Documento foi encontrado no bloco de notas do telemóvel do empresário Mauricio Novelli, identificado na investigação como um dos intermediários entre os promotores da criptomoeda.
A Justiça argentina encontrou um documento que aponta para um alegado contrato no valor de cinco milhões de dólares (cerca de 4,6 milhões de euros) para que o presidente argentino, Javier Milei, promovesse publicamente a criptomoeda $LIBRA, posteriormente acusada de fraude. De acordo com o ‘El Español’, o acordo previa pagamentos em troca de apoio público e promoção do ativo digital nas redes sociais.
Segundo a publicação espanhola, o documento foi encontrado no bloco de notas do telemóvel do empresário Mauricio Novelli, identificado na investigação como um dos intermediários entre os promotores da criptomoeda — entre eles o empresário americano Hayden Davis, responsável pela infraestrutura tecnológica do projeto — e o círculo próximo do presidente argentino, que inclui a sua irmã Karina Milei.
O contrato previa três pagamentos distintos. Um primeiro adiantamento de 1,5 milhões de dólares (cerca de 1,38 milhões de euros), outro montante idêntico ligado à promoção da criptomoeda nas redes sociais e um pagamento final de dois milhões de dólares (cerca de 1,84 milhões de euros) associado à assinatura de um acordo posterior de consultoria em blockchain e inteligência artificial para o Governo argentino ou diretamente para Javier Milei.
De acordo com o ‘El Español’, o documento terá sido redigido entre outubro e novembro de 2024, antes de Hayden Davis viajar para a Argentina. A 30 de janeiro de 2025, Milei reuniu-se com o empresário na Casa Rosada, encontro que o próprio presidente divulgou nas redes sociais através de uma fotografia acompanhada de uma mensagem onde indicava que Davis o estava a aconselhar na área das criptomoedas.
O texto foi posteriormente revisto a 11 de fevereiro de 2025, três dias antes de Milei publicar na rede social X uma mensagem de apoio ao lançamento da criptomoeda $LIBRA. Segundo o ‘El Español’, apenas essa publicação nas redes sociais teria um valor previsto de 1,5 milhões de dólares (cerca de 1,38 milhões de euros).
A promoção do projeto provocou uma subida imediata do valor do ativo digital, seguida de um colapso abrupto. Esse movimento resultou em perdas superiores a 4.000 milhões de dólares (cerca de 3.680 milhões de euros) para mais de 44.000 investidores, alimentando suspeitas de fraude.
Depois da queda do valor da criptomoeda, Milei eliminou a publicação e afirmou que se tratava de um “empreendimento privado” com o qual não tinha relação direta nem conhecimento detalhado.
A investigação ganhou novos contornos quando se verificou que Mauricio Novelli desempenhou um papel central na noite em que o escândalo rebentou, a 14 de fevereiro de 2025, encontrando-se no hotel Ritz-Carlton Las Colinas, em Dallas, num espaço alugado por Hayden Davis para o lançamento do projeto. Nesse fim de semana, o telemóvel do empresário registou cerca de 200 chamadas, incluindo comunicações com Karina Milei e com o próprio presidente argentino.
Segundo o ‘El Español’, Novelli falou com Javier Milei logo após a publicação da mensagem de promoção da criptomoeda, às 19h01, e manteve ainda 13 contactos telefónicos com o assessor presidencial Santiago Caputo, responsável por gerir a crise que se seguiu.
Entretanto, vários dirigentes políticos apresentaram as primeiras denúncias penais contra o presidente argentino por associação ilícita, fraude e incumprimento dos deveres de funcionário público, relacionadas com a divulgação da criptomoeda $LIBRA. As queixas judiciais contra Milei ultrapassam já uma centena, refere o ‘El Español’.
Uma das denúncias acusa o chefe de Estado de ter sido “participante necessário e fundamental” numa alegada mega-fraude que teria afetado mais de 40.000 pessoas, com perdas superiores a 4.000 milhões de dólares (cerca de 3.680 milhões de euros).
Um relatório financeiro da empresa americana Kobbeissi Letter indica que, após a subida inicial do valor do ativo digital, os primeiros investidores começaram a retirar os fundos, obtendo cerca de 87,4 milhões de dólares (aproximadamente 80,4 milhões de euros). Em apenas cinco horas, desapareceram mais de 4.400 milhões de dólares de capitalização de mercado (cerca de 4.048 milhões de euros).
Justiça argentina encontra contrato de 5 milhões para Milei promover criptomoeda fraudulenta















4 comentários
Sabor honestidade
É o mesmo “padrão” do Bolsonarismo… Aqui com Banco Master financiando a campanha da gangue, por lá com criptomoeda… Assim caminha a extrema direita.
Machado Silva
É esse o picareta que bolsonaristas bajulam e chegam a defender que medidas adotadas por ele na Argentina sejam aplicadas no Brasil. A verdade é uma só: ninguém sabe roubar mais – e rouba! – do que a turma da direita e da extrema direita. Até hoje há herdeiros de corruptos do anos da ditadura militar vivendo vida de marajá.
Tóin
Quem é o palestrante da central de investimentos de Londrina
APEX?
Tiago Amaral.
Nosso Milei do Igapó não se emenda.
Se acha promotor de venda de investimentos.
Um XP boy
Um BTG boy
Um REAG boy
Um farialimer da Souza Naves, na feira do rolo.
https://web.cvent.com/event/65ad78e4-bb12-4d87-980f-fe84fc8a2171/summary
Geração de egoístas essa de 40 anos
Cadê o time
Contrato privado
https://www.pagina12.com.ar/2026/03/18/tech-forum-2024-un-negocio-entre-privados-del-que-milei-fue-colaborador/
https://www.clarin.com/politica/caso-libra-documento-telefono-novelli-apuntala-acompanamiento-gobierno-milei-proyecto-criptomoneda_0_MjvnUd1Hg7.html