
Por Frederico Reis*
Nos últimos dias a atenção do Brasil se voltou para a questão da escola de samba Acadêmicos de Niterói e o seu samba enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, uma clara exaltação ao Presidente Lula. (com dinheiro público).
Muitas vozes abalizadas descartaram a existência de propaganda antecipada por não existir pedido explicito de votos, ou qualquer mensagem com equivalência semântica – “palavras mágicas”.
Contudo, penso que analisando o contexto é de se entender que houve sim propaganda antecipada.
Por um primeiro aspecto, em outras ocasiões o TSE entendeu que somente o critério “pedido explicito de votos”, ou utilização das “palavras mágicas” era insuficiente para aferir a ocorrência ou não de propaganda antecipada.
Ao analisar a representação 0600229-33.2022.6.00.0000 que tratou do caso da “motociata” do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Ministro Ricardo Lewandowski, a época judicando no TSE, afirmou que “o contexto geral da motociata e do evento, previamente organizados e divulgados, indicam a clara antecipação de um ato de campanha pelo presidente”.
Na mesma linha o Ministro Alexandre de Moraes afirmou: “A questão das ‘palavras mágicas’ eu diria que temos que aposentá-las. No momento em que o TSE fixou que essas palavras servem para configurar campanha antecipada, todo candidato passou a andar com uma cola feita pelos seus advogados: fale tudo, menos isso. Ninguém mais diz vote em mim”.
Verificou-se então a existência de campanha antecipada pelo “contexto” e pelo “conjunto da obra” avançando a questão até então pacifica no TSE que previa sempre a existência de pedido explicito de votos ou a utilização das palavras mágicas.
Transpondo tal entendimento ao caso em concreto – desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói e seu samba enredo de exaltação -, penso que pelo contexto ali presente está evidenciado sim atos de propaganda eleitoral, antecipada, portanto, cabendo sim a reprimenda pela Justiça Eleitoral.
Ora, afora a questão do dinheiro público – que já é grave – , claramente houve a exaltação do PT em uma ala com fantasias de estrela vermelhas; houve exaltação das propostas sempre defendidas pelo PT nas campanhas eleitorais; houve a desqualificação do adversário político do PT (Bolsonaro) – propaganda eleitoral negativa; e a crítica a família conservadora (critica já feita pelo PT em eleições anteriores).
Em outras palavras foi uma exposição de atos políticos em prol do presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores.
Sem falar na clara quebra da paridade de armas, pois em ano eleitoral a maciça exposição do Presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores no carnaval, transmitido por uma concessionária de serviço público.
E, sabe-se até que houve interferência na exposição da escola – segundo a revista Veja foi retirada uma ala – “ala Jacarés com cloroquina” – para evitar-se a existência de crime eleitoral.
Diante desse quadro, pelo “conjunto da obra” entendo existir sim propaganda antecipada1.
1 A questão analisada é tão somente referente a propaganda antecipada. A questão do abuso de direito está sendo investigada, e fora do espectro eleitoral, claramente há a questão da ofensa a impessoalidade.
*Frederico Reis é advogado, especialista em Direito Eleitoral e colaborador deste portal















3 comentários
Genildo
Orra……precisava de um “especialista”??
Incrédulo
Parecer de Adv tem para todos os gostos, se o desfile foi campanha antecipada, o que dirá de dia sim outro também o golpista preso sempre é notícia e das mais xinfrins.
Politica atual é assim.
O choro é livre, o Jair não.
E o que o Jair fez na Expo Londrina 2022? E nos rodeios de Barretos e demais lugares? E as motociatas com uso de recursos públicos? Quando é a extrema excremento direita pode né…
Lula reeleito 2026.