Coisas que não estão escritas na Carta de Puebla*.
Na campanha eleitoral de 1990 Requião disputava o governo do Paraná contra o petista Henrique Pizzolato, Jussara Toledo (PST), Tasso Gouveia (PSD), José Carlos Martinez (PRN) e José Richa (PSDB). Como Richa liderava as pesquisas no primeiro turno, Requião partiu pra cima do ex-padrinho fazendo campanha gritando aos quatro ventos que Richa recebia aposentadoria como ex-governador o que ele considerava absurdo. Com o desgaste, Richa ficou pelo caminho e Requião foi para o segundo turno contra Martinez, vencendo a disputa.
Até hoje em seus discursos inflamados, Requião cita a Carta de Puebla, insinuando seu desapego aos bens materiais. Apesar do “desapego” só que não, Requião, que já é aposentado pelo Senado, ingressou na justiça para também receber também a aposentadoria de ex-governador. Já estavam nesta barca Beto Richa, Orlando Pessuti, João Elísio e Paulo Pimentel, além das viúvas de José Richa e Jaime Lerner.
*A “Carta de Puebla” refere-se ao Documento de Puebla, o texto final da III Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano ocorrida em 1979. Trata-se de uma diretriz pastoral crucial da Igreja Católica que reafirmou a opção preferencial pelos pobres, defendendo a justiça social e os direitos humanos durante o período de ditaduras militares na América Latina














