Do MP PR
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná deflagrou na manhã desta segunda-feira, 15 de junho, a Operação Panóptico (Convergência Nacional PR-01), com o cumprimento de 304 mandados de prisão e 255 de busca e apreensão em quatro estados: Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. A ação tem por alvo uma organização criminosa de abrangência nacional que atua a partir de presídios.
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A operação, decorrente de investigações promovidas pelos dez núcleos do Gaeco no estado, ocorreu em integração com a Secretaria de Segurança do Paraná, com ampla atuação de todas as forças policiais (Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Polícia Científica), e teve a participação de cerca de 1 mil policiais de 204 equipes. Parte das buscas (92) e dos mandados de prisão (176) foi cumprida em estabelecimentos prisionais, pois dizem respeito a investigados já encarcerados.

O objetivo da operação é responsabilizar o maior número de integrantes da facção criminosa, enfraquecendo sua atuação no estado, arrecadando provas e buscando elucidar outros crimes que estejam sendo praticados. Além disso, as prisões requeridas e decretadas têm o propósito de impedir que as atividades criminosas desses integrantes prossigam.
As investigações vêm sendo desenvolvidas desde o final do ano passado, em todas as regiões do Paraná, com medidas deferidas por órgãos do Poder Judiciário em diversas comarcas do estado.
Balanço parcial – Do total de mandados expedidos, 90% foram cumpridos, sendo 176 em estabelecimentos prisionais (100% de êxito) e 97 contra pessoas que estavam em liberdade, o que representa cerca de 75% dos 128 mandados expedidos para esse grupo. Também foram cumpridos os 255 mandados de busca e apreensão, dos quais 92 em estabelecimentos prisionais, com índice de cumprimento de 100%.
Durante as diligências, que mobilizaram cerca de 1 mil policiais e 240 viaturas em diversas regiões do estado, foram apreendidos aproximadamente 1,2 quilo de cocaína, 670 gramas de crack e 700 gramas de maconha, além de oito armas de fogo: duas pistolas calibre 9 mm, uma pistola calibre 7.65, uma pistola calibre .22, uma espingarda calibre 36, três revólveres calibre .38 e três carregadores de pistola.
As equipes também apreenderam cerca de R$ 12 mil em dinheiro, localizaram um imóvel utilizado para preparação de drogas em Curitiba, equipado com prensa e materiais para manipulação de entorpecentes, e encontraram um dispositivo destinado ao bloqueio de sinais de tornozeleiras eletrônicas.
Durante a operação, ainda foram lavrados quatro autos de prisão em flagrante por tráfico de drogas e dois por obstrução à Justiça, em razão da destruição de aparelhos celulares.
Dois confrontos foram registrados. Em Cambé, um homem com dois mandados de prisão em aberto — por tráfico de drogas e por roubo associado ao tráfico — morreu após reagir à abordagem. Na mesma ocorrência, um policial militar ficou ferido por disparo na mão e sofreu lesão ocular, mas foi atendido, medicado e está fora de risco. Em Nova Londrina, outro homem, procurado por integrar organização criminosa, também morreu após reagir à ação policial.
Os números são preliminares. As equipes permanecem em diligências, e os resultados poderão ser atualizados ao longo do dia.
Panóptico ‒ O nome da operação deriva da palavra “panóptico” (na etimologia grega, “aquilo onde tudo é visto”), que teve seu uso popularizado pelo sociólogo Michel Foucault na obra Vigiar e Punir, para conceituar o sentimento de controle constante a partir de uma estrutura arquitetônica da qual é possível observar de cima uma vasta área, trazendo a percepção de uma vigilância perpétua e onipresente.
GNCOC ‒ A operação se insere nas diretrizes do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC). O GNCOC congrega o Ministério Público brasileiro e foi criado em fevereiro de 2002, por iniciativa do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais dos Ministérios Públicos dos Estados e da União (CNPG), para combater o crime organizado que atinge todo o país. É formado pelos Gaecos de todo o Brasil e trabalha de maneira integrada com as polícias (Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e as receitas estadual e federal, entre outros órgãos.















1 comentário
Luiz Flavio
Felizmente para desespero dos criminosos, nossas instituições funcionam perfeitamente mesmo sobre intença pressão dos deputados que deveriam protegê-las. O CASO EXDRUXULO DA POLICIA FEDERAL: O Bostil Guilherme Derrite ( Secretário de Segurança do estado de São Paulo), exonerado TEMPORARIAMENTE por Tarcísio para assumir seu mandato relâmpago e desmontar a Polícia Federal, fez impensável, transformá-la ( PF ) num tipo de Guarda Municipal. Abaixo o resumo da opera bufa: Deputados federais tentaram limitar a atuação da Polícia Federal no combate ao crime organizado e a facções criminosas durante a tramitação do PL Antifacção. As restrições propostas, especialmente em um relatório do deputado Guilherme Derrite, geraram conflito com o governo federal e a própria corporação. O debate sobre a redução de prerrogativas envolveu os seguintes pontos centrais: O Projeto Original: O texto inicial previa mecanismos rigorosos e o fortalecimento do aparato federal contra o crime organizado. As Alterações (Relatório de Derrite): O deputado propôs mudanças que colocavam obstáculos para a entrada da PF em investigações, limitavam o bloqueio de bens de facções e chegavam a exigir aval de governadores para investigações. Críticas e Repercussões: A direção da Polícia Federal e o Ministério da Justiça alertaram que o projeto drenaria recursos. Críticos apontaram que o esvaziamento da corporação beneficiaria o crime organizado e protegeria políticos envolvidos em esquemas, como investigações de desvios de emendas parlamentares. O Recuo e Tramitação: Após forte pressão, o relator voltou atrás em partes do texto para permitir a atuação da PF em parceria com as forças estaduais. Após debate e aprovação no Senado, o Projeto de Lei Antifacção foi aprovado pela Câmara dos Deputados