Sexta-feira de trabalho duro para a maioria silenciosa

Por Lúcio Flávio Moura

O País não está um caos hoje como a esquerda gostaria. É uma alegoria da sua própria incompetência, que se manifesta até nas suas intenções destrutivas. As pessoas querem viver sua vida dura, com a escassez e a incerteza que as angustiam.

A grande maioria entende que não é hora de cruzar os braços. Que a verdadeira luta é para suprir suas demandas individuais, suficientemente pesadas e sem as quais a felicidade mínima evapora.

A pauta contra as reformas – inadiáveis e nas quais estão depositadas as únicas esperanças de revigorar os investimentos, a renda e o mercado de trabalho – não é sedutora para a massa porque propõe uma continuidade de tudo o que não funciona e de tudo que nos conduziu à falta de perspectiva crônica.

Quando o governo propõe mudanças, instintivamente a maioria silenciosa enxerga uma possibilidade de novos tempos, um tratamento para as doenças do Brasil. Há desconfiança, certamente, mas há também um clamor por providências urgentes.

É justamente por isso que despreza a greve e até a rechaça, como se intuíssem que ela é inócua, desnecessária, perigosa e violenta. De algum modo, sabem que é uma reação de quem não soube perder o debate político e de quem perdeu o apoio da opinião pública.

A vida segue para os brasileiros que estão desprotegidos pelo guarda-chuva do sindicalismo ultrapassado e corrupto, pelo guarda-chuva dos privilégios ignominiosos dos servidores públicos. O povo permanece distante dos delírios socialistas dos campi universitários e de todo este cabo de guerra ideológico que aborrece esta rede.

As pessoas querem viver melhor e para isso querem reinventar o Brasil. Fazer do País um lugar menos injusto, com menos privilégios na esfera pública, com um Estado menos paizão e menos ávido pelo dinheiro alheio, batalhado com tanto esforço de sol a sol.

As pessoas querem mais chances para os filhos terem emprego com carteira assinada e mais representatividade dos seus pensamentos pelos homens e mulheres que compõem os parlamentos e os governos.

A massa sabe que, sem as mudanças incluídas na agenda política anticrise, vai continuar interpretando o papel de mané, enquanto os espertos que piqueteiam por aí mantêm a situação favorável a eles.

O resto é miopia. A mesma que vai interpretar esta página irrelevante, esta mobilização mais artificial que Tang de laranja, como algo histórico para o País.

7 comentários em “Sexta-feira de trabalho duro para a maioria silenciosa

  • 28/04/2017, 17:04 em 17:04
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    O amigo aí deve fazer parte dos 4% (segundo a consultoria Ipsos) que apoiam o presidente golpista Michel 40 Milhões de Dólares Temer e sua reformas previdenciária e a trabalhista.

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  • 28/04/2017, 17:08 em 17:08
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    Epa! Reforma no singular e não no plural…

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  • 28/04/2017, 20:40 em 20:40
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    Hoje 14,2 milhões de brasileiros passaram o dia ansiosos em suprir suas demandas individuais. Inutilmente. Estão todos desempregados, um exército que não para de crescer. Uma das desculpas para tirar Dilma da presidência era exatamente a de que, logo que Dilma fosse defenestrada do cargo, a economia voltaria a crescer. Agora usam a mesma desculpa para tentar aprovar a reforma da previdência e rasgar a CLT. Continuam mentindo. Uns acreditam. Outros fingem acreditar. Está na hora de muita gente sair da área de conforto e ser solidária com os que lutam não só por um país melhor, mas por um país melhor para todos.

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  • 28/04/2017, 21:54 em 21:54
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    “O País não está um caos hoje como a esquerda gostaria.” Petulância de direitista que se acha capaz de dizer o que a esquerda espera da Greve Geral de hoje. Fosse um jornalista, ouviria, antes de dar a sua opinião, o que a liderança espera do movimento. Não sendo jornalismo, posso dizer que a petulância do articulista é reforçada pelo desprezo expresso ao afirmar que o movimento foi artificial como um Tang de laranja. Essa mesma avaliação foi feita pelo ministro da Justiça, o então paranaense citado vergonhosamente na operação Carne Fraca. Discordar de um movimento é democrático. Tentar reduzi-lo a pó por ter posição política diametralmente oposta é chamar pra briga! Não no sentido literal… obviamente. Mas vamos parar a discussão por aqui. Londrina é uma cidade meio louca. Realmente está cheia de sindicatos pelegos à moda antiga na mesma medida que temos marqueteiros escrevendo o que patrões mandam mas se apresentando como jornalistas. O diabo é que nós, contribuintes, pagamos para a UEL formar marqueteiros pensando que seriam formados verdadeiros jornalistas.

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  • 29/04/2017, 10:14 em 10:14
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    Que esquerda queria o caos na greve geral? Alguns black blocs provavelmente. Agentes provocadores da direita com certeza. Mas quem realmente queria que o movimento popular acabasse em violência de norte a sul é a turma dos que defendem a volta da ditadura militar. Também são conhecidos, inclusive em Londrina…

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  • 29/04/2017, 20:54 em 20:54
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    O rapaz pegou pesado ao comparar a autenticidade da greve geral ao suco Tang. O rapaz aí sabe se fazer entender pelos pobres. Afinal os pobres não têm muita opção de bebida a não ser o Tang. Com o governo Temer é bem provável que até o Tang ficará distante da mesa do povão. Restará o Ki-Suco mesmo. Com certeza o rapaz aí deve ter grana pra só tomar suco natural em embalagem longa vida. Sorte dele. Os trabalhadores só querem ter a mesma sorte.

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  • 30/04/2017, 18:48 em 18:48
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    E aí Moura, o cassetete do PM que quebrou a cabeça do estudante em Goiânia também era como a laranja no Tang?

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