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Editor:
Cláudio Osti

Julgamento: Advogados dizem que não há provas contra Bolsonaro

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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu no início da tarde desta quarta-feira (3) o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete réus do núcleo 1 da trama golpista. O julgamento será retomado na próxima terça-feira (9) pela manhã, quando serão ouvidos os votos dos ministros. Julgamento: Advogados dizem que não há provas contra BolsonaroJulgamento: Advogados dizem que não há provas contra Bolsonaro

Foram destinadas oito sessões para análise do caso, marcadas para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro.

A votação que vai condenar ou absolver os réus deve começar somente nas próximas sessões. As penas podem passar de 30 anos de prisão.  

Na manhã de hoje, os advogados de defesa de quatro réus puderam fazer suas explanações sobre o processo. 

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defesa do general Augusto Heleno, ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), procurou demonstrar que seu cliente teria se distanciado de Jair Bolsonaro, por isso nunca conversou com o ex-presidente sobre qualquer tentativa de golpe.

Os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmaram que “não há uma única prova” da participação dele na trama golpista. Para o advogado Celso Vilardi, Bolsonaro foi “dragado” para os fatos investigados pela Polícia Federal e não atentou contra o Estado Democrático de Direito.

advogado do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira disse que seu cliente tentou demover Jair Bolsonaro de tentativas de golpe de Estado. Para Andrew Fernandes, “está mais do que provado que o general Paulo Sérgio é inocente”.

Por último, falou o advogado José Luis Mendes de Oliveira Lima, que defende o general Walter Braga Netto. Segundo ele, seu cliente pode ser condenado a morrer na cadeia com base em uma “delação premiada mentirosa” do tenente-coronel Mauro Cid, antigo ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. Braga Netto foi ex-ministro da Casa Civil e vice de Jair Bolsonaro na chapa que concorreu à presidência da República de 2022.

 Primeiro dia

No primeiro dia de julgamento, nesta terça-feira (2), o relator, ministro Alexandre de Moraes, leu o relatório da ação penal, documento que contém o resumo de todas as etapas percorridas no processo. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a condenação de Bolsonaro e dos demais acusados.

Na parte da tarde, se manifestaram as defesas de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, do almirante Almir Garnier e do ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal Anderson Torres.

Quem são os réus?

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
  • Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto – ex-ministro de Bolsonaro e candidato à vice na chapa de 2022;
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Crimes

Os réus respondem no Supremo pelos crimes de:

  • Organização criminosa armada,
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito,
  • Golpe de Estado,
  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça,
  • Deterioração de patrimônio tombado.

A exceção é o caso do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Abin Alexandre Ramagem, que, atualmente, é deputado federal. Ele foi beneficiado com a suspensão de parte das acusações e responde somente a três dos cinco crimes. A possibilidade de suspensão está prevista na Constituição.

Brasília (DF) 03/09/2025 O ministro relator Alexandre de Moraes no segundo dia de sessão do STF do julgamento dos primeiros oito réus da trama golpistaFoto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O ministro relator Alexandre de Moraes no segundo dia de sessão do STF do julgamento dos primeiros oito réus da trama golpista Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Próximos passos

Na próxima quarta-feira, o primeiro a votar será Alexandre de Moraes, relator da ação penal. Em sua manifestação, o ministro vai analisar questões preliminares suscitadas pelas defesas de Bolsonaro e dos demais acusados, como pedidos de nulidade da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e um dos réus, alegações de cerceamento de defesa, pedidos para retirar o caso do STF, além das solicitações de absolvição.

Moraes poderá solicitar que a turma delibere imediatamente sobre a questões preliminares ou deixar a análise desses quesitos para votação conjunta com o mérito.

Após a abordagem das questões preliminares, Moraes se pronunciará sobre o mérito do processo, ou seja, se condena ou absolve os acusados e qual o tempo de cumprimento de pena.

