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Editor:
Cláudio Osti

Não há progresso econômico sem avanço social !

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Não há progresso econômico sem avanço social !Por Jaqueline Marçal Micali

Não existe desenvolvimento econômico sustentável sem investimento contínuo na área social.

O corte de R$ 17 milhões no orçamento de 2026 da Secretaria de Assistência Social não representa apenas uma redução de recursos para pessoas em situação de vulnerabilidade — representa, sobretudo, um retrocesso no avanço econômico de Londrina.

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Toda política pública, quando bem construída, deve se basear em dados, fatos e análises de conjuntura. Assim tem sido feito nos últimos anos: o orçamento da Assistência foi elaborado com base em estudos técnicos realizados com servidores públicos, mestres e doutores, que analisaram a realidade local, a movimentação econômica e as demandas sociais do município.

Cada programa e cada investimento foram planejados com responsabilidade, compreendendo que a proteção social é também um motor de crescimento econômico.

Benefícios como o Cartão Alimentação ou os auxílios financeiros diretos não apenas garantem direitos fundamentais especialmente a crianças e idosos como também movimentam o comércio dos bairros, fortalecem pequenos empreendedores e geram tributos que retornam para o próprio município. É um ciclo virtuoso: proteger pessoas é fortalecer a economia local.

Programas como o Movimenta Cras nasceram desse mesmo princípio, com base em evidências concretas. Tinham como objetivo reduzir a violência contra crianças, mulheres e idosos, fortalecendo vínculos familiares, prevenindo situações de risco e evitando que essas pessoas chegassem às ruas.

A criação de serviços integrados, como a república gerida pela Saúde e pela Assistência, foi resultado de um trabalho conjunto com comissões como uma formada pela ACIL, reconhecendo uma realidade que muitos preferem não ver: mais de 90% das pessoas em situação de rua em Londrina que, permanecem nessa condição, a causa está diretamente ligada ao uso de substâncias ou transtornos mentais, o que exige uma ação articulada entre políticas de Saúde e de Assistência.

O programa Nova Trilha também foi fruto desse mesmo trabalho técnico e coletivo, com a ACIL. Ele reorganizou a forma de atendimento de quem vive nas ruas, oferecendo dignidade e evitando a perpetuação de práticas que não geram transformação real, como a alimentação fornecida nas calçadas e nas ruas, por várias entidades e pessoas da sociedade civil, seu objetivo claramente foi constituído, para que através da proteção, existisse um local especifico para distribuição de comida, o que ocorria em décadas nas ruas.

E aqui surge uma pergunta inevitável: se hoje a lei determina que as pessoas em situação de rua não podem permanecer nas ruas, para onde irão, se metade das ofertas e programas comprovadamente eficazes serão extintos?

A inclusão produtiva, uma marca de Londrina construída ao longo de décadas pela economia solidária, não pode ser deixada de lado. Essa política gera renda, sustenta famílias e movimenta a economia local. Reduzir ou extinguir programas dessa natureza significa um descaso com a história e com o esforço coletivo de tantas mãos que construíram um modelo reconhecido nacionalmente. Esses são apenas exemplos de ofertas a população, que passarão a não existir com o corte proposto.

Políticas públicas não devem passar; devem avançar. Elas são a expressão da inteligência social e econômica de um município.

As Organizações da Sociedade Civil (OSCs), como muitas são conhecidas, têm papel central nessa engrenagem. Elas não apenas executam políticas públicas em parceria com o poder público: elas geram emprego, renda e desenvolvimento local. Cada trabalhador dessas instituições é parte ativa da economia.

Afinal, um município com alta taxa de desemprego, especialmente entre mão de obra qualificada, não é um município que avança. Ignorar isso é ignorar o fato de que a Assistência Social também sustenta empregos diretos e indiretos, fazendo a roda econômica girar.

