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quarta-feira, 28 de outubro de 2026
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Direita moderada e conservadores liberais rejeitaram o bolsonarismo

Por Marcos Gouvea
Lula discursa em comemoração ao seu aniversário
Lula discursa em comemoração ao seu aniversário

Por Marcos Cesar Gouvea

Passada a eleição, inúmeros eleitores e influenciadores do campo bolsonarista apontam a virada de Lula da Silva como suspeita. Disseminando teorias de conspiração, colocam em dúvida a lisura do sistema eleitoral brasileiro e a apuração do segundo turno. Alegam subliminar ou diretamente que os números potenciais de eleitores de direita que saíram do primeiro turno não poderiam ter migrado para Lula na disputa decisiva.
A explicação na verdade é simples: grande número de eleitores de direita, moderados, rejeitaram a ultradireita representada por Flavio Bolsonaro, votando pragmaticamente preocupados com os riscos para a normalidade democrática no país.

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O erro dos partidários do bolsonarismo foi achar que os eleitores que se abstiveram no primeiro turno e aqueles que votaram nos candidatos conservadores votariam automaticamente em Flávio Bolsonaro. Não foi o que aconteceu.
A maioria desses votos migrou para a candidatura de um Lula que desde seu primeiro mandato, iniciado em 2003, sempre teve uma postura moderada. Naquele ano, por exemplo, nomeou o conservador Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central, onde ficou até 2011. Os ministérios de Lula nos seus três mandatos não espelhavam o extremismo, mas a moderação.

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Apesar de rotulado “de esquerda” Lula da Silva foi um social-democrata na sua carreira política. Já a dinastia Bolsonaro surgiu como opção clara de poder exatamente se comportando como extremistas na ultradireita. Os arroubos verbais de Jair Bolsonaro e seus filhos não mediam palavras na apologia da ditadura e no desprezo pela Democracia.
Nesta eleição os índices de rejeição a Flavio Bolsonaro atingiam patamares iguais e eventualmente ligeiramente maiores à rejeição a Lula. O presidente carregava ainda o desgaste do poder e foi acusado de corrupção, chegando a cumprir pena antes de ser inocentado.
​No início da campanha de segundo turno, o levantamento do PoderData indicou uma ligeira retração na rejeição ao candidato do bolsonarismo. Flávio teve recuo de 3 pontos percentuais no índice daqueles que não votariam nele “de jeito nenhum”, passando para 43%, enquanto Lula tinha 46%.
Nas pesquisas registradas na reta final da campanha para o primeiro turno do pleito presidencial, as taxas de rejeição indicavam um cenário de forte polarização e equilíbrio entre os dois principais postulantes. No período entre turnos os dois apareciam empatados tecnicamente na rejeição.
​Antes do primeiro turno os dois candidatos se revezaram numericamente com altos índices de rejeição. Em​ levantamento da AtlasIntel, Flávio Bolsonaro atingiu o patamar de 52,9% de rejeição e Lula da Silva 49,4%, números que parecem premonitórios.
O fato é que na véspera da eleição decisiva os institutos de pesquisas não conseguiram detectar as tendências de voto. Se na semana da eleição a evolução do crescimento de Lula era consistente, as últimas pesquisas da Quaest e Datafolha no sábado, dia 24, colocavam Flávio com 51% da intenção de voto e Lula com 49%. Empate técnico na margem de erro.
É razoável supor que nas últimas horas antes da eleição do dia 25 os eleitores de direita, conservadores e liberais decidiram em massa votar no “menos pior”, Lula da Silva, sacramentando sua vitória.
Cientistas políticos e analistas eleitorais apontam para “uma combinação de pragmatismo, dinâmica de rejeição e cálculo institucional”. As razões desse movimento do eleitorado de centro-direita e direita foram movidas pelo antibolsonarismo nas urnas. Foram votos desprovidos de identificação ideológica com a candidatura, mas com o objetivo de barrar o mal maior.
O maior contingente dos votos em disputa no segundo turno era de direita liberal e moderada. Para analistas, espelhou a rejeição ao estilo de governo e ao histórico de declarações do bolsonarismo, escolhendo o mal menor e a contenção de Lula.
Na reta final da campanha, lideranças novas e antigas de liberais republicanos, inclusive diplomatas, juristas e republicanos, foram às redes sociais para rejeitar e recomendar o voto na manutenção da normalidade democrática e pela preservação institucional em detrimento da ideologia.
Mesmo empresários e executivos liberais fizeram, ao final, a opção pela previsibilidade, rejeitando a volatilidade de uma liderança mercurial e imprevisível, com tendências a riscos e incertezas. A opção pragmática acabou se definindo para a notória capacidade de negociação e pragmatismo econômico de Lula
A estratégia da candidatura de Lula contou com o apoio de líderes históricos de centro-direita e direita, alguns já parte do governo. Outros serviram nos dois governos de outro social democrata, Fernando Henrique Cardoso. Esses fiadores do voto em Lula ajudaram a consolidar o voto do eleitor conservador na reeleição do presidente.

Marcos Gouvea é jornalista e articulista convidado deste Portal.

*Os artigos assinados não necessariamente representam a opinião do Portal.

Gostou? Mande para quem acompanha o assunto.

Marcos Gouvea
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1 comentário

  • Há Lagoas

    Os artigos do Sr. Marcos Gouvêa sugerem a existência de moderação no lulopetismo, defendendo que Lula da Silva é genuinamente um democrata que, por conseguinte, age com espírito republicano em relação aos seus adversários. É evidente que o articulista possui o pleno direito de manifestar profunda admiração pelo presidente, elevando-o ao panteão dos grandes líderes mundiais. É compreensível, outrossim, que tal deslumbramento encontre eco em metade da população brasileira. Particularmente, causa-me espécie o apuro retórico e os sinônimos empregados para idealizar a figura de Lula, seja por mero afeto, seja por convicções ideológicas obsoletas. De todo modo, sob a vigência do regime democrático, cumpre celebrar a salutar liberdade de expressão que permite a livre manifestação do pensamento.

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