Da assessoria
A ofensiva do governo Ratinho Junior para privatizar a gestão das escolas públicas do Paraná encontrou forte resistência da comunidade escolar e de setores comprometidos com a educação pública. Mesmo com propaganda, apoio de grandes empresas e articulação política, a consulta realizada pelo governo revelou o oposto do que se pretendia: das 96 escolas envolvidas, 83 rejeitaram o modelo e 11 nem sequer atingiram quórum, evidenciando uma rejeição expressiva.
A deputada federal Lenir de Assis (PT-PR) destacou que o governo tentou maquiar a privatização ao apresentá-la como parceria e ao pressionar pela consulta pública. Ela também ressaltou que o projeto é inconstitucional, autoritário, guiado pelo lucro, sem respaldo técnico e impopular. “Aceite, Ratinho: educação, assim como saúde e segurança, devem ser geridas pelo Estado, garantindo responsabilidade social e impedindo que o lucro se sobreponha à qualidade do serviço. A terceirização que você propõe é apenas uma saída fácil para quem não entende nada de administração pública.”
O modelo defendido pelo governo repete experiências já fracassadas em outros estados, mais caras e menos eficientes, sem qualquer garantia de melhoria na aprendizagem. A rejeição massiva ao projeto mostra que a população entende que educação não é mercadoria e permanece vigilante diante de tentativas de enfraquecer a escola pública.















3 comentários
Papagaio de Pirata
Lenir tem sido a única a levantar a voz pelo Paraná. Já a outra deputada da cidade, infelizmente, se comporta como figurante nos eventos do governo, sem apresentar trabalho concreto. Luísa coleciona vexames e parece não perceber o quanto sua atuação é irrelevante para Londrina.
Alguém precisa avisá-la.
Servidor Público
Copel foi vendida por R$ 3,1 bilhões e novos donos tiveram R$ 1,1 bilhões em um ano?
Explica Governador ????????
Victor Hugo
Sobre a gestão das escolas públicas do Paraná: fatos e lógica acima de ideologia.
A terceirização da gestão proposta pelo Governo do Paraná não interfere no conteúdo pedagógico ensinado aos alunos. Essa acusação não procede. A proposta visa exclusivamente as atividades-meio – porteiros, zeladores, merendeiras, cuidadores, manutenção de prédios e instalações, como pintura, troca de lâmpadas, reparos em telhados, quadras esportivas e calçadas, retirar estas obrigações administrativas da direção da escola. Essas funções podem e devem ser entregues à iniciativa privada, com uma remuneração justa, geração de lucro decente e, sobretudo, sem desvios — o que exige, de maneira imprescindível, uma estrutura de fiscalização séria, honesta e eficiente.
Não podemos ignorar que, em qualquer país que adota o sistema capitalista, inclusive o Brasil, o lucro é uma peça central do funcionamento dessa engrenagem. Empresas lucram, pagam impostos e contribuem para o orçamento que sustenta as demandas da sociedade. Parece-me uma lógica fundamental dentro do capitalismo, ou será que há algum erro em reconhecer isso?
Deputada Lenir, convido-a a refletir: o governo, em lugar algum do mundo, produz bens ou serviços no sentido empresarial. Ele é custeado, majoritariamente, pelos impostos gerados pelo setor privado. Quando a senhora critica o lucro advindo da terceirização, perde-se de vista que esse lucro, quando fiscalizado e usado para oferecer serviços de qualidade, é justamente o que garante o funcionamento eficiente de setores que hoje padecem na ineficiência estatal.
Sim, existem exemplos de terceirizações malfeitas. Mas vamos ser honestos: isso ocorre por negligência do próprio poder público, que muitas vezes falha em fiscalizar ou se torna conivente com os erros. Por outro lado, também há exemplos de desastres causados pela insistência do Estado em manter modelos ultrapassados e insustentáveis. Veja os Correios, por exemplo: uma empresa estatal que passa décadas acumulando prejuízos e sendo sustentada pelo dinheiro dos impostos, sem nunca solucionar seus graves problemas estruturais. Este “abacaxi” deveria ter sido privatizado há muito tempo, servindo como exemplo de gestão transparente e eficiente para benefício do povo.
Estamos cheios de serviços públicos saturados por má gestão, cabides de emprego, corrupção desenfreada e ineficiência. Isso, além de impor altos custos à sociedade, penaliza diretamente os cidadãos, que sofrem com serviços precários por décadas. Pior: pagamos impensáveis salários a barões do serviço público que muitas vezes nem ao trabalho comparecem.
Por fim, quero reafirmar meu respeito pela Deputada Lenir. Ela sempre teve uma atuação respeitável, e fiquei feliz com sua saída da Câmara Municipal para a Câmara Federal. Concordo com várias de suas posições, mas, nesse ponto específico, discordo com vigor. Ainda assim, estou sempre aberto ao debate e à reflexão. Se for convencido, terei a humildade de mudar de posição, como deveria ser em qualquer discussão séria e democrática.