Por Marcos Defreitas
Sabe aquela vaquinha de churrasco do fim de semana com os amigos. Sempre tem um cara que dá a ideia de comprar picanha e cerveja cara. Todo mundo topa na empolgação. Na segunda-feira, cobram o Pix de R$ 43 de cada um sem nem ter comido metade da carne. Pois é, a eleição é igualzinha.
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A diferença é que, nesse churrasco do Brasil, a conta chega querendo ou não.
Pronto, acabou o primeiro turno. Passaram-se aquelas semanas inteiras de santinho voando no chão. Música grudenta na cabeça, tocando em som alto, mesmo com lei proibindo a poluição sonora. Carreata travando o trânsito. Candidato andando de bicicleta, comendo pastel da Sergipe, abraçando desconhecido na rua e sorrindo até para cachorro. Para ter uma ideia do ritmo, durante quase oito anos de mandato, o governador Ratinho Junior não veio pra cá com a frequência que apareceu agora nessa campanha. Mas, no dia seguinte, a gente acorda e descobre o tamanho do prejuízo.
E que prejuízo.
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Para fazer a festa da campanha de 2026, separaram R$ 4,96 bilhões do Fundo Eleitoral. Só que não basta colocar o pessoal na rua, precisa pagar a estrutura do evento. A Lei Orçamentária colocou mais R$ 1,884 bilhão só na conta dos pleitos eleitorais para fazer a máquina rodar.
Juntando esses dois, dá R$ 6,85 bilhões. Isso sem contar o custo anual do TSE e da Justiça Eleitoral, mantidos o ano inteiro, que aí já é outra história bem mais salgada.
Voltando aos R$ 6,85 bilhões, se você pegar a calculadora e dividir essa montanha por todos os 214,2 milhões de brasileiros, dá uns R$ 31,96 por cabeça. Mas, se pegar só quem realmente vai para a fila votar, os 158,8 milhões de eleitores, a brincadeira sai por R$ 43,12 para cada um.
Quarenta e três reais e doze centavos.
A gente passa o mês inteiro ouvindo que o eleitor é o grande protagonista da democracia.
É mesmo.
Tão protagonista que a entrada para o evento já vem descontada no bolso, sem direito a pedir reembolso ou escolher o cardápio. O valor sai direto do caixa público e pronto.
Agora que passou o turbilhão, dá até para respirar. As ruas limpam. Os jingles param de alugar a cabeça da gente. As promessas começam a caducar e os vencedores vão comemorar.
Os R$ 6,85 bilhões já eram, cumpriram o papel deles na festa, lembrando, inclusive, que, na hora da divisão desse dinheiro, os candidatos mais ricos recebem mais e os menos abastados ficam apenas com as migalhas. No fim, depois de apertar tanto botão na urna, resta apertar o botão mais importante de todos, que é o da calculadora. Afinal, na política brasileira, o voto é secreto, a conta do churrasco é pública e, no dia seguinte, a azia por ter pago picanha e ter comido só pão com alho é inteiramente nossa.
Marcos Defreitas é jornalista e articulista colaborador do Portal






5 comentários
O chefe de ex funcionário que deu título de Cidadão Honorário hão se elegeu de novo.
Na primeira entrou pela cassação de Jocelito Canto, agora Beto Richa nem fez legenda no partido que preside.
O PSDB fundado por José Richa tombou com Aécio Neves, Marconi Perilo e Beto Richa além do morto João Dória.
https://blogpoliticamente.com.br/so-sete-ex-secretarios-do-governo-ratinho-junior-se-elegeram/
Estou na mesma situação que o cronista. Também pago essa conta que a democracia exige de mim, cidadão brasileiro. Melhor sorte tem meu amigo de sinuca, nos finais da tarde. Ele vive de bicos, é um empreendedor inveterado. Nesta eleição, trabalhou para uns candidatos. Ganhou algum e pôde comer picanha e tomar cervejinha que eu pago todo mês para a Receita Federal. Então, pra mim, o preço da democracia está de bom tamanho. Principalmente porque o meu amigo nem me pediu voto para os candidatos que o contrataram.
Muito boa essa análise. Não imaginava que fosse tão caro nem que envolvesse um volume de dinheiro tão grande.
Adorei pagar essa conta da democracia.
Só para ter o prazer de ver Luiza, Alex, Cloara, Marco Brasil, Santos Rosa, Turini, Diego Garcia, Juliani e Tamura ficando de fora.
Um investimento eleitoral que valeu a pena.
Texto de um que era assessor de um deputado, queria embarcar nesta onda com uma candidatura que nao decolou . Será que se estivesse com mandato, faria esse comentário? Duvido.