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Cláudio Osti

Moro vai à Justiça contra bolsonarista Oswaldo Eustáquio por publicação sobre Dallagnol

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Moro, com cara fechada, durante evento
Ex-juiz Sérgio Moro, com cara de poucos amigos

Coligação do candidato ao governo do Paraná pede retirada do perfil do jornalista do Instagram; Eustáquio, um dos mais persistentes defensores do bolsonarismo, chama medida de “pior que censura prévia”

A coligação do candidato ao governo do Paraná Sérgio Moro (PL) acionou a Justiça Eleitoral para pedir a retirada do perfil do jornalista Oswaldo Eustáquio do Instagram. A representação tem como alvo uma publicação na qual o jornalista fez críticas ao advogado que atua nas defesas de Moro e do candidato ao Senado Deltan Dallagnol.

Eustáquio é conhecido por sua atuação política alinhada ao bolsonarismo e se apresenta publicamente como um dos defensores mais persistentes do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos últimos anos, manteve forte atuação nas redes sociais em defesa de Bolsonaro e de seus aliados, além de críticas frequentes a políticos que se afastaram do ex-presidente. Recentemente, por exemplo, chamou Moro de “traidor” de Bolsonaro e afirmou que o senador estaria tentando conquistar o eleitorado bolsonarista.

Na publicação questionada pela coligação de Moro, Eustáquio afirmou que o advogado de Dallagnol e do candidato ao governo teria “entregado a cabeça” de Moro aos adversários. Na mesma postagem, o jornalista declarou que o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Floriano de Azevedo Marques deveria indeferir o registro de Dallagnol e que os votos destinados ao candidato seriam anulados.

A coligação de Moro, formada por PL, Novo e Podemos, sustenta que a publicação ultrapassou os limites da liberdade de expressão e da exposição de questões processuais porque apresentaria como definido um resultado que ainda estava sob julgamento. Segundo a representação, o conteúdo poderia induzir eleitores a erro.

Por decisão cautelar da Justiça Eleitoral, Eustáquio retirou a publicação do ar. A coligação também solicitou que o Ministério Público Eleitoral (MPE) apurasse a possibilidade de crime eleitoral relacionado à divulgação de informações consideradas inverídicas.

O MPE se manifestou favoravelmente à retirada da postagem e à aplicação de multa ao jornalista, mas não apresentou, segundo as informações divulgadas, manifestação sobre o suposto crime eleitoral apontado pela coligação.

Eustáquio reage

Em manifestação sobre o caso, Eustáquio criticou a iniciativa da campanha de Moro e classificou a medida como “pior que censura prévia”. O jornalista também afirmou estar “há seis anos exilado” e disse considerar a ação uma tentativa de prejudicar a campanha de Flávio Bolsonaro.

A atuação de Eustáquio ocorre em meio à sua candidatura a deputado federal pelo Paraná nas eleições de 2026. Segundo os dados eleitorais disponíveis, ele disputa o cargo pelo União Brasil, com registro ainda pendente de julgamento.

Além da atuação política e nas redes sociais, Eustáquio é alvo de uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal por suposta associação criminosa relacionada aos atos antidemocráticos de 2023. A denúncia ainda depende de análise do STF para eventual abertura de ação penal.

O episódio envolvendo Moro ocorre às vésperas do primeiro turno das eleições e expõe novamente o conflito entre o candidato do PL e setores do eleitorado e da militância bolsonarista. Eustáquio tem feito críticas públicas a Moro justamente por sua ruptura com Bolsonaro e por tentar disputar votos no campo político associado ao ex-presidente.

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