parte do Senado. E as eleições antecipadas na Espanha, no dia 26 de novembro, que elege novo parlamento e consequentemente o primeiro-ministro.
As quatro eleições, bastante polarizadas, vão medir a quantas anda a saúde da Democracia ocidental, combalida na última década por sucessivas vitórias da direita. Esse período desalentador começou com a vitória do Brexit no Reino Unido, em junho de 2016, e na eleição do populista Donald Trump em novembro de 2016, depois que ele tomou de assalto o Partido Republicano.
Uma década depois, os britânicos e norte-americanos estão profundamente arrependidos. Os anglo-saxões querem voltar para a Europa e o eleitorado de Trump já não suporta seu antigo ídolo, projetando vitórias do Partido Democrata no Congresso.
As eleições israelenses serão realizadas em meio às guerras com seus vizinhos na busca de vingança contra o grupo terrorista Hamas, que há três anos surpreendeu Israel com um ataque em larga escala que matou 1.200 pessoas e fez 250 reféns. Desde então Israel tem matado – seja em guerra legítima ou terrorismo de Estado – milhares de palestinos, árabes, persas e outros a quem nomeia como terroristas indistintamente.
Qualquer que seja o resultado da eleição em Israel, a busca por vingança e anexação de territórios palestinos e outros continuará. Israel, hoje praticamente uma teocracia judaica como a teocracia xiita do arquirrival Irã, manterá o espiral de guerra em múltiplas frentes caso Bibi Netanyahu vença. A oposição tem como principal líder o general retirado Gadi Eisenkot, presidente do partido Yashar, que lidera as pesquisas com pequena margem.
Tendo perdido um filho e um sobrinho na guerra de vingança contra Gaza, Eisenkot não deve mudar a ofensiva bélica caso se torne primeiro ministro. Com ele estarão o ex-primeiro ministro Naftali Bennett (B’Yachad), Avigdor Liberman (Yisrael Beytenu) e o ex-premier Yair Lapid (Yesh Atid). O histórico Partido Trabalhista já não existe, formou junto com o Meretz o Partido Democrata, liderado por Yair Golan e os partidos árabes em uma lista conjunta, Hadash, Ta’al e Balad, e ainda o Ra’am, de Mansour Abbas. Tanto o partido Democrata quantos os árabes não são bem vindos nas duas coligações que disputam o poder.
Finalmente na Espanha, dia 27 de novembro, o primeiro-ministro Pedro Sanches (PSOE) colocou em disputa o poder em eleições antecipadas devido à crise na habitação e o problema de imigrantes, deflagrado após a invasão de Ceuta por milhares de marroquinos. A direita formada pelo PP e o Vox já faz suas campanhas justamente em cima dos dois pontos acima, visando desalojar Sanches do Palácio de Moncloa.
Marcos Gouvea é jornalista e articulista deste Portal
*Os artigos não refletem necessariamente a opinião do Portal




