A demanda americana por profissionais com alto grau de experiência nas áreas de Ciências, Artes, Educação Negócios e Atletismo fez crescer em 23%, no período de um ano, o número de vistos O-1, também conhecido como visto para “habilidades extraordinárias”, para brasileiros que desejam desempenhar essas funções nos Estados Unidos. Atraídos por emprego garantido, oportunidades de pesquisa acadêmica e centros de treinamento de primeiro mundo, a estatística de fuga desses talentos brasileiros para mostrarem tudo aquilo que sabe ao Tio Sam só aumenta.

Quando comparado ao mesmo período em 2021, esse crescimento foi de 956,8% em relação à 2023 — de outubro a abril no ano fiscal de 2021 foram concedidos apenas 81 vistos O-1 para cidadãos brasileiros. O Visto O-1 é voltado para o indivíduo que possui habilidades extraordinárias em Ciências, Artes, Educação, Negócios ou Atletismo, ou que tenha um histórico demonstrado de conquistas importantes na indústria cinematográfica ou televisiva e tenha sido reconhecido nacional ou internacionalmente por esses feitos.
Liz Dell’Ome, advogada especialista em imigração de brasileiros para os EUA e fundadora da Dell’Ome Law Firm, ressalta que essa categoria de visto tem vantagem sobre outras opções para não-imigrantes. “Embora o Departamento de Imigração (USCIS) do país seja bastante criterioso com pedidos de Green Card por parte de quem está com visto de não-imigrante, os portadores de Vistos O, que desejam mudar de status e buscar a residência permanente no país, têm a seu favor um histórico já comprovado de seus feitos profissionais e acadêmicos, bem como conquistas importantes, anteriormente utilizadas para o processo de concessão do visto O”, afirma.
Outra constatação é de a de que mais brasileiros “extraordinários” estão levando suas famílias por períodos determinados para os Estados Unidos.
“A emissão de vistos O-3, para cônjuges ou dependentes de portadores de vistos O-1 no primeiro semestre de 2023 já ultrapassou em 15% o total de emissões de 2019”, reporta a advogada. Em sua análise, isso sinaliza um quadro de alta para emissão de outros tipos de visto no futuro. “Esses familiares possivelmente estudarão aqui nos Estados Unidos, absorverão a cultura do país e, consequentemente, poderão conquistar um Green Card no futuro”, explica.
No entanto, Liz deixa claro que é perigoso tentar visto de permanência sem ajuda especializada, tenha o solicitante morado ou não no país legalmente antes. “Recebemos diversos pedidos para assumir um processo que já tenha sido negado”, relata a advogada. “O problema é que isso pode encarecer o processo e, dependendo do erro cometido que motivou a negativa, o projeto imigratório pode estar gravemente comprometido”, finaliza.
Os números de emissão dos vistos categoria O que basearam essa pesquisa foram os mais recentes divulgados pelo Departamento de Estado dos EUA.
Da assessoria















1 comentário
Campos
Não deixa de ser um problema para o Brasil. A maioria desses talentos se formaram em universidades públicas, tiveram formação de qualidade com o dinheiro do contribuinte. Depois de formados, vão enriquecer empresas estrangeiras, no caso, americanas.