Desde 2008

Editor:
Cláudio Osti

‘Após Dark Horse e Lulinha, as campanhas de PT e PL começam lambuzadas para o eleitor’

0 comentários

'Após Dark Horse e Lulinha, as campanhas de PT e PL começam lambuzadas para o eleitor'Por Thiago Prado na newsletter de O Globo/Jogo Político

A campanha eleitoral que começou essa semana vai ter o tema corrupção como critério primordial para o eleitor escolher o próximo presidente? Após as revelações recentes envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o Banco Master, e o presidente Lula (PT) e o seu filho, essa e outras perguntas estão sendo feitas pelo cientista político Beto Vasques, do Instituto Democracia em Xeque, em pesquisas qualitativas com os chamados eleitores independentes — aqueles que não se alinham automaticamente nem à esquerda nem à direita.

Quem está saindo mais afetado com o noticiário negativo de início de campanha no campo ético?

Reparamos que a corrupção já não está mais sendo um elemento a ser considerado quando a gente tenta entender a inclinação do voto do eleitor. Hoje, as pessoas consideram que os dois lados estão lambuzados.

Petistas e bolsonaristas reclamam de falsa equivalência e, de fato, há diferenças entre os enredos e o grau de envolvimento dos candidatos, certo?

Para o eleitor, a questão do Flávio bate de duas formas: a biográfica, na medida em que o histórico dele sempre o coloca como personagem. Seja na ligação com o Daniel Vorcaro, seja na loja de chocolates e na rachadinha. E a moral, já que ele era do grupo que falava contra a corrupção do PT e foi pego com a “boca na botija”. Já tudo que envolve o Lula passa outra mensagem: a de que são fatos que envolvem roubos estruturais. Então, estamos dando a largada na campanha de um jeito mais acirrado do que se imaginava. A imagem positiva do Lula parece ter um limite e a negativa do Flávio se estabilizou.

O eleitor está gostando das respostas que as duas campanhas estão dando para os escândalos até agora?

Por ora, o Lula está indo melhor na forma para o eleitor. O presidente disse que o filho tinha que vir para o Brasil para depor e que se tiver culpa, vai ter que pagar. Além disso, reafirmou a autonomia da Polícia Federal para investigar. Já o Flávio até agora não abriu as contas dos repasses do Banco Master para o filme sobre o pai. Só que a campanha é dinâmica e haverá mais revelações a conta-gotas sobre o Lulinha. A percepção popular pode mudar e o eleitor achar que o Lula na verdade quer é aliviar o filho. E também entrará a campanha de TV do Flávio, que está na sua terceira fase agora.

A primeira, antes da divulgação do áudio do Flávio com o Vorcaro, pregava o combate à corrupção do PT. Depois, ele parou de falar do tema e focou na segurança pública. Agora, com a chegada do novo marqueteiro, o Duda Lima, ele voltou a querer falar de corrupção.

O PT fará o mesmo e também vai atacar o Flávio no tema corrupção com fatos de hoje e do passado. Não pode funcionar também?

Sim, o PT esperou para bater no Flávio agora para não correr o risco do PL trocar o candidato antes da data final do registro das candidaturas. Mas aí que volto ao meu ponto de que os argumentos dos dois lados estão se anulando. Até o caso “Dark horse”, a corrupção do Flávio sempre foi vista pelo eleitor como menor que a do PT. Mais ou menos assim: enquanto o escândalo do senador era o da rachadinha, com um sufixo no diminutivo, os do PT eram o Mensalão e o Petrolão. Ou seja, tudo no aumentativo. Só que os episódios do Flávio chamados de “inho” ganharam uma conotação Master agora, né.

Os dois estão fugindo de entrevistas e debates, só querem falar em ambientes confortáveis sobre corrupção na campanha… Acha que esse quadro vai se manter até o fim do primeiro turno?

É isso… Para Lula e Flávio, a pauta da corrupção só serve para ser usada no horário eleitoral gratuito, em palanques pelo Brasil ou nos cortes de vídeos das redes deles. Não é um tema para ser usado em confrontos como sabatinas e debates com amplo contraditório. Os dois estão muito na frente nas pesquisas e vão tentar evitar situações que possam fazê-los perder a dianteira. Ninguém ganha debate a ponto de ter um impacto positivo considerável na imagem, mas sair derrotado e queimado de um encontro desses é bem possível.

Primeiro foi o documentário na Netflix, agora veio o filme sobre Elize Matsunaga, a mulher que assassinou e esquartejou o marido. E, mais uma vez, a sensação é de que, cada vez, mais Elize consolida a sua versão do crime ocorrido em maio de 2012. Ela foi condenada em dezembro de 2016 a 19 anos, 11 meses e um dia de prisão e, em 2019, teve a pena reduzida para 16 anos.

É claro que um roteiro baseado em uma história real de um casal apresenta momentos em que é impossível reproduzir de maneira perfeita exatamente o que aconteceu na vida privada dos dois. Em entrevista para a CNN em julho, o escritor Raphael Montes, responsável pelo roteiro do filme, lembra que a investigação policial que apurou o caso mostrou que Elize e seu marido tinham um quarto destinado a armas, uma cobra de estimação e objetos relacionados ao hobby da caça, como uma cabeça de cervo exposta na parede.

“Eu sabendo que eles gostam de caçar e que tem uma cabeça de veado na parede, eu crio a cena em que eles caçam. De algum modo, você vai preenchendo vazios com coisas que fazem sentido naquele universo fático de informações que você realmente tem”.

Mas há também o risco de falta de precisão. O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, que atuou como assistente de acusação da família de Marcos Matsunaga, tem questionado alguns aspectos da trama na Netflix. O principal ponto: para a família de Marcos, o crime foi premeditado; na versão que Elize tem sustentado no documentário e, corroborada pelo filme, ela apenas reagiu a agressões verbais e ameaças do marido. “O que eu penso que não pode acontecer é glamourizar, é trazer uma condição de ídolo ao criminoso”, disse D’Urso em entrevista ao site Migalhas.

Compartilhe:

Veja também

Deixe o primeiro comentário