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quarta-feira, 28 de outubro de 2026
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A Grande Oportunidade que Nasce na Vila Brasil

Por Cláudio Osti
A Grande Oportunidade que Nasce na Vila Brasil
Bar do Goiano

 

Por Marcos Defreitas

A terra vermelha de Londrina tem uma força antiga, um pulsar que teima em brotar na memória, mesmo quando coberta por espessas camadas de asfalto.
Na década de 1930, quando a Companhia de Terras Norte do Paraná desenhou o futuro no meio do Norte do Paraná, o engenheiro Alexandre Rasgulaeff traçou as linhas do que hoje chamamos de Vila Brasil, um sussurro de pioneirismo onde as casas de madeira e pau a pique, emolduradas por delicadas cercas de balaustrada, disputavam espaço com a imensidão verde do café.

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Quem viveu os anos 1940 e 1950 conheceu um bairro de chácaras silenciosas, onde praticamente todas as casas eram de peroba. Hoje, as últimas casas de madeira resistem bravamente no local como testemunhas silenciosas de um tempo de puro encanto. Aquela rotina rural logo deu lugar a uma vida comunitária, lembrada no tempero e na alma, como na Casa Cultural da Vila, ali na Rua Uruguai.

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Esse desenho de mundo começou generoso, cortado a régua pelo plano da Gleba Patrimônio Londrina, com lotes de quase 600 metros quadrados, feitos para abrigar gerações sob a sombra dos pomares.
Foi nesse chão acolhedor que a boemia e a convivência ganharam forma. Ali fincaram raízes o histórico Mercado Lince, o famoso Bar do Goiano e o lendário Bar Zebrão. Foi ali também que nasceu o primeiro Gelobel da família Zanoni, além do icônico Bar do Tomio, pontos de encontro de gerações que cruzaram sorrisos no Palácio do Futsal e nas danças do clube da terceira idade, na Rua Mar del Plata, palco do baile dos idosos mais famoso e afetuoso da cidade.
O tom lírico do bairro deve muito a figuras como o “Don Pablo” de Londrina, o poeta popular José Cândido de Oliveira, o querido Zé Poeta, morador do bairro e parente dos Zanoni. Já na década de 1990, a família batizou a segunda unidade do seu famoso bar como Gelobel Don Pablo, em sua homenagem. Entre a tradição das perobas e a ousadia do progresso, o bairro também abraçou o estilo arquitetônico com a chegada do modernismo na Super Quadra Tupã, harmonizando o ontem e o amanhã.
O aeroporto sempre esteve ali perto, lembrete perpétuo de que Londrina nasceu vocacionada para alçar voos altos. Projetada originalmente para ser uma cidade de apenas 20 mil habitantes no seu auge, a metrópole desconheceu os próprios limites e, em uma única e vertiginosa década, saltou para quase 80 mil almas. O céu da Vila Brasil é diariamente rasgado pelo rugido poético dos aviões que cruzam as nuvens bem acima dos telhados e ditam o ritmo desse corredor pulsante, tendo a Rua Bolívia como palco principal de sua metamorfose.
A Vila Brasil é vizinha da Via Expressa, obra que simboliza a ousadia de José Richa e Wilson Moreira ao rasgar a cidade para diminuir o tempo do trajeto. No mesmo ritmo de evolução, a Av. Bandeirantes se alargará conforme o projeto do IPPUL, emendando-se com a Rua Bolívia na Avenida Duque de Caxias para conectar diretamente o fluxo até o Aeroporto em imponentes 30 metros de largura.
É nesse encontro entre a nostalgia da terra roxa e a audácia do amanhã que o bairro vive sua maior revolução. Tenho ouvido falar muito da Vila Brasil ultimamente e, como bem observa o ex-Secretário de Cultura Bernardo Pellegrini, a região está se reinventando e se desenha agora como uma efervescente vila gastronômica. As antigas varandas e os quintais de outrora abrem alas para novos sabores. Quem olhar atento percebe a grande oportunidade do momento, pois a Vila Brasil hoje, com terrenos ainda muito baratos, tem tudo para se tornar um dos metros quadrados mais valorizados da cidade.
O bairro não perdeu sua essência. Ele se renovou com poesia, transformando cada pedaço desse chão histórico em um dos endereços mais desejados de Londrina.

