Por Luiz Bragança de Pina
Ter milhões de votos dá representatividade ao candidato e o coloca em posição de destaque no partido. Também aumenta sua responsabilidade perante os eleitores. Encerrada a apuração, começa a cobrança: o que os eleitos farão com o poder recebido? Em São Paulo, Lucas Pavanato (PL) obteve 3.038.438 votos. Em Minas Gerais, Nikolas Ferreira (PL) chegou a 3.119.318, alcançando uma votação superior num estado com eleitorado menor.
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Esses votos fortalecem o Partido Liberal e contribuem para sua participação nos recursos do Fundo Partidário, cuja distribuição considera a votação para a Câmara dos Deputados. Há, portanto, uma responsabilidade a ser considerada: usar essa força para exigir coerência também dentro da legenda.
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Mais ainda: a população precisa acompanhar as ações dos parlamentares desde o início dos mandatos, com atenção especial ao Senado. Segundo levantamento do Ranking dos Políticos, 54 dos 81 senadores que integrarão a Casa em 2027 já se manifestaram favoravelmente ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). São dois terços do Senado. Isso não significa apoio assegurado à condenação de um ministro específico, mas torna indispensável acompanhar a distância entre as declarações e os votos.
Nesse contexto, merece atenção a declaração do presidente do PL, Valdemar Costa Neto: “Não interessa pôr fogo no país”. A frase foi pronunciada após a eleição, ao tratar do impeachment de ministros do STF, uma das propostas defendidas por candidatos do próprio partido durante a campanha. Mas desde quando apurar responsabilidades e cumprir compromissos eleitorais significa pôr fogo no país? Os senadores precisam responder pelos compromissos assumidos com seus eleitores.
A mesma cobrança vale para o esclarecimento do caso Daniel Vorcaro: investigação rigorosa e responsabilização de quem tiver cometido crimes, independentemente de suas relações políticas. Resta acompanhar a postura dos parlamentares do PL e suas articulações com os demais partidos. Os compromissos assumidos serão cumpridos ou haverá acordão?
Com essa força eleitoral, os representantes do partido também precisam enfrentar uma questão interna: a permanência de Valdemar Costa Neto no comando. Em 2012, ele foi condenado pelo STF a sete anos e dez meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no mensalão. Esse passado integra sua trajetória pública e deve pesar na avaliação política de sua liderança.
Um partido disposto a cobrar probidade das instituições precisa aplicar o mesmo critério à própria direção e resgatar a referência do saudoso Álvaro Valle, fundador do PL: a defesa da dignidade da função pública. Em matéria publicada pelo Correio Braziliense em 1987, ele advertia: “Em vez de servir, querem servir-se do poder”. É uma advertência que os atuais dirigentes do partido precisam ouvir.
Nikolas, Pavanato e as demais lideranças fortalecidas pelas urnas têm responsabilidade nessa mudança. A votação expressiva lhes dá condições de cobrar e de agir. A justiça invocada diante dos erros alheios deve orientar também o exame dos próprios erros. Os milhões de votos recebidos aumentam o dever de enfrentar as contradições do próprio partido.
| Luiz Bragança de Pina é escritor, articulista, professor e mentor de roteiro cinematográfico.















2 comentários
Paçoquento
Se um paranaense for parar no Ministério de Agricultura e de nome Pedro Lupion, que deixaria o mandato de deputado federal, os Republicanos da IURD emplacariam um Pastor como suplente além do trem pagador Newton Bonin.
Seria Pastor Carlos Eduardo – https://www.pastorcarloseduardo.com/#biografia
O agro serve para pastorear também.
Prof. Paulo Minozzo
Sobre a permanência do Vardemá, fique tranquilo: dessa vez os bolsonaristas vão conseguir fazer o que não conseguiram depois de 2019, com o Bivar: vão tomar o partido e toda a grana. E se já faziam rachadinha com salário de R$ 2 mil de funcionário fantasma, você calcule o que farão com o polpudo dinheiro do fundo partidário!! E os trouxas votando “contra corrupção”, kkkkkkkkkkkkkkkk.