Mas sem a correção inflacionária, como essas organizações continuarão realizando seus serviços? Essas instituições não são passageiras! Cargos passam, gestões passam, mas as instituições permanecem algumas com mais de 40 ou 50 anos de trabalho ininterrupto em Londrina, servindo a população, estruturadas dentro da legalidade e amparadas pelo SUAS, que reconhece que muitas ofertas da Assistência Social podem e devem ser executadas por meio dessas parcerias.

Desrespeitar essa história é desrespeitar a própria história do município e de seus cidadãos. É não fazer jus aos impostos pagos por cada contribuinte, destinados justamente a promover o bem coletivo.

A Constituição Federal é clara: cabe ao Estado garantir os direitos mínimos à população. E é justamente ao fazê-lo que ele sustenta a roda da economia e movimenta o capital. Porque não há economia próspera em uma sociedade adoecida ou desigual.

É evidente que cada usuário deve ser protagonista da própria história e é papel das políticas públicas formar, apoiar e garantir esse protagonismo, para que cada pessoa possa ser autora do seu caminho. Mas é igualmente indispensável um Estado forte, capaz de romper as desigualdades, combater as violências e proteger quem precisa ser protegido.

Toda construção, seja ela para avançar, desacelerar ou retroceder é feita em muitas mãos. E o legado é aquilo que a história conta: o legado que se constrói e o legado que se destrói.

A história sempre registra as mãos que edificaram e também as mãos que ajudaram a destruir.

E, neste momento, parece mais fácil retroceder. Parece mais simples destruir do que construir. Porque a construção é árdua, dolorida e exige muito, exige renúncia, dedicação e entrega. Para que o coletivo ganhe, muitas vezes é preciso perder individualmente. E essas perdas, embora difíceis, são as que garantem o avanço real. Retroceder pode parecer mais cômodo: menos trabalho, menos esforço, menos conflito. Mas o serviço público não foi feito para o conforto.

O serviço público existe para que os munícipes recebam, em troca do seu trabalho e de seus impostos, o suor técnico e ético de quem serve ao coletivo.

E, por fim, é preciso lembrar que a técnica, muito bem remunerada e valorizada deve ser devolvida à população em forma de políticas públicas objetivas, baseadas em dados, evidências e compromisso com o futuro da cidade.

Porque a técnica que não serve ao povo não tem propósito. E a gestão que não protege o social, destrói o econômico. Somente assim, com coragem, técnica e compromisso, Londrina poderá continuar sendo referência: uma cidade que cresce porque cuida, que avança porque inclui, e que prospera porque acredita nas pessoas.

Jacqueline Marçal Micali.

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5 comentários

  • mariana gonçalves

    Estamos vivenciando um retrocesso em todas as áreas, não é somente na Assistência. Esse governo, para ser ruim, tem que melhorar muito ainda. Vamos lembrar que não é um governo legitimado, teve menos votos do que os nulos e abstenções, nem chegou a 40% dos votos totais. Um governo ilegítimo, tratando tudo como propriedade particular sua. De forma, muito estranha o MP e a imprensa, andam calados, não se vê movimentação nenhuma, por mais que tudo esteja parecendo, que voltamos para o sertão de décadas atrás.

  • Rosemeire Dias

    O desmonte da Assistência Social, será sentido por toda a sociedade. A situação dos moradores em situação de rua, tende a piorar muito .

  • João Gonçalves

    Estamos vivendo um pesadelo, enquanto servidores públicos. Conselhos, sendo acuados, propostas passadas no coerção literalmente. A ação social, somente é mais uma de tantas outras secretarias, que estão sangrando. Será que vamos aguentar mais 03 anos ?

  • Victor Hugo

    Reflexão perfeita da Sra. Jaqueline Marçal.
    Se a pessoa não pode “morar” nas ruas, se a Prefeitura não resolve o local para acolhimento digno, corremos sério risco de ver acontecendo em nossa Cidade o mesmo ocorrido no Rio de janeiro na sexta-feira passada (17), quando 2 homens sem-teto foram mortos a tiros de fuzil nas proximidades do metrô de Irajá, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

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