
O Portal Plural, de Curitiba, informa que a família Cunha Pereira anunciou na manhã desta sexta (30) a venda de sua participação nas tevês e rádios do GRPCom. As oito afiliadas da Rede Globo espalhadas pelo Paraná, rádio Mundo Livre e a 98 FM agora pertencem à família Lemanski, que já era sócia do grupo desde 1962. Os Cunha Pereira permanecem como sócios minoritários. O empresário Mariano Lemanski assume como presidente do grupo.
A venda das afiliadas da Globo é a maior negociação do mundo da comunicação do Paraná em décadas. A RPC, que reúne as tevês do grupo, tem emissoras em Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu, Cascavel, Guarapuava e Paranavaí. A rede foi construída ao longo de décadas por Francisco Cunha Pereira Filho e Edmundo Lemanski, pais dos atuais donos do grupo.
Ao anunciar a saída do grupo, Guilherme Cunha Pereira, que era presidente do grupo até aqui, disse que a família pretende atuar em outras frentes de negócios a partir de agora, embora não tenha dito quais são essas novas áreas. A família, até onde se sabe, continua como proprietária da Gazeta do Povo e da Tribuna do Paraná, que não entraram na negociação com os Lemanski.















5 comentários
Há Lagoas
O fato é que as retransmissoras de TV pelo Brasil estão à beira do colapso financeiro — inclusive, pasmem, aquelas que retransmitem a outrora intocável Vênus Platinada. A EPTV, que atua em diversas cidades de São Paulo e Minas Gerais, é um exemplo eloquente disso. A queda brutal da receita publicitária e a concorrência dos streamings são apenas a superfície do problema.
Soma-se a isso a progressiva perda de credibilidade da emissora carioca junto ao telespectador, cada vez mais cético e menos fiel. Resta saber como os novos donos da RPC pretendem administrar um negócio que dá claros sinais de esgotamento.
Fico imaginando o estado das finanças de quem retransmite os canais paulistas — Record, SBT e Band — igualmente reféns de um modelo ultrapassado. A TV aberta, como a conhecemos, não está apenas em crise: ela precisa se reinventar urgentemente, ou aceitar a irrelevância.
Ficar Alerta
Alerta vindo de um jornalista de Curitiba aponta que a lista de demissões deve ser extensa e pode ultrapassar 30% do quadro de profissionais. Se confirmado, o impacto será significativo e exige atenção de todos os envolvidos.
Incrédulo
Gazeta do Povo divulga muitas mentiras a favor do bolsonarismo golpista, a credibilidade fica só com a “bolha golpista” que não patrocina nada de valor.
A. Ramos
Corre nos bastidores que o grupo que comprou é ligado ao Ratinho Júnior.
Nirivaldo Sidellini
Fico pensando se essa decisão não foi também um movimento para antecipar possíveis complicações na relação com a Globo, diante do comportamento ultradireitista, extremista e golpista da família Cunha Pereira, amplamente escancarado na linha editorial da Gazeta do Povo.
Há precedentes recentes de donos de emissoras afiliadas à Globo (Collor em Alagoas e Paulo Lima em Presidente Prudente) que perderam essa afiliação justamente por se envolverem diretamente em disputas políticas e tentativas de influenciar processos eleitorais. Casos que mostram que a Globo passou a estabelecer limites mais claros nesse tipo de relação.
Num raciocínio mais amplo, daria até para imaginar algum questionamento à Globo a respeito do comportamento público dos donos da afiliada no Paraná. Não pelo uso direto da emissora para esse fim, mas pelo efeito indireto que a atuação deles na Gazeta do Povo poderia gerar sobre a imagem da própria Globo no estado. É uma hipótese que, em algum momento, poderia entrar no radar.
Daí surge outra pergunta: essa venda foi apenas resultado de um cansaço natural com o negócio da televisão? A TV sempre foi o grande xodó do finado Doutor Francisco, o pranteado Chico Beleza. Embora a Gazeta do Povo fosse a menina dos olhos dele, era a televisão que historicamente sustentava o jornal.
A questão agora é entender qual será o caminho da Gazeta do Povo. Ela vai, de fato, andar com as próprias pernas? O dinheiro obtido com a venda será reinvestido pelos Cunha Pereira no jornal digital, fortalecendo ainda mais a linha editorial que já conhecemos? Vai se transformar num canhão bolsonarista ainda mais explícito? Ou, simplesmente, a família opta por encerrar esse ciclo, embolsar os recursos e seguir a vida? Porque também chega uma hora em que cansa, né?