A crise financeira dos Correios do Brasil, que vem se aprofundando nos últimos anos, atingiu um novo patamar. Sem dinheiro em caixa para cobrir despesas básicas e honrar compromissos, a estatal contratou, na semana passada, um empréstimo de R$ 12 bilhões, firmado com cinco instituições financeiras. A operação, porém, pode não ser suficiente.
O presidente da empresa, Emmanoel Rondon, afirmou nesta segunda-feira (29) que será necessário um aporte adicional de R$ 8 bilhões para estancar a crise e garantir a continuidade das operações. Ainda não está definido se o novo montante virá de um segundo empréstimo bancário ou de recursos do Tesouro Nacional.
Problemas acumulados ao longo dos anos
O atual rombo é reflexo de uma somatória de fatores que se arrastam por pelo menos uma década. Entre os principais motivos apontados por especialistas estão:
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Queda no volume de cartas e serviços tradicionais, diante do avanço das comunicações digitais;
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Crescimento da concorrência no setor de encomendas, impulsionado por plataformas privadas de logística;
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Custos elevados com pessoal, que representam historicamente a maior fatia das despesas da estatal;
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Gestões sucessivas marcadas por pouca inovação, disputas políticas e dificuldade para modernizar processos internos;
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Rede ampla e deficitária em cidades pequenas, onde a manutenção das unidades nem sempre compensa o retorno financeiro.
Plano de reestruturação prevê cortes e fechamento de agências
O plano de reestruturação apresentado inclui medidas duras. A direção prevê redução de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, o que deve incluir um Plano de Demissão Voluntária (PDV). Outra frente será o fechamento de mil agências, de um total de cerca de cinco mil espalhadas pelo país.
Segundo Rondon, a medida é necessária para adequar a estrutura da empresa à nova realidade do mercado e concentrar esforços em unidades mais produtivas.
Soluções em debate para tirar a estatal do buraco
Para especialistas, a saída da crise passa por um conjunto de ações:
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Revisão do modelo de negócios, com investimento em logística, tecnologia e serviços digitais;
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Parcerias com empresas privadas, ampliando receitas e reduzindo custos operacionais;
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Melhor gestão de ativos, incluindo venda ou aluguel de imóveis ociosos;
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Fortalecimento do segmento de encomendas, hoje o principal motor de faturamento;
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Governança mais transparente, com metas de desempenho e redução da influência política no comando da estatal.
Enquanto o governo discute quais caminhos seguir, o desafio imediato é garantir os recursos necessários para impedir que a crise financeira paralise serviços considerados essenciais para milhões de brasileiros.















3 comentários
Jordão Bruno
Igualzinho o calo do Trump. O correio estadunidense, também empresa pública, neste ano fiscal, teve um déficit de nove bilhões de dólares. Aqui, como lá, tornar o serviço postal superavitário é quase uma tarefa impossível. Lá, como aqui, privatizar a empresa de correios não está no horizonte da maioria da população. Principalmente os moradores distantes dos grandes centros que praticamente ficarão sem o serviço postal porque nenhuma empresa privada vai querer fazê-lo com prejuízo,
José
Correios é a CTD de Londrina.
Há Lagoas
Em linhas gerais, entre as taxinhas das blusinhas, os cabides de emprego distribuídos à companheirada e a gestão temerária do PT, os Correios foram conduzidos com esmero ao fundo do poço. Em outras palavras, aquilo que Dilma Rousseff apenas ensaiou, o sempre imaculado Lula, com sua reconhecida competência administrativa, conseguiu executar com maestria. Ainda assim, para facilitar a narrativa, nada como culpar a escassez de cartas — afinal, são elas as verdadeiras vilãs responsáveis pela derrocada da nossa estatal.