
A decisão faz o partido retirar a pré-candidatura do ex-ministro Aldo Rebelo, anunciada no início do ano. De acordo com Caldas, o baixo desempenho de Rebelo nas pesquisas pesou para a mudança de estratégia. Em levantamento recente da Quaest, o ex-presidente da Câmara não pontuou na corrida presidencial.
Apesar do anúncio, esta não é a primeira vez que o nome de Joaquim Barbosa aparece como possível candidato ao Palácio do Planalto. O ex-magistrado já foi cortejado em outras duas eleições presidenciais, mas acabou desistindo de entrar na disputa.
Em 2018, Barbosa filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro e chegou a liderar conversas internas para concorrer à Presidência. Na época, aparecia com índices competitivos nas pesquisas e era visto como uma alternativa fora da polarização política. No entanto, desistiu da candidatura poucos meses antes das convenções partidárias. Oficialmente, o PSB informou que a decisão foi “estritamente pessoal”. Nos bastidores, aliados relataram desconforto do ex-ministro com o ambiente político, resistência à negociação partidária e falta de disposição para enfrentar uma campanha eleitoral tradicional.
O nome de Joaquim Barbosa voltou a circular em 2022. Novamente sondado por partidos e movimentos políticos, ele optou por permanecer fora da disputa. Em vez de lançar candidatura própria, declarou apoio ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno contra Jair Bolsonaro.
Indicado ao STF por Lula em 2003, Joaquim Barbosa permaneceu na Corte até 2014 e presidiu o tribunal entre 2012 e 2014. Foi justamente durante esse período que ganhou projeção nacional e se transformou em uma das figuras mais populares do Judiciário brasileiro.
Barbosa ficou conhecido principalmente por sua atuação como relator do julgamento do Mensalão, considerado um dos maiores casos de corrupção política da história recente do país. O processo terminou com a condenação de 25 dos 38 réus, entre eles o ex-ministro José Dirceu, o publicitário Marcos Valério e o então deputado Valdemar Costa Neto.
Durante o julgamento, Joaquim Barbosa ganhou fama pelo estilo duro, pelos embates públicos com outros ministros e pelas críticas à impunidade no sistema político. Em uma das frases mais marcantes do processo, afirmou que setores da sociedade tratavam o crime do colarinho branco com “benevolência”. Também protagonizou discussões acaloradas com o então ministro Ricardo Lewandowski, cenas que tiveram grande repercussão na televisão e nas redes sociais.
Outra característica que ajudou a consolidar sua imagem pública foi o perfil independente. Barbosa frequentemente evitava aproximação com partidos políticos e demonstrava resistência a acordos de bastidores, postura que o transformou em símbolo de combate à corrupção para parte do eleitorado.
Agora, mais de uma década após deixar o Supremo, Joaquim Barbosa volta a ser colocado como possível protagonista da política nacional. A diferença é que, desta vez, aliados afirmam que ele estaria disposto a transformar as antigas especulações em uma candidatura efetiva ao Palácio do Planalto.














