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Editor:
Cláudio Osti

O Brasil precisa crescer, e não se tributa o crescimento

2 comentários

por Fernando Moraes

O ambiente de negócios no Brasil sempre foi desafiador, marcado por uma das maiores taxas de juros reais do mundo. Agora, com a decisão do governo federal de aumentar, por decreto, a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) — inclusive para microempresas e optantes do Simples Nacional — o cenário se agrava. A medida chega quando empresários já enfrentam uma Selic elevada (14,75%), que por si só encarece o crédito e limita investimentos.

A elevação do IOF — cuja previsão de arrecadação pelo governo é de R$ 20,5 bilhões em 2025 — representa, na prática, um desestímulo ao crescimento econômico. Para quem precisa tomar crédito para inovar, expandir ou simplesmente manter o negócio de pé, a conta ficou ainda mais difícil de fechar.

A consequência imediata será o adiamento de projetos, a revisão de estratégias e, em muitos casos, a redução da capacidade produtiva. Ao encarecer o crédito, a elevação do IOF pressiona os custos, que tendem a ser repassados ao consumidor. O resultado pode ser um aumento da inadimplência, a retração dos investimentos e um ambiente de negócios ainda mais hostil.

Empreender no Brasil exige coragem. O que não se pode admitir é que essa coragem continue sendo punida por medidas que inibem a atividade econômica.

Transparência

É verdade que ninguém aplaude aumento de tributos. Ainda assim, o setor produtivo entende que ajustes fiscais podem ser necessários desde que amparados por critérios claros, transparência na aplicação dos recursos e foco no equilíbrio das contas públicas.

O que causa estranheza é que, embora o governo tenha ouvido representantes do setor financeiro para tomar essa decisão, ignorou as vozes que estão na base da economia: pequenos e médios empresários, a indústria e o comércio, que sustentam a geração de empregos e a circulação de riquezas no país.

Vigilância

Por isso, é fundamental que os empresários e suas entidades representativas permaneçam vigilantes, propondo caminhos que conciliem responsabilidade fiscal com estímulo à produtividade, ao investimento e à geração de empregos. Afinal, o Brasil precisa crescer — e não se tributa o crescimento.

Fernando Moraes, presidente do Conselho Superior da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap)

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2 comentários

  • Não sei se notaram mas o post anterior anuncia o pagamento do dinheiro roubado dos aposentados do INSS e sabe quem vai pagar? Você otário, o governo precisa repor o dinheiro que foi roubado da sua aposentadoria mas fique tranquilo, é vc que vai pagar com mais impostos…….não basta ser otário uma única vez, não basta ser roubado uma única vez, pelo menos não para esse governo.
    Vc acha a escala 6X1 desumana? Pare e pense então: vc trabalha 5 dos 12 meses do ano só para pagar impostos mas isso vc não acha desumano.
    No final acho bom, gostei desse aumento de impostos e sabe porque?
    Índice Bovespa nas máximas, IFIX nas máximas e aí chega o governo do amor e lembra o trabalhador e o mercado que aqui é Brasil, lugar onde não existe final feliz e não adianta vir agora fazer manifesto e publicar na imprensa ou vai me dizer que não tinha mais do que dois neurônios ativos e não fazia ideia do que poderia acontecer com a esquerda no poder?

  • Governo esta perdido. Curioso é que até alguns meses atrás esse mesmo governo colocava a culpa do problema no ex presidente do BC (Campos Neto). Agora a taxa de juros esta ainda mais alta com um indicado do governo, que avaliando o aumento do IOF, só faltou falar que foi uma estupidez. Até voltaram atrás em parte do aumento do IOF, porém o recado ruim já deixou suas marcas.

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