Sequência de votação

Depois de Moraes, os demais integrantes da turma vão proferir seus votos na seguinte sequência:

  • Flávio Dino;
  • Luiz Fux;
  • Cármen Lúcia;
  • Cristiano Zanin;

A condenação ou absolvição ocorrerá com o voto da maioria de três dos cinco ministros da turma.

Pedido de vista

Um pedido de vista do processo não está descartado. Pelo regimento interno, qualquer integrante da Corte pode pedir mais tempo para analisar o caso e suspender o julgamento. Contudo, o processo deve ser devolvido para julgamento em 90 dias.

Prisão

A eventual prisão dos réus que forem condenados não vai ocorrer de forma automática e só poderá ser efetivada após julgamento dos recursos contra a condenação.

Em caso de condenação, os réus não devem ficar em presídios comuns. Oficiais do Exército têm direito à prisão especial, de acordo com o Código de Processo Penal (CPP). O núcleo 1 tem cinco militares do Exército, um da Marinha e dois delegados da Polícia Federal, que também podem ser beneficiados pela restrição.

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4 comentários

  • Machado Silva

    Chega a ser engraçado os advogados do Bolsonaro dizerem que ele não cometeu crime, que ele não tentou um golpe contra o estado democrático de direito. Aliás, os advogados ganham exatamente para espalhar a versão que o criminoso diz por aí. Há tolos que acreditam nessa mentira. Mas esse papo me fez lembrar do episódio, durante a ditadura, em que Augusto Boal, ao voltar do exterior, foi preso. Os inquisidores estavam furiosos porque Augusto Boal havia dado entrevistas no exterior dizendo que havia tortura no Brasil. Segundo esses inquisidores, o artista tinha difamado o Brasil espalhando essa mentira. Detalhe: Augusto Boal ouviu isso pendurado em um pau de arara. É sempre assim: a extrema-direita mente na cara dura e espera que todos acreditem nela.

  • Sabem o que é mais irônico disso tudo?
    É que dias atrás o cachaceiro corrupto descondenado disse: “‘Se é inocente, prove’.
    https://www.cartacapital.com.br/politica/se-e-inocente-prove-diz-lula-sobre-julgamento-de-bolsonaro/
    Justamente ele, que passados anos, não conseguiu provar a existência das palestras que deu para justificar o recebimento de milhões em propina da Odebrechet.
    Bolsonaro já esta condenado e todos sabem disso, até já esta defino no STF onde e como será cumprida a pena, não por ser culpado de algum crime mas sim por ser inocente e ser um dos únicos possíveis a frustrar as chances de implantação do modelo de comunismo chinês no Brasil

  • Jordão Bruno

    Também a gente vai querer que o advogado do Bolsonaro diga o quê, né? Se há crentes fanáticos no Brasil inteiro pedindo pra Deus libertar Jair Bolsonaro porque o pastor Silas Malafaia também garante que Deus lhe disse que Jair Bolsonaro é um coitadinho perseguido pela ditadura de toga e fazem tudo isso de graça, imagine o que o advogado vai falar recebendo milhões de reais. Se Bolsonaro tivesse dado ouvidos ao general Paulo Sérgio Nogueira – outro que se revelou grande defensor da nossa democracia – que insistentemente falava pra ele tirar da cabeça a ideia de dar golpe contra nossa democracia, Jair estaria agora puxando o saco do Trump e comendo frango frito no KFC, nos EUA, porra!

  • É o famoso JUS ESPERNIANDI dos desesperados advogados. Bozopateta NUNCA se dignou a provar didaticamente nenhum de seus crimes. Toda v3z que era questionado mandava o repórter tomar naquele lugar ou, simplesmente mudava o assunto automaticamente e acusava Lula das roubalheira e culpando a esquerda pelas mazelas do país. Perigou até jogar a culpa dos mais de 700.000 mortes covardes e cruéis das
    vítimas da COVIDE, no cangote do 9 dedos.

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