Marcos Defreitas é jornalista e cronista convidado deste portal.

Gostou? Mande para quem acompanha o assunto.

Cláudio Osti
Cláudio Osti

Jornalista e editor do Paçoca com Cebola. Cobre a política de Londrina e do Paraná.

Sobre o editor
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7 comentários

  • Parabéns, boas lembranças da Vila Brasil.
    Voltei no tempo.

  • Adriano Rodrigues Arriero

    Ótimo e bem redigido texto. A Vila Brasil é um retrato de Londrina. Parabéns!

  • A Vila Brasil sempre foi abandonada pelos últimos prefeitos da cidade.
    Precisamos de mais atenção.
    Minha família está aqui desde 1949.

  • Lourenço Antônio Golfetto Ferreira

    Espetacular crônica em que o Marcos nos faz reviver história e coloca a nossa emblemática vila Brasil nos holofotes da grande Londrina.
    Um bairro que se recria e se reinventa diariamente. Goiano Bar e Grill um bar de família e de boa comida e boas conversas, onde amigos se encontram, obrigado Marcos

  • Daniela Zanoni

    Marcos, que lindo sua crônica. Passou um filme na cabeça aqui. Muitas lembranças boas, uma linda homenagem para quem escreveu e escreve até hoje a história de Londrina.
    Pensar que dos 91 anos da nossa cidade, 35 anos estamos contribuindo no crescimento de nossa cidade. Isso me enche de orgulho!

  • Gustavo Bittencourt

    Linda Crônica sobre o Bairro icônico que é a Vila Brasil, como é bom ver Jornalistas como Marcos Defreitas colocando suas opiniões e reflexões nesses textos escritos por ele.
    Eu como um grande frequentador da vila Brasil e especialmente do bar do Goiano fico feliz em ler esse lindo texto.
    Parabéns Marcos Defreitas pelos seus textos.
    Parabéns Claudio Osti pelo Site Paçoca com Cebola.

  • Prof.Daniel Ribeiro

    O texto do jornalista Marcos Defreitas é de nos remeter a bairro tranquilo, sereno meio que parado no tempo com suas moradias de madeiras em meio a casas e prédio de materiais, e asfalto de paralelepípedo hoje coberto pelo asfalto liso, mas um bairro muito pujante. Falar sobre o bairro da Vila Brasil, localizada na subárea central de Londrina é misturar um pouco de saudosismo e modernismo ao mesmo tempo. Nasceu nos idos de 1940 juntamente com a Vila Portuguesa a partir da forte expansão de vilas na cidade que teve entre as primeiras a Vila Agaria, na saída para Cambé, e oficialmente reconhecida como a primeira vila do município de Londrina. Já o bairro da Vila Brasil se expandiu em vilas e jardins como: América, Flórida, Guarujá e a própria Vila Brasil com suas ruas homenageando os países sul americanos: Brasil, Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Venezuela, Uruguai, Equador, Colômbia, Panamá, Bolívia, Peru e Nicarágua. Somem-se a isso as ruas com os nomes de conhecidos desbravadores bandeirantes como: Paes Lemes, Jorge Velho e Borba Gato. Morador e presidente há muitos anos da Vila Brasil acompanhei a transformação do bairro onde está localizado o Colégio Estadual Newton Guimarães um dos melhores do Paraná. Bem lembrado pelo jornalista Marcos Defreitas, as casas de madeira resistem lado a lado com o fascínio da arquitetura moderna. Além disso, Lembra Defreitas, no bairro da Vila Brasil desponta uma gastronomia impar que atrai moradores de outros bairros e até turistas famosos ou não de outras cidades que gostam de frequentar o “Forro dos Idosos” com suas músicas gauchescas e fandango, e ainda os barzinhos e restaurantes a saber: o Gelobel , Bar do Tomío, Mercado Lince, o Bar do Zebrão, Lanchonete do Acácio, Lanchonete do Goiano, a Espetaria da Duque, a Duque Distribuidora, da Eliana, além da famosa Superquadra Tupã com suas lanchonetes, lotérica, farmácia, padaria e outras lojas. Vale citar que na Vila Brasil estão instaladas ainda diversas agências bancárias públicas e privadas. Amo demais morar na Vila Brasil.

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