da CNN Brasil
Segundo Duque, entre as pessoas que podem receber o Bolsa Família, a taxa de participação no mercado de trabalho teve uma queda de 11%, se comparado ao grupo que não está apto a receber o benefício.
O estudo aponta que as chances de estar ocupado e de ter um emprego formal caíram 12% e 13%, respectivamente, entre os beneficiários recém-incluídos. O impacto é concentrado em homens jovens de 14 a 30 anos, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
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“O governo tem acesso às informações de emprego formal, diferentemente das ocupações informais. Evitar um emprego formal que potencialmente torne a família inelegível ao Bolsa Família é uma preocupação geral”, afirma Duque.
O pesquisador da FGV acrescenta que, apesar das regras de desligamento gradual, “a percepção de risco sobre a renda segura do Bolsa Família pesa mais em muitos casos do que o apego à renda de um trabalho formal”.
À CNN, Duque detalhou os efeitos de longo prazo da decisão de adiar a entrada no mercado de trabalho.
“O primeiro emprego dos jovens é uma das experiências mais importantes para a trajetória de renda ao longo da vida. O adiamento reduz o aprendizado de habilidades socioemocionais, disciplina e experiência prática, impactando negativamente o capital humano. Esse custo vai além de não receber o salário naquele momento”, explicou.
Segundo ele, estudos internacionais mostram que atrasar a entrada em um emprego formal pode reduzir a produtividade e os salários futuros.
“Temos evidências de que adiar um ano o primeiro emprego formal tem impacto quase tão alto quanto perder um ano de escolaridade. No longo prazo, isso pode reduzir a renda em cerca de 10%”, afirmou.
O pesquisador também analisou as razões para a maior queda no Norte e Nordeste.
Duque afirma que a decisão de trabalhar ou não depende do quanto se pode ganhar no mercado e fora dele, e o ticket do programa aumentou bastante, especialmente “nos lugares onde os salários são mais baixos, como essas regiões, o benefício quase iguala a remuneração de mercado. São esses jovens que mais saem do trabalho formal”.
Bolsa Família para garantir renda a estudantes
Duque apontou a redução dos valores como forma de fazer com que um “jovem sem perspectiva de estudo não evite o mercado de trabalho”.
Além disso, o economista pontuou que os recursos economizados “poderiam reforçar transferências para mães com filhos pequenos ou jovens que apenas deixaram a escola por necessidade de complementar a renda”.
Ele sugere ainda integrar o Bolsa Família a políticas de educação e qualificação, garantindo renda a estudantes e ampliando programas como o Pé-de-Meia, que incentiva a conclusão do ensino médio e o acesso ao superior.
“Não vejo por que não usar o Bolsa Família para garantir alguma renda para o estudante continuar sua etapa de ensino, inclusive no técnico. A integração com políticas ativas de emprego e qualificação pode reduzir os efeitos adversos sobre o mercado de trabalho”, destacou.
Elevação após a pandemia
Criado em 2003, o Bolsa Família pagava, em média, R$ 190 em 2019 e atendia 14 milhões de famílias.
Vinte anos depois, após mudanças nos governos anteriores e a retomada do nome original, o valor médio mais que triplicou e o número de beneficiários chegou a 21 milhões, em 2023.
O orçamento anual saltou de R$ 35 bilhões, em 2017, para R$ 170 bilhões.
De acordo com Duque, essa ampliação ajuda a explicar por que a taxa de participação no mercado de trabalho — proporção da população com mais de 14 anos ocupada ou procurando emprego — não voltou ao nível pré-pandemia.
Antes da crise sanitária, a taxa de participação no mercado de trabalho era de 63,6%. Ela caiu para 57,3% no segundo trimestre de 2020 (já durante a pandemia), subiu até 62,7% em meados de 2022 e voltou a recuar com o aumento do benefício para R$ 600, chegando a 61,6% no início de 2023.
No primeiro trimestre de 2025, estava em 62,2%, ainda 1,4 ponto percentual abaixo do patamar de 2019.
Mais de 50 milhões de pessoas são atendidas atualmente pelo Bolsa Familia e, mês a mês, o Ministério do Desenvolvimento Social, informa a saída de milhares de beneficiários por conseguirem emprego e renda que não são mais compatíveis com a elegibilidade do programa.
