Abre em uma nova aba
quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Publicidade

A Redenção dos Velhos Embates: O Tempo e a Verdade de Diogo Hutt

Por Almir Escatambulo
A Redenção dos Velhos Embates: O Tempo e a Verdade de Diogo Hutt

Por Almir Escatambulo

Olho para trás e sinto aquele amargor típico de quem descobre que a teimosia envelhece mal. Éramos nós, entrincheirados em nossas certezas absolutas, duelando contra a tela da TV Tarobá. Diogo Hutt falava de lá, com aquele jeito incisivo, por vezes incômodo, que arrancava faíscas de quem o ouvia. Quantas vezes bati boca mentalmente — e publicamente — com aquele homem? Lembro-me, em especial, das discussões acaloradas sobre o nosso Bosque Central de Londrina. Ali, eu jurava ter a razão histórica, a sensibilidade ecológica, o monopólio do bom senso. Hutt batia firme, insistia, cutucava a ferida urbana com a precisão de um cirurgião que não teme o sangue. E eu, na minha empáfia, achava que ele estava errado.

Inscreva-se aqui no nosso canal do youtube

O erro, vejam só, era meu.

A idade é um bicho curioso. Ela não traz apenas rugas e dores nas costas; ela limpa o para-brisa da alma. Ela nos obriga a olhar para a realidade nua e crua, sem o filtro ideológico ou o orgulho juvenil. Hoje, caminhando pela cidade, observando os rumos da nossa Londrina, sou obrigado a dar o braço a torcer: Diogo Hutt não estava erradão. Ao contrário, ele enxergava o que a nossa miopia coletiva se recusava a ver.

Inscreva-se aqui e receba as notícias pelo seu whats

Há um mérito quase heroico no jornalismo que cumpre a sua função com verdade, sem os salamaleques do oportunismo ou a maquiagem da conveniência. Hutt não estava ali para ser amado; estava ali para ser o espelho incômodo de uma cidade que muitas vezes prefere ignorar os próprios problemas. Sua integridade intelectual e sua coragem de sustentar o debate, mesmo sob o fogo cruzado dos críticos (inclusive este que vos escreve), pavimentaram um caminho inevitável.

Sua posse na Câmara de Vereadores de Londrina não foi um acidente, muito menos um capricho do destino eleitoral. Foi o resultado matemático e moral de uma trajetória limpa. O povo percebe quando a provocação vem da canalhice ou quando vem da busca sincera pela justiça. No caso de Hutt, Londrina escolheu a verdade.

Fica aqui o meu reconhecimento tardio, mas absolutamente honesto. Entre os antigos embates e as pazes com o presente, a história colocou cada um em seu lugar. E o lugar de Diogo Hutt é o da liderança legítima, conquistada no grito da coerência. Bravo, jornalista. A cidade precisa da sua lucidez, agora mais do que nunca.

Almir Escatambulo e cientista social e colaborador do Portal

*Os artigos não refletem necessariamente a opinião do Portal

Gostou? Mande para quem acompanha o assunto.

Almir Escatambulo
Publicidade

Leia também

4 comentários

  • Uma pequena pergunta?

    O autor quer reconhecer que Diogo Hutt estava certo, mas não explica em quê e não traz fatos, argumentos nem resultados concretos.
    Sem isso, o texto parece mais elogio político do que uma retratação honesta.
    A pergunta essencial continua sendo quando e onde, exatamente, Hutt estava certo?

  • Somente uma batida policial poderia averiguar com profundidade o teor de tal afirmação – nobre perguntador.
    Serve até lego e second life.

  • Almir Escatambulo

    Olha em nenhum momento a minha intenção foi fazer elogio político ao Diogo hutt. Creio que foi bem claro na crônica que já tive diverso embaixo com ele. O que eu quis transmitir aqui é um gesto de civilidade. Pelo pouco que eu tô acompanhando as redes sociais dele, ele está na Câmara de Vereadores fazendo cursos e mais cursos intensivos de como trabalhar na casa. Agora se ele vai ser ou não um bom vereador aí cabe ao ar livre arbítrio dele. Faço felicitações para que ele seja um bom vereador, porém, sou igual Tomé só acredito vendo. Mas não deixa de ser uma cara nova na Câmara de Vereadores com pensamentos novos que possam oxigenar os trabalhos na casa legislativa. Só espero que ele não entra no sistema.

  • Rádio Peão

    Diogo e Jamil Janene só assumirão em fevereiro, na data da posse dos novos deputados, a menos que algum deles renuncie antes.

Deixe seu comentário