
Por Álvaro Ferreira
O Londrina Esporte Clube volta para a série C em 2027 pelas escolha do seu dono, Guilherme Bellintani. É o que se pode concluir depois de um ano tão desastrado.
A tragédia começa cedo, já em Janeiro desse ano, quando ele desmonta o time que subiu para a série B. O resultado imediato foi a perda do Paranaense dentro de casa para o Operário.
Sim, para o Operário.
Para o início da a série B montou um time modesto, e o desmontou ainda no primeiro turno do torneio (nunca vi isso e desconheço a lógica dessa operação). Ao tentar retomar o caminho no segundo turno, contratou atletas sem a mínima condição de vestir a camisa do clube. Resultado prático e previsível desde agosto: vai voltar para a série C depois de passar vergonha atrás de vergonha.
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No meio desse ano o diretor de futebol Paulo Assis e o CEO do LEC, Armando Chekerdemian, trocaram o clube por outras opções de trabalho. Dois gestores operacionais importantes abandonam o projeto e o CEO da Squadra parecia estar mais preocupado em prospectar um clube para comprar em Portugal, como cogitado ainda em 2025. É de se pensar, mesmo.
Contratou na temporada dois técnicos: o Ruim, que acabou desligado e substituído pelo Pior.
E penso que Bellintani conseguiu cometer um erro ainda pior que essa sequência amadora: simplesmente sumiu da cidade. Com isso, demonstra não ter a noção de que o maior ativo de sua holding não é a propriedade do clube ou os direitos de uso da marca Londrina Esporte Clube. É a paixão do torcedor pelas cores do Londrina. Essa torcida que levou o LEC a ter média de público de quase seis mil pessoas em 2025, depois de uma década com média de público em torno de 1500 torcedores. Tratar essa paixão com o desdém que tratou, dirigir um clube de futebol do interior do Paraná pelo WhatsApp sabe-se lá de que praia de Salvador – conjecturo – é sinal de pouca inteligência. E se não corrigir esse comportamento, não se engajar verdadeiramente com a torcida, não dialogar com a imprensa e os stakeholders locais, não volta para a série B tão cedo.
A história de Bellintani no Bahia é muito parecida com a desse ano no LEC. Sucesso no campo administrativo (e por aqui isso precisa ser elogiado, pois salários e obrigações estão em dia) com resultados esportivos quase pífios. Ele já deveria ter aprendido que seu forte não é a gestão esportiva. Ou contrata um gestor de futebol de fato competente, ou vai perder mais dinheiro do que está perdendo em 2026. Sabe-se tratar de pessoa séria. Mas o melhor dos executivos é o que aprende e corrige seus erros.
A torcida do LEC é sofrida, é apaixonada, mas não é trouxa. Já passou da hora de ser levada a sério.
Hoje, com esse time, estaríamos perto mesmo é da série D.
Álvaro Ferreira é jornalista, professor de jornalismo e articulista deste Portal














