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Cláudio Osti

Na Copa o planeta inteiro vira Maracanã

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Por Marcos Defreitas​

O universo é redondo como uma bola e gira impulsionado pela paixão vibrante e alegre do futebol. Quando os canarinhos entram no gramado verdejante o planeta inteiro decide esquecer os problemas do dia a dia para vestir o manto amarelo da esperança e celebrar uma verdadeira festa. É uma energia contagiante que explode pelo mundo ignorando fronteiras e idiomas transformando terras distantes em legítimas sucursais do nosso templo esportivo. Agora com o mundo totalmente globalizado e conectado por essa internet instantânea e fácil que une a galera a nossa magia se multiplica na velocidade de um clique alcançando e incendiando com uma alegria surreal qualquer cantinho do planeta.
Na Copa o planeta inteiro vira Maracanã​Vejam o caso impressionante e comovente de Bangladesh. São mais de cento e setenta milhões de pessoas conectadas em um território cheio de vida que decidiram adotar os nossos craques como verdadeiros ídolos. É uma população quase tão gigantesca quanto os nossos mais de duzentos e vinte milhões de brasileiros todos unidos pelo mesmo delírio festivo. Do outro lado do mapa nas ruas de Dhaka o jovem acorda com o coração explodindo de amor pela nossa seleção. É a beleza desse fenômeno onde povos que nunca pisaram em uma Copa do Mundo e nem sequer disputaram o torneio amam as nossas cores com uma intensidade arrebatadora. Embora a imensa maioria dessas pessoas humildes e apaixonadas nunca conheça as areias de Copacabana ou a mística de pisar no Maracanã real eles constroem o próprio santuário na alma. A histeria é uma coisa incrível e eletrizante com multidões ridentes que param o trânsito pintam cidades inteiras de verde e amarelo e sobem em telhados perigosos apenas para balançar a nossa bandeira com um sorriso gigante no rosto. Eles entram em transe coletivo e vibram de pura emoção a cada drible desconcertante como se a nossa ginga fosse a felicidade que faltava ao mundo.
​Mas essa loucura maravilhosa não se limita aos nossos amