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A “Cadela do fascismo” volta a assombrar Democracia no Brasil

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por Marcos Cesar Gouvea

Oito anos depois a cadela do fascismo volta a assombrar o Brasil com a possibilidade da volta do Bolsonarismo ao poder. Em 2018, com o golpe da lava jato que tornou Lula da Silva inelegível, um deputado federal do baixo clero, Jair Bolsonaro, ligado ao crime organizado das milícias paramilitares do Rio de Janeiro, foi guindado à presidência da República inaugurando um circo de horrores por quatro anos, que culminou com a tentativa de golpe contra a Democracia após a derrota para o próprio Lula em 2022.

O fenômeno que levou Bolsonaro ao poder surgiu da crença da classe média brasileira do “Sul Maravilha” na versão falsa de que Lula “era um ladrão”. Essa narrativa foi alimentada por uma cobertura conspirativa da imprensa institucional, após sucessivos processos de “investigações de corrupção” com vagas acusações contra o petista, que chegou a ser preso, mas saiu com ficha limpa ao final.

O semiologista italiano Umberto Eco, ajuda a explicar o fascínio que candidatos a ditador podem exercer sobre a classe média (*): “Uma das características dos fascismos históricos tem sido o apelo às classes médias frustradas, desvalorizadas por alguma crise econômica ou humilhação política, assustadas pela pressão dos grupos sociais subalternos”.

Wilhelm Reich, psiquiatra austríaco-americano, também apontava no século passado o perigo do eventual casamento dos interesses de ditadores e camadas da classe média (*): “A classe média começou a movimentar-se e apareceu como força social, sob a forma de fascismo. Assim, não se trata das intenções reacionários de Hitler e de Göring, mas sim os interesses sociais das camadas da classe média”.

Neste ano de eleições brasileiras o ovo da serpente do fascismo voltou à incubadora novamente com o protagonismo da classe média que “sonha com a ditadura”. Agora com o filho de Jair Bolsonaro, Flávio. Hoje preso por tentativa de golpe, Jair Bolsonaro se notabilizou pela defesa das ditaduras com frases como essas (*):

“O grande erro da ditadura foi não matar vagabundos e canalhas como Fernando Henrique (Cardoso)”.

“O erro da ditadura foi torturar e não matar”.

“Pinochet devia ter matado mais gente”.

Como escreveu o dramaturgo alemão Bertolt Brecht, “A cadela do fascismo está sempre no cio”, frase popularizada de um trecho do epílogo da peça de teatro A Resistível Ascensão de Arturo Ui. É uma advertência de que o fascismo não morre com a queda do líder e a ideia totalitária fica à espreita, pronta para eclodir nas crises econômicas, medo coletivo, intolerância e o desejo por soluções autoritárias.

O resultado é que os golpistas de fins de 2022 e começo de 2023, que acamparam na frente dos quartéis pedindo um golpe militar e quebraram Brasília em 8 de janeiro, engrossam os votos pela pela candidatura da versão filhote de ditador ao Planalto. Deus nos livre.

Desprovida de ética, a grande imprensa, que jamais pediu desculpas pela sua irresponsável cobertura da famigerada lava jato, “cozinhou o galo” neste ano de sucessão presidencial, até levar um susto com a captura do Congresso pela ultradireita na eleição do dia 4. Desde então tenta corrigir a deficiência no seu jornalismo.

Em meio ao vento do fascismo que varre todos os continentes, o Brasil chega ao segundo turno das eleições no dia 25 com reais possibilidades de uma vitória fascista que jogará de novo a América Latina na escuridão.

Marcos Gouvea é jornalista e articulista deste Portal

×Compiladas pelo jornalista Mouzar Benedito https://blogdaboitempo.com.br/2023/06/09/cultura-inutil-fascismo-uma-cadela-que-esta-sempre-no-cio/

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