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Cláudio Osti

Viação Garcia compra JBL Internacional e amplia atuação para Argentina e Chile

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Viação Garcia compra JBL Internacional e amplia atuação para Argentina e ChileAquisição de empresa gaúcha coloca a tradicional companhia londrinense no mercado internacional de passageiros e incorpora linhas já consolidadas no Mercosul

A Viação Garcia, uma das empresas mais tradicionais do transporte rodoviário do Paraná e do Brasil, deu um passo importante em sua estratégia de expansão. A companhia, que tem sede em Londrina, concretizou em 8 de julho a aquisição da JBL Internacional, empresa gaúcha especializada no transporte rodoviário de passageiros em rotas nacionais e internacionais.

A conclusão do negócio foi confirmada pelo vice-presidente do Grupo Garcia-Brasil Sul, Estefano Boiko Júnior, ao jornalista Adamo Bazani, do Diário do Transporte. Segundo informações divulgadas pelo setor, as negociações vinham sendo conduzidas havia algumas semanas e passaram por ajustes formais antes da conclusão da operação.

O valor da aquisição não foi divulgado pelas empresas.

Garcia passa a operar fora do Brasil

A compra representa uma mudança importante na história da Viação Garcia. Pela primeira vez, a empresa passa a operar oficialmente linhas internacionais de passageiros.

Com a aquisição da JBL, a Garcia incorpora operações que conectam cidades brasileiras a destinos da Argentina e do Chile. Entre as principais ligações estão trechos entre Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Porto Alegre e Balneário Camboriú e Buenos Aires, além da ligação entre Rio de Janeiro e Santiago, no Chile.

As primeiras operações sob a nova estrutura começaram em 6 de julho, antes mesmo da formalização pública da aquisição, segundo informações divulgadas pela própria empresa e pela imprensa especializada.

Na prática, a operação permite que a Garcia entre em um mercado que exigiria, caso optasse por começar do zero, um processo mais complexo de obtenção de autorizações e estruturação de linhas internacionais.

JBL já tinha uma posição consolidada

A aquisição também chama atenção porque a JBL não era uma empresa sem atuação ou em processo de retração. Fundada em 2008, a companhia gaúcha já possuía experiência no transporte internacional e mantinha operações regulares de longa distância na América do Sul.

Nos últimos anos, a empresa ampliou sua presença no mercado. Em 2022, obteve autorização para ampliar a operação da ligação Rio de Janeiro–Santiago, incluindo novas seções na Região Sul.

Em 2024, com as mudanças regulatórias promovidas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a JBL adequou sua licença operacional e obteve novos termos de autorização para operar a ligação São Paulo–Uruguaiana, nos dois sentidos.

Já em 2025, a empresa foi selecionada pela ANTT para operar a ligação Jundiaí–Assunção, no Paraguai, posteriormente homologada com licença internacional válida por dez anos.

Esse histórico ajuda a explicar o interesse da Garcia: mais do que comprar uma empresa e sua frota, o negócio representa a incorporação de uma operação que já possui experiência, autorizações e presença em um segmento regulado e de difícil entrada.

Uma aquisição estratégica

Para especialistas do setor, a negociação tem um significado maior do que simplesmente aumentar o tamanho do grupo empresarial.

O advogado e analista especializado em transporte rodoviário interestadual de passageiros Ilo Löbel da Luz avaliou que a aquisição revela uma estratégia que exige estrutura financeira e capacidade de gestão. Segundo a análise publicada pelo Diário do Transporte, adquirir uma operação internacional já estabelecida significa incorporar um conjunto de autorizações e operações que seriam mais difíceis de construir partindo do zero.

A estratégia também acompanha uma tendência de expansão de grandes grupos do transporte rodoviário por meio de aquisições.

Grupo Garcia ampliou presença nos últimos anos

A Viação Garcia passou a fazer parte do grupo controlado pela família Boiko em 2014, quando a Brasil Sul adquiriu a tradicional empresa londrinense.

Desde então, o grupo ampliou sua presença no setor. Além da Garcia e da Brasil Sul, o conglomerado incorporou a Santo Anjo, empresa catarinense fundada em 1947, e mantém negócios ligados ao transporte urbano e rodoviário.

Com a aquisição da JBL, o grupo passa a reunir seis empresas: Viação Garcia, Brasil Sul, Santo Anjo, Princesa do Ivaí, Londrisul e JBL Internacional, segundo levantamento publicado pelo setor especializado.

JBL mantém atividades de fretamento

A JBL também possui atuação além das linhas regulares. A empresa trabalha com fretamento de ônibus, micro-ônibus e vans, atendendo viagens turísticas, excursões, eventos corporativos e outros grupos.

Também mantém serviços relacionados a pacotes de viagens e transporte de encomendas.

A estrutura amplia as possibilidades de integração entre as empresas do grupo, principalmente em viagens turísticas e operações de fretamento.

Marca JBL deve continuar

A aquisição não significa necessariamente o desaparecimento imediato da marca JBL. O próprio site da empresa informa que, desde julho de 2026, a JBL Internacional pertence à Viação Garcia e continua identificada como uma das empresas do grupo.

A estratégia permite, portanto, aproveitar a experiência e o reconhecimento da JBL no mercado internacional ao mesmo tempo em que a Garcia passa a utilizar sua estrutura e tradição para ampliar a presença no Mercosul.

Nova fronteira para uma empresa de 92 anos

Fundada em 1934, a Viação Garcia chega aos 92 anos de história com uma mudança significativa em seu perfil de atuação. A empresa, tradicionalmente associada às ligações rodoviárias dentro do Paraná e entre estados brasileiros, agora passa a disputar também o mercado de viagens internacionais.

Para o grupo londrinense, a aquisição da JBL representa, portanto, mais do que uma expansão geográfica. É uma tentativa de ocupar um novo nicho de mercado utilizando uma operação que já possui experiência, autorizações e rotas estabelecidas.

Com Buenos Aires e Santiago entre os principais destinos, a Garcia passa a ter uma nova vitrine fora do país justamente em um momento de crescimento da oferta de viagens rodoviárias internacionais na América do Sul.

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