A nova regra estabelecida pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome busca ampliar o foco em famílias em situação de maior vulnerabilidade e promover ajustes “para manter a sustentabilidade e a efetividade do programa”, segundo a pasta.
Com a alteração, famílias que ultrapassarem o limite de renda para entrada no Bolsa Família – de R$ 218 per capita – poderão seguir no programa por mais 12 meses, recebendo 50% do valor do benefício a que a família faz jus, desde que a renda familiar per capita mensal não supere o valor de R$ 706.
“A fixação do novo limite de renda está alinhada à linha de pobreza internacional, estabelecida a partir de estudos sobre a distribuição de renda em diversos países do mundo”, detalha o Ministério.
Além disso, famílias cuja renda seja considerada estável ou permanente – como as que recebem aposentadoria, pensão ou Benefício de Prestação Continuada (BPC) – poderão permanecer com o auxílio do Bolsa Família por até dois meses.
“Nesses casos, já há uma proteção social contínua assegurada pelo Estado, o que contribui para maior previsibilidade ao orçamento familiar”, destacou o ministério. Já no caso de famílias com pessoas com deficiência que recebem o BPC, o tempo máximo de permanência na nova regra de proteção será de 12 meses.















4 comentários
Há Lagoas
O que se pode dizer sobre isso? Em um país de otários, o que não faltam são os espertos! Não condeno a distribuição de renda, mas os mecanismos de fiscalização e metas para inserção no mercado de trabalho deveriam ser a regra, e não a exceção. E olha que sempre escutamos a ladainha do pleno emprego, só não trabalha quem não quer! Cá para nós, este tipo de benefício é usado para manter um público cativo para as eleições, e em se tratando do governo do imaculado Lula, a coisa fica ainda pior!
Terra Planista
A Cohab de Londrina, órgão municipal com um número exorbitante de assessores comissionados, agora resolveu mostrar eficiência… cobrando os inadimplentes!
Vi na mídia lical agora.
É impressionante como eles conseguem manter uma estrutura tão grande de funcionários comissionados, mas não conseguem construir casas há mais de 20 anos! E para completar, o atual presidente precisa urgentemente de um media training para aprender a dar entrevistas sem se enroscar todo! Quem sabe agora eles começam a priorizar a construção de habitação.
Visite o site da Cohab: transparência/servidores/comissionados
Deve ser o aspone?
Os assessores políticos indicados do PDT, PL, Sandra Moya e Conrado Sheller, PSD, PT e PR para o Luciano Godoy, ficam preocupados com a matéria de hoje da Folha de São Paulo e UOL sobre o valor cobrado para registro de imóveis e o decidido pelo ministro do STJ no CNJ sobre Provimento 172/2024 e 175/2024.
Altera o humor do Chefe!
Olha aí a paulada que o Tribuna do Norte deu:
https://tnonline.uol.com.br/noticias/parana/cartorios-de-registros-de-imoveis-do-pr-cobram-maior-valor-em-taxas-na-regiao-sul-do-pais-1016757
https://tnonline.uol.com.br/noticias/parana/valores-de-escritura-de-imovel-variam-553-no-pais-aponta-levantamento-1016757
Aliás não é de hoje que é um absurdo o que eles cobram de todo mundo.
https://noticias.uol.com.br/colunas/tiago-mali/2025/08/22/escritura-de-imovel-vai-de-r-1317-a-r-8600-em-uf-pobre-se-cobra-mais.htm
Luciano Godoy não vai durar no cargo pois ele se chateia logo dos enfadonhos subalternos. Todos sabem que ele não foca mais que uma quinzena de minutos.
Coisa de afetação intelectual.
https://www.conjur.com.br/2024-dez-07/suspensao-dos-provimentos-172-e-175-do-cnj/
Genildo
É nada!!!!! Gastaram tempo, recursos humanos e dinheiro para chegarem a essa conclusão quando bastava meia hora de pesquisa no youtube.
https://www.youtube.com/watch?v=knbQxOrH5MI
Só por esse vídeo já dava pra se nortear………….
Quando chegamos ao número de 12 estados da federação com mais benificiários do bolsa família do que com carteiras assinadas é que o sinal de alerta já foi dado a muito tempo.