Por Thiago Prado na newsletter de O Globo/Jogo Político
A campanha eleitoral que começou essa semana vai ter o tema corrupção como critério primordial para o eleitor escolher o próximo presidente? Após as revelações recentes envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o Banco Master, e o presidente Lula (PT) e o seu filho, essa e outras perguntas estão sendo feitas pelo cientista político Beto Vasques, do Instituto Democracia em Xeque, em pesquisas qualitativas com os chamados eleitores independentes — aqueles que não se alinham automaticamente nem à esquerda nem à direita.
Quem está saindo mais afetado com o noticiário negativo de início de campanha no campo ético?
Reparamos que a corrupção já não está mais sendo um elemento a ser considerado quando a gente tenta entender a inclinação do voto do eleitor. Hoje, as pessoas consideram que os dois lados estão lambuzados.
Petistas e bolsonaristas reclamam de falsa equivalência e, de fato, há diferenças entre os enredos e o grau de envolvimento dos candidatos, certo?
Para o eleitor, a questão do Flávio bate de duas formas: a biográfica, na medida em que o histórico dele sempre o coloca como personagem. Seja na ligação com o Daniel Vorcaro, seja na loja de chocolates e na rachadinha. E a moral, já que ele era do grupo que falava contra a corrupção do PT e foi pego com a “boca na botija”. Já tudo que envolve o Lula passa outra mensagem: a de que são fatos que envolvem roubos estruturais. Então, estamos dando a largada na campanha de um jeito mais acirrado do que se imaginava. A imagem positiva do Lula parece ter um limite e a negativa do Flávio se estabilizou.
O eleitor está gostando das respostas que as duas campanhas estão dando para os escândalos até agora?
Por ora, o Lula está indo melhor na forma para o eleitor. O presidente disse que o filho tinha que vir para o Brasil para depor e que se tiver culpa, vai ter que pagar. Além disso, reafirmou a autonomia da Polícia Federal para investigar. Já o Flávio até agora não abriu as contas dos repasses do Banco Master para o filme sobre o pai. Só que a campanha é dinâmica e haverá mais revelações a conta-gotas sobre o Lulinha. A percepção popular pode mudar e o eleitor achar que o Lula na verdade quer é aliviar o filho. E também entrará a campanha de TV do Flávio, que está na sua terceira fase agora.
A primeira, antes da divulgação do áudio do Flávio com o Vorcaro, pregava o combate à corrupção do PT. Depois, ele parou de falar do tema e focou na segurança pública. Agora, com a chegada do novo marqueteiro, o Duda Lima, ele voltou a querer falar de corrupção.
O PT fará o mesmo e também vai atacar o Flávio no tema corrupção com fatos de hoje e do passado. Não pode funcionar também?
Sim, o PT esperou para bater no Flávio agora para não correr o risco do PL trocar o candidato antes da data final do registro das candidaturas. Mas aí que volto ao meu ponto de que os argumentos dos dois lados estão se anulando. Até o caso “Dark horse”, a corrupção do Flávio sempre foi vista pelo eleitor como menor que a do PT. Mais ou menos assim: enquanto o escândalo do senador era o da rachadinha, com um sufixo no diminutivo, os do PT eram o Mensalão e o Petrolão. Ou seja, tudo no aumentativo. Só que os episódios do Flávio chamados de “inho” ganharam uma conotação Master agora, né.
Os dois estão fugindo de entrevistas e debates, só querem falar em ambientes confortáveis sobre corrupção na campanha… Acha que esse quadro vai se manter até o fim do primeiro turno?
É isso… Para Lula e Flávio, a pauta da corrupção só serve para ser usada no horário eleitoral gratuito, em palanques pelo Brasil ou nos cortes de vídeos das redes deles. Não é um tema para ser usado em confrontos como sabatinas e debates com amplo contraditório. Os dois estão muito na frente nas pesquisas e vão tentar evitar situações que possam fazê-los perder a dianteira. Ninguém ganha debate a ponto de ter um impacto positivo considerável na imagem, mas sair derrotado e queimado de um encontro desses é bem possível.
Primeiro foi o documentário na Netflix, agora veio o filme sobre Elize Matsunaga, a mulher que assassinou e esquartejou o marido. E, mais uma vez, a sensação é de que, cada vez, mais Elize consolida a sua versão do crime ocorrido em maio de 2012. Ela foi condenada em dezembro de 2016 a 19 anos, 11 meses e um dia de prisão e, em 2019, teve a pena reduzida para 16 anos.
É claro que um roteiro baseado em uma história real de um casal apresenta momentos em que é impossível reproduzir de maneira perfeita exatamente o que aconteceu na vida privada dos dois. Em entrevista para a CNN em julho, o escritor Raphael Montes, responsável pelo roteiro do filme, lembra que a investigação policial que apurou o caso mostrou que Elize e seu marido tinham um quarto destinado a armas, uma cobra de estimação e objetos relacionados ao hobby da caça, como uma cabeça de cervo exposta na parede.
