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Editor:
Cláudio Osti

Sistema de pagamentos do governo é invadido, e há suspeita de desvio de recursos

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da Folha de São Paulo

O sistema de administração financeira do governo federal, o Siafi, usado na execução de pagamentos, foi alvo de uma invasão no mês de abril. Há suspeita de que os autores do ataque conseguiram emitir ordens bancárias e desviar recursos da União.

A Polícia Federal investiga o caso e atua no rastreio dos suspeitos com apoio da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

O Tesouro Nacional, órgão gestor do Siafi, implementou medidas adicionais de segurança para autenticar os usuários habilitados a operar o sistema e autorizar pagamentos.

Segundo interlocutores que auxiliam nas investigações, o sistema de autenticação de usuários sofreu um ataque, e gestores habilitados para fazer movimentações financeiras tiveram seus acessos utilizados por terceiros sem autorização.

As apurações indicam que os invasores conseguiram acessar o Siafi utilizando o CPF e a senha do gov.br usada pelos gestores e ordenadores de despesas para utilizar a plataforma de pagamentos.

A suspeita é que os invasores coletaram os dados sem autorização via sistema de pesca de senhas (com uso de links maliciosos, por exemplo). Uma das hipóteses é que essa coleta se estendeu por meses até os suspeitos reunirem um volume considerável de senhas para levar a cabo o ataque.

Outros artifícios também podem ter sido empregados pelos invasores. A plataforma tem um mecanismo que permite desabilitar e recriar o acesso a partir do CPF do usuário, o que pode ter viabilizado o uso indevido do sistema.

Na prática, os invasores conseguiram alterar a senha de outros servidores, ampliando a escala da ação.

De acordo com as apurações preliminares, uma das tentativas de invasão se deu no início de abril por meio do uso não autorizado de acessos pertencentes a gestores da Câmara dos Deputados.

A fraude foi detectada porque o CPF do gestor utilizado para tentar emitir uma ordem bancária por meio do Pix (OB Pix) era o mesmo de quem fez a liquidação da despesa. Nas regras de administração financeira federal, a liquidação e o pagamento precisam ser autorizados por gestores distintos.

Além disso, apesar da possibilidade, a Câmara não adota como procedimento a execução de pagamentos via Pix.

Na ocasião, outro fator que dificultou a ação dos invasores foi o fato de que a OB Pix já estava desabilitada. Segundo os relatos, outra unidade gestora já havia sido alvo do mesmo tipo de ataque.

As suspeitas indicam que houve uso indevido do Siafi em outros órgãos do Executivo. O governo ainda apura os impactos nos ministérios.

Segundo interlocutores que auxiliam nas investigações, há suspeita de pagamentos com substituição do destinatário original da dotação orçamentária, caracterizando o desvio. Não há confirmação oficial sobre os montantes envolvidos, nem quais órgãos foram alvo da ação.

Técnicos ouvidos pela Folha observam que o Siafi é um sistema complexo, pouco intuitivo, e operá-lo requer conhecimento especializado sobre a plataforma.

Após os episódios do início do mês, o Tesouro Nacional comunicou aos gestores e ordenadores de despesa que o acesso ao Siafi passaria a ser feito apenas por meio do certificado digital.

Mesmo assim, o governo detectou novas tentativas de invasão com a utilização de certificados digitais emitidos por empresas privadas. As apurações preliminares indicam que os invasores conseguiram emitir os certificados em nome dos servidores públicos habilitados no sistema de pagamentos.

Nesta segunda-feira (22), o gestor do Siafi passou a exigir acesso com certificado digital emitido pelo Serpro, empresa pública federal do ramo de tecnologia.

O alerta sobre essa última mudança foi emitido na noite de sexta-feira (19), às 19h52 —o sistema fecha às 20h e não opera nos finais de semana. A nova regra passou a ser implementada nesta segunda.

O comunicado foi emitido pelo Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos do Governo (CTIR Gov), em colaboração com o Centro Integrado de Segurança Cibernética do Governo Digital.

O ministro Fernando Haddad (Fazenda) disse nesta segunda disse que o problema não é do Siafi em si, mas sim de autenticação de acesso.

“É isso que está sendo apurado. Como é que alguém teve acesso tendo sido autenticado. Ou seja, não foi uma ação de um hacker que quebrou segurança, não foi isso. Foi um problema de autenticação. É isso que a Polícia Federal está apurando e obviamente que está rastreando para chegar nos responsáveis”, afirmou.

O ministro da Fazenda, pasta à qual o Tesouro Nacional é ligado, afirmou ainda que não tem informação dos valores envolvidos.

“Isso estava sendo mantido em sigilo inclusive dos ministros. Estava entre o Tesouro e acho que a Polícia Federal, e eu soube no mesmo momento que vocês. Agora eu vou inclusive informar o presidente [Lula] das informações que eu tenho. Mas repito, não foi uma ação hacker contra o sistema. O sistema está preservado, foi uma questão de autenticação”, acrescentou.

O Siafi já havia sido alvo de uma tentativa de invasão em 2021. Na época, o então Ministério da Economia informou que medidas de contenção foram imediatamente aplicadas pela Polícia Federal e que não houve danos ao sistema.

A invasão na ocasião foi do tipo “ransomware”. Nessa modalidade de ação, dados da instituição atacada são coletados e pode haver bloqueio do sistema. Em seguida, os criminosos fazem cobrança de uma espécie de resgate, com pedido de pagamento que pode ser em moedas digitais.

 

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4 comentários

  • Crimes cibernéticos é a nova modalidade dos criminosos. Ninguém está a salvo. É golpe do Pix, golpe do bilhete, golpe político, golpe em contas bancárias, golpe em compras online.
    Tomara que a PF encontre logo esses meliantes, essa quadrilha. E sempre tem servidor envolvido, supõe-se.

  • Seguro e inviolável, só as urnas eletrônicas!

    • Paulo Travesso

      Exatamente. Pra isso acontecer elas não são ligadas à internet. Os dados são colhidos e só depois enviados para contagem. Como as urnas emitem uma zerésima antes do início da coleta de votos e o resultado eleitoral ao final depois de finalizada a votação, documentos públicos expostos nas seções, e foi isso que soldados do Exército colheram em várias seções eleitorais para confrontar com os resultados gravados no STE, não há a menor chance de algum hacker invadir as urnas eletrônicas.
      E sabe quem criou a urna eletrônica?
      Três engenheiro do Inpe, um engenheiro do EXÉRCITO, um engenheiro da AERONÁUTICA, um engenheiro da MARINHA e um do CPqD. Talvez isso explique por que as verdadeiras Forças Armadas não caíram na lábia golpista do miliciano Jair.

      • O Japão tem muito que aprender com o TSE brasileiro, lá preferiram colocar a tecnologia nas privadas, já os votos são todos no papel.

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