Da Assessoria
O Observatório de Gestão Pública de Londrina (OGPL) manifesta preocupação com o desequilíbrio financeiro de R$ 205 milhões projetado pela Prefeitura para 2026. A entidade lembra que os riscos que agora justificam cortes no orçamento já estavam identificados e foram comunicados pelo OGPL.
Em outubro de 2025, durante a discussão do orçamento deste ano, a própria administração municipal anunciou R$ 118 milhões para o transporte coletivo e reconheceu uma diferença de R$ 72 milhões ainda a equacionar. O exercício, portanto, já começou com uma insuficiência conhecida.
Outro alerta, levantado pelo Observatório, é relativo ao IPV
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A. A redução da alíquota estadual de 3,5% para 1,9% era conhecida quando o orçamento foi elaborado e, na época, o Observatório estimou, com base na arrecadação de 2024, uma perda de R$ 89,9 milhões para o município.
Ao mesmo tempo, a gestão optou por ampliar despesas. Antes mesmo da posse, o prefeito Tiago Amaral solicitou o aumento da remuneração dos secretários e do vice-prefeito. Para os secretários, o valor passou de aproximadamente R$ 14,4 mil para R$ 21,9 mil em 2025, alta de cerca de 52%, sob a justificativa de atrair profissionais qualificados.
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Segundo o economista Gustavo Ximenez, voluntário do Observatório, o reajuste não explica sozinho o desequilíbrio, mas cria uma contrapartida natural, que é a capacidade de antecipar problemas, planejar respostas e demonstrar resultados. “Se os riscos estavam identificados, por que a equipe não conseguiu equacioná-los?”, questiona.
De acordo com a Prefeitura, os R$ 205 milhões resultam de R$ 81 milhões remanescentes de 2025 e de R$ 124 milhões de frustração esperada de receitas em 2026. Uma parcela, portanto, veio do exercício anterior e a outra deveria ter sido acompanhada ao longo do ano. Em fevereiro, porém, a comunicação oficial do município destacou o equilíbrio das contas de 2025.
Transporte Coletivo
O Observatório acompanha tradicionalmente a operação do transporte coletivo em Londrina e, em ofício encaminhado à CMTU no ano passado, questionou inclusive a composição tarifária e a transparência do sistema, apontando que o subsídio municipal deveria chegar a R$ 177 milhões naquele ano, quase o dobro do valor pago em 2024. A cifra corresponde à diferença entre o custo total estimado, de R$ 305 milhões, e a arrecadação com tarifas, projetada em R$ 128 milhões.
A entidade também observou que apenas 7,7% da população utiliza o transporte coletivo e pediu planilhas de custo, relatórios dos repasses dos últimos dois anos, informações sobre a margem de lucro das concessionárias e detalhes do estudo de R$ 140 mil contratado para a revisão tarifária.
Quando a tarifa passou de R$ 5,75 para R$ 6,25, o OGPL reconheceu o reajuste como necessário ao equilíbrio econômico-financeiro do sistema e lembrou que revisões anuais evitariam saltos bruscos, o que não ocorreu no primeiro ano da atual gestão. Para a entidade, a questão central é a ausência de controle efetivo por parte da Prefeitura, que não dispõe de acompanhamento em tempo real de custos, fluxo de usuários e volume de pagamentos e depende dos dados fornecidos pelas concessionárias. Sem gestão de dados independente, afirma o Observatório, não há credibilidade sobre a tarifa técnica nem sobre os repasses públicos.
“Tratar como surpresa o que já estava no horizonte desloca a atenção das decisões que antecederam os cortes”, afirma Ximenez, destacando que, antes de pedir sacrifícios à população, a Prefeitura explique por que os alertas não receberam uma resposta à altura da importância do tema.















3 comentários
Jr Santos Rosa
Excelente análise, demonstra a falta de gestão que nossa cidade está vivendo. Decisões equivocadas, falta de conhecimento mínimo de gestão pública e total inabilidade política. Sobra prepotência e incompetência, esses quatro anos vão custar muito caro para a cidade infelizmente
Buia
Os empreendedores.
Devem ter aprendido com os coachs
https://angelorigon.com.br/2026/10/09/empreendedorismo-2/
Rubens
Essa situação tende a piorar e vem piorando faz tempo, acabaram com o Seguro Obrigatorio, não tem serviço público sem “coletar impostos”, ao assumir o irresponsável Ratinho apoiado pela ignorância política, apoiaram o fim dos pedagios, prefeituras ficaram sem Receita, não satisfeito com seu populismo aos irresponsáveis baixou o IPVA e prefeituras ficaram sem receita, Londrina deixou de distribuir os carnets de IPTU, muitos pagaram, foram a maioria? Motos elétricas sem seguro obrigatório e IPVA estão inundando as ruas que junto aos Uber estão tirando passageiros do Transporte Coletivo.
A Prefeitura tem de parar de gastar em viagens e festas, usar as vídeos conferências, obrigar o Estado a investir na PM para evitar enfiar dinheiro na GM.