“Eu sabendo que eles gostam de caçar e que tem uma cabeça de veado na parede, eu crio a cena em que eles caçam. De algum modo, você vai preenchendo vazios com coisas que fazem sentido naquele universo fático de informações que você realmente tem”.
Mas há também o risco de falta de precisão. O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, que atuou como assistente de acusação da família de Marcos Matsunaga, tem questionado alguns aspectos da trama na Netflix. O principal ponto: para a família de Marcos, o crime foi premeditado; na versão que Elize tem sustentado no documentário e, corroborada pelo filme, ela apenas reagiu a agressões verbais e ameaças do marido. “O que eu penso que não pode acontecer é glamourizar, é trazer uma condição de ídolo ao criminoso”, disse D’Urso em entrevista ao site Migalhas.















7 comentários
Anubian
No fim a crux dessa eleição vai ser se o eleitor considera pior o governo do Lula ou o caso do Flávio com o Vorcaro.
Daniel Benedito
Antes de tudo, bolsonaristas e os eleitores envergonhados do candidato do PL sempre se referem ao “caso Lulinha e o caso Dark Horse”. Simetria malandra, comparação de má-fé. No máximo, a comparação deve ser feita entre Flávio Bolsonaro e Lulinha, já que a suspeição atinge os dois, porém o passivo do candidato da extrema direita é infinitamente superior ao do filho do candidato petista. Para o eleitor, o que ele tem pra comparar é um senador e candidato a presidente com o filho do candidato à reeleição, que não exerce nenhum cargo político e nem é candidato a qualquer cargo. Se votar em um dos dois, vai levar o eleitor a se lambuzar, é melhor se lambuzar com algum barro do que com uma tonelada de merda.
Silêncio dos Condenados
Vargas & Co.
Ex-líder de Lula e Dilma Rouseff, André Vargas – preso na Lava Jato – tenta voltar à Câmara dos Deputados com apoio da turma de sempre. O advogado Michel Saliba Oliveira (que foi preso há anos suspeito de negociatas contra Eletrobrás e Petrobras) doou R$ 40 mil ao petista. O ex-diretor da Funcef apadrinhado por Vargas, Carlos Borges, depositou modestos R$ 5 mil para a campanha do amigo paranaense.
https://www.osul.com.br/o-dinheiro-viajou/
Machado Silva
Vargas foi condenado a prisão perpétua ou já cumpriu sua pena? Se ele não tem mais pendências com a justiça e o TRE homologou sua candidatura, fim de papo. Ele tem o direito constitucional de se candidatar e caberá ao eleitor dar ou recusar seu voto a ele. Assim como cabe ao eleitor votar ou recusar seu voto ao juiz mafioso que comandou a Lava Jato. Aliás, a Lava Jato, comandada pelos dois notórios bolsonaristas, o ex-juiz parcial e o procurador evangélico inelegível, destruiu, direta ou indiretamente, quase cinco milhões de empregos no país. Isso é democracia.
Urgente
O Felipe Prochet e a atual SAF do LEC — Londrina Esporte Clube — estão acabando com a identidade do clube. Chegou a hora de uma grande investigação para esclarecer tudo o que está acontecendo.
Parabéns
Diretor de Negócios e Empreendedorismo: Sr. Eduardo de Miranda, portador da
carteira de identidade nº 8393071-3 SSP-PR e CPF de nº 044.829.669-16;
Diretor do Parque Tecnológico de Itaipu é doador do Arilson Chiorato, presidente do PT do PARANÁ?
20 mil reais? Igual o próprio candidato a deputado federal?
https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/SUL/PR/20322002026/160002536499/2026/PR
Gustavo Cazé Rucha
Campanha de André Vargas já tem doação de quase 60 mil reais
Inclusive do irmão Loester enrolado com ele nas denúncias da época, do atual Superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná (Almir Gnoatto), de uma ex assessora (Rosimeire) do Enio Verri então deputado e de advogados conhecidos e todos anti lavajato?
https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/SUL/PR/20322002026/160002536506/2026/PR/prestacao/receitas
R$ 57.600,00
MICHEL SALIBA OLIVEIRA
R$ 40.000,00
69.44%
646.392.239-00
CARLOS AUGUSTO BORGES
R$ 5.000,00
8.68%
124.632.643-49
Quantidade: 1
LOESTER VARGAS ILARIO
R$ 5.000,00
8.68%
365.460.629-68
Quantidade: 1
DANIEL OLIVEIRA GODOY JUNIOR
R$ 4.000,00
6.94%
263.907.360-53
Quantidade: 1
JOÃO DOS SANTOS GOMES FILHO
R$ 2.000,00
3.47%
025.948.098-37
Quantidade: 1
ELEMAR ADAMS
R$ 1.000,00
1.74%
336.519.909-82
Quantidade: 1
ALMIR ANTONIO GNOATTO
R$ 500,00
0.87%
620.115.379-91
Quantidade: 1
ROSEMEIRE VIZU ALVAREZ BRENZAN
R$ 100,00
0.17%
532.023.419-87
Quantidade: 1
Total de registro: 8
TSE – Tribunal Superior Eleitoral