
A defesa de Vorcaro entregou na terça-feira (5) à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal uma proposta formal de delação premiada. O material agora será analisado pelos investigadores, que poderão aceitar o acordo, pedir complementações ou até rejeitar a colaboração.
Segundo fontes ligadas à investigação, a proposta apresentada pela defesa é dividida em capítulos temáticos, nos quais o ex-banqueiro promete detalhar esquemas financeiros, movimentações internacionais de recursos e supostas relações com agentes públicos e integrantes do sistema financeiro.
Até o momento, no entanto, Vorcaro ainda não apresentou provas materiais nem prestou depoimentos oficiais. A entrega de documentos e relatos formais só deve ocorrer caso a PGR e a Polícia Federal considerem o conteúdo relevante o suficiente para avançar nas negociações.
A conclusão da proposta de colaboração foi revelada inicialmente pela coluna do jornalista Lauro Jardim e ocorre após cerca de um mês e meio de reuniões frequentes entre Vorcaro e seus advogados na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde ele está preso desde março. Antes disso, o empresário chegou a permanecer na penitenciária federal de segurança máxima de Brasília.
Caso o acordo avance, a delação ainda precisará ser homologada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), atual relator do caso envolvendo o Banco Master.
Investigadores esperam que Vorcaro revele detalhes sobre o suposto esquema de fraudes financeiras atribuído ao banco, além da participação de políticos e integrantes do Judiciário. A expectativa é que ele apresente informações inéditas, além do conteúdo já extraído de celulares apreendidos pela Polícia Federal e pela PGR no fim do ano passado.
Um dos pontos considerados mais sensíveis pelos investigadores é justamente o rastreamento das movimentações financeiras internacionais atribuídas ao empresário.
Caso pode ter reflexos no Paraná
Os possíveis impactos políticos e econômicos da delação também são observados com atenção no Paraná. Isso porque Vorcaro e o grupo ligado ao Banco Master ganharam espaço no estado após a privatização da Copel, uma das maiores empresas públicas paranaenses.
Nos bastidores, há receio de que eventual colaboração do ex-banqueiro possa citar relações empresariais, negociações políticas ou articulações financeiras ligadas ao processo de privatização e ao ambiente de negócios envolvendo a companhia paranaense.
Até o momento, não há qualquer acusação formal relacionada à Copel dentro da investigação da Operação Compliance Zero. Ainda assim, o fato de Vorcaro possuir conexões empresariais relevantes no Paraná faz com que o estado acompanhe os desdobramentos do caso com atenção.
Pressão por delação aumentou
Interlocutores ligados às investigações avaliam que a defesa de Vorcaro acelerou a entrega da proposta de colaboração após sinais de que o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, preso na última fase da Operação Compliance Zero, também estaria negociando um acordo de delação.
A colaboração premiada é um instrumento jurídico em que o investigado admite participação em crimes e fornece informações sobre outros envolvidos em troca de benefícios penais, como redução de pena, prisão domiciliar ou mudança de regime.
A legislação exige, porém, que a delação produza resultados concretos, como identificação de coautores, detalhamento da estrutura do grupo investigado, rastreamento de recursos e eventual recuperação de valores desviados.
Histórico da investigação
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, quando tentava embarcar em um jatinho com destino a Dubai. A Polícia Federal apontou suspeita de tentativa de fuga. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras estimado em R$ 12 bilhões.
No dia seguinte à prisão, o Banco Master sofreu liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, em meio a uma grave crise de liquidez e insolvência. O episódio desencadeou uma das maiores operações de socorro financeiro já realizadas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com impacto superior a R$ 50 bilhões.
Vorcaro chegou a ser solto ainda em novembro de 2025. Em seguida, o ministro Dias Toffoli assumiu o caso no STF após decisão que levou o processo para a Corte sob sigilo máximo. Posteriormente, Toffoli deixou a relatoria depois que a Polícia Federal encontrou menções ao ministro em aparelhos celulares apreendidos com o empresário.
O caso então passou para André Mendonça, que determinou uma nova prisão de Vorcaro em março de 2026.
Na decisão, Mendonça acolheu argumentos da Polícia Federal de que o ex-banqueiro seria líder de uma organização criminosa voltada à intimidação e monitoramento de pessoas consideradas contrárias aos interesses do Banco Master.
A defesa de Daniel Vorcaro nega todas as acusações.













