Por Marcos Defreitas
A Copa do Mundo termina no campo, mas nunca no coração de quem ama o futebol. O apito final encerra o campeonato. As lembranças permanecem vivas, como se a bola ainda estivesse rolando.
Durante a Copa do Mundo de 2026 escrevi 30 crônicas esportivas. Cada uma nasceu de uma curiosidade, de uma lembrança ou de um personagem que muitas vezes passava despercebido no meio da avalanche de notícias. Descobri que uma Copa não é feita apenas de gols. Ela vive das histórias que atravessam gerações, da memória dos grandes craques, das coincidências e da esperança que renasce a cada quatro anos. Jules Rimet compreendeu isso antes de todos quando imaginou um torneio capaz de reunir povos em torno de uma bola. Sonhava que o esporte aproximasse as nações e aliviasse, ainda que por alguns dias, as diferenças do mundo.
Esta caminhada começou por causa de um convite. Levei a ideia ao amigo Claudio Osti, experiente jornalista e criador do blog Paçoca com Cebola, há mais de duas décadas uma referência em política e esporte no norte do Paraná. Imaginei apenas sugerir um tema. Voltei para casa com a missão de escrever uma crônica a cada rodada. Aceitei sem pensar duas vezes, mesmo depois de muitos anos sem escrever com tanta frequência. Descobri que algumas paixões apenas adormecem. Nunca morrem.
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Sou apaixonado pelo Tubarão e pelo Corinthians. Da Copa de 1978 guardo poucas lembranças. A de 1982 continua viva dentro de mim. Vejo até hoje Zico, Sócrates, Falcão, Júnior, Éder Aleixo, Cerezo, Leandro, Valdir Peres e tantos outros artistas vestidos de amarelo. A seleção de Telê Santana, mesmo favorita ao título, praticava o mais puro futebol-arte e transformava a bola em poesia. Não conquistou o título, mas conquistou algo muito mais raro. A eternidade. Perdeu para a Itália de cabeça erguida porque existem derrotas que não diminuem ninguém. Existem derrotas que fazem nascer uma lenda.
Ao longo dessas semanas nunca escrevi sozinho. Em cada texto havia uma sugestão, uma lembrança ou uma palavra de incentivo. Por isso agradeço as dicas, as ideias da minha Mãe, as sugestões meu tio Flavio Gimenez, dos primos Olavo De Freitas e João Gimenez, dos ex-vereadores Major Adalberto e Celio Guergoleto, do ex-governador Beto Richa, da Elis Regina Souza Santos, do Alexandre Vieira, Jean Lucas, Ricardo Muniz, Ricardo Luzetti, Ricardo Moraes, do Hercules Nogueira, da Sanepar, do Rogério Rossi e de tantos outros amigos que ajudaram com sugestões nessa caminhada.
Também agradeço ao casal Fran e Lourenço, proprietários do Bar Goiano, onde assisti à maior parte dos jogos. Foi ali que muitos debates nasceram e muitas destas crônicas ganharam forma. Cada grito de gol, cada discussão, cada brincadeira e cada silêncio depois de uma derrota também ajudaram a escrevê-las. Talvez por isso seja tão gratificante ver crianças colecionando figurinhas, pais revivendo a própria infância e famílias e gerações reunidas diante da televisão, algo cada vez mais raro. A Copa é isso.
Agora, a Copa acabou. O mundo já olha para o próximo campeonato. Eu prefiro guardar aquilo que realmente importa. As histórias que contei, as amizades que fortaleceram esta caminhada e a certeza de que, apesar de a Copa se tornar cada vez mais mercantilista, movimentando bilhões de dólares, impulsionando as bets e fortalecendo o poder das grandes marcas esportivas, ela ainda consegue proporcionar momentos de alegria a bilhões de pessoas em todos os cantos do planeta. Enquanto existir uma criança correndo atrás de uma bola, haverá alguém disposto a acreditar que o futebol continua sendo o mais belo dos sonhos.
E, como toda boa Copa já deixa saudade e vontade da próxima, De Osti tratou de renovar meu contrato para a Centenária em 2030.
















1 comentário
Elis Regina Souza Santos
Muito obrigada, meu querido amigo.
Foi uma honra poder, de alguma forma, contribuir com suas crônicas durante a Copa do Mundo. Admiro imensamente o jornalista e o político que você é. Desejo muito sucesso e agradeço pelo carinho e pela oportunidade de fazer parte desse momento tão especial.