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Cláudio Osti

Londrina On, viagens internacionais, aumento dos salários dos secretários… é o servidor que vai ter que pagar a conta?

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Funcionalismo lotou as galerias da Câmara em audiência pública; enquanto a Prefeitura fala em cortes de gastos, trabalhadores temem perder poder de compra e cobram respeito aos direitos da categoria

A insatisfação dos servidores municipais de Londrina ficou evidente na noite de ontem (14). As galerias da Câmara de Vereadores foram tomadas por trabalhadores durante a audiência pública para discutir o orçamento do município para 2027. O principal motivo da mobilização é a ausência de previsão, na proposta orçamentária encaminhada pelo prefeito Tiago Amaral, de recursos destinados à reposição inflacionária dos salários do funcionalismo.

A proposta prevê um orçamento de aproximadamente R$ 3,98 bilhões para o próximo ano, mas não inclui, entre as despesas programadas, a recomposição salarial dos servidores. A situação provocou questionamentos e ampliou a preocupação de uma categoria que teme ver o poder de compra dos salários corroído pela inflação.

O episódio levanta uma questão incômoda para a administração municipal: se o orçamento cresce e se aproxima dos R$ 4 bilhões, por que os trabalhadores que mantêm os serviços públicos em funcionamento precisam chegar à Câmara para cobrar a garantia de uma recomposição salarial?

O fato é que a inflação não espera a Prefeitura decidir. A reposição inflacionária não representa, por si só, aumento real de salário. Trata-se de uma recomposição destinada a compensar a perda do poder de compra provocada pela elevação dos preços. Sem ela, o mesmo salário passa a comprar menos alimentos, medicamentos, combustível e outros itens essenciais.

É justamente essa perspectiva que preocupa os servidores. A ausência de previsão orçamentária específica não significa, necessariamente, que a reposição esteja definitivamente descartada, mas cria uma insegurança que a Prefeitura precisa esclarecer.

A legislação municipal que disciplina a política orçamentária prevê a observância das normas aplicáveis às despesas com pessoal e trata da recomposição dos vencimentos. A concessão, entretanto, depende do cumprimento dos requisitos legais, da previsão de recursos e das condições fiscais do município. Por isso, a categoria cobra que a administração apresente informações claras sobre como pretende assegurar esse direito.

Durante a audiência, os servidores também manifestaram descontentamento com o corte de horas extras e preocupação com o pagamento do 13º salário. O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv), Fábio Molin, argumentou que o funcionalismo não deve ser responsabilizado por eventuais falhas de planejamento da administração.

A crítica merece atenção. Quando uma prefeitura anuncia dificuldades financeiras, é legítimo discutir prioridades, revisar despesas e buscar eficiência administrativa. Mas também é necessário explicar quais critérios orientam esses cortes e como os sacrifícios serão distribuídos.

A austeridade não pode ser apenas um discurso genérico usado para justificar restrições aos trabalhadores. É preciso demonstrar, com números e transparência, onde estão os problemas, quais medidas estão sendo adotadas e por que determinadas despesas são preservadas enquanto a remuneração do funcionalismo permanece sob incerteza.

A mobilização também expõe o descontentamento de servidores com outras decisões da gestão Tiago Amaral. Entre os questionamentos que circularam em torno da audiência estão os aumentos concedidos aos secretários municipais no início do mandato e os custos do aplicativo Londrina On. Os secretários municipais O salário dos secretários municipais de Londrina tiveram salários aumentados  em quase52%, passaram de R$ 14.414,14 para R$ 21.900,00. Isso sem contar que o salário do vice-prefeito, hoje quase um figura decorativa na administração, mais do que dobrou.

O reajuste dos salários de secretários foi defendido pelo prefeito Tiago Amaral sob o argumento de que os valores estavam defasados e de que seria necessário atrair profissionais qualificados. Na administração anterior, cujo prefeito Marcelo Belinati terminou seu mandato com 70% de aprovação, nomeou vários servidores como secretários municipais, entre eles João Perez, na Secretaria de Fazenda, João Verçosa, na Secretaria de Obras, João Esteves na Procuradoria, Gilmar Domingues, no IPPUL, Juliana Bellusci, Secretaria de RH, além de outras funções. Nesta administração, com raríssimas exceções, o quadro de carreira foi colocado de lado. Houve também questionamento sobre o custo de 300 mil mensais do aplicativo Londrina On.

A comparação ajuda a explicar a indignação dos servidores: decisões que envolvem remuneração de integrantes do alto escalão e investimentos em projetos administrativos são confrontadas com a falta de garantia de reposição inflacionária para quem trabalha diariamente nos serviços municipais.

A questão não é afirmar que toda despesa administrativa deva ser eliminada, mas exigir coerência na definição das prioridades. Se há recursos para determinadas iniciativas, a Prefeitura precisa explicar com clareza por que a recomposição salarial não aparece na proposta orçamentária e quais condições permitiriam incluí-la.

Segundo informações divulgadas após a audiência, o secretário municipal de Planejamento, Marcos Rambalducci, afirmou que a ausência da recomposição na proposta não significa que o reajuste deixará de ser concedido. Ele também declarou que a Prefeitura vem adotando medidas de contenção de gastos para viabilizar o pagamento dos servidores no próximo ano.

A manifestação é importante, mas não elimina a dúvida central. Se a intenção é assegurar a reposição, por que ela não foi contemplada desde o início no planejamento orçamentário?

Tiago Amaral tem o desafio de demonstrar que o discurso de responsabilidade fiscal não servirá para transferir aos servidores o peso das dificuldades financeiras do município. E a Câmara de Vereadores, responsável por discutir e votar o orçamento, tem o dever de examinar a proposta, cobrar esclarecimentos e avaliar as alternativas legalmente possíveis.

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1 comentário

  • Rádio Peão

    Tem que demitir urgente os secretários de planejamento e fazenda. Uma vergonha.

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