Por Almir Escatambulo
Olho para trás e sinto aquele amargor típico de quem descobre que a teimosia envelhece mal. Éramos nós, entrincheirados em nossas certezas absolutas, duelando contra a tela da TV Tarobá. Diogo Hutt falava de lá, com aquele jeito incisivo, por vezes incômodo, que arrancava faíscas de quem o ouvia. Quantas vezes bati boca mentalmente — e publicamente — com aquele homem? Lembro-me, em especial, das discussões acaloradas sobre o nosso Bosque Central de Londrina. Ali, eu jurava ter a razão histórica, a sensibilidade ecológica, o monopólio do bom senso. Hutt batia firme, insistia, cutucava a ferida urbana com a precisão de um cirurgião que não teme o sangue. E eu, na minha empáfia, achava que ele estava errado.
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O erro, vejam só, era meu.
A idade é um bicho curioso. Ela não traz apenas rugas e dores nas costas; ela limpa o para-brisa da alma. Ela nos obriga a olhar para a realidade nua e crua, sem o filtro ideológico ou o orgulho juvenil. Hoje, caminhando pela cidade, observando os rumos da nossa Londrina, sou obrigado a dar o braço a torcer: Diogo Hutt não estava erradão. Ao contrário, ele enxergava o que a nossa miopia coletiva se recusava a ver.
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Há um mérito quase heroico no jornalismo que cumpre a sua função com verdade, sem os salamaleques do oportunismo ou a maquiagem da conveniência. Hutt não estava ali para ser amado; estava ali para ser o espelho incômodo de uma cidade que muitas vezes prefere ignorar os próprios problemas. Sua integridade intelectual e sua coragem de sustentar o debate, mesmo sob o fogo cruzado dos críticos (inclusive este que vos escreve), pavimentaram um caminho inevitável.
Sua posse na Câmara de Vereadores de Londrina não foi um acidente, muito menos um capricho do destino eleitoral. Foi o resultado matemático e moral de uma trajetória limpa. O povo percebe quando a provocação vem da canalhice ou quando vem da busca sincera pela justiça. No caso de Hutt, Londrina escolheu a verdade.
Fica aqui o meu reconhecimento tardio, mas absolutamente honesto. Entre os antigos embates e as pazes com o presente, a história colocou cada um em seu lugar. E o lugar de Diogo Hutt é o da liderança legítima, conquistada no grito da coerência. Bravo, jornalista. A cidade precisa da sua lucidez, agora mais do que nunca.
Almir Escatambulo e cientista social e colaborador do Portal
*Os artigos não refletem necessariamente a opinião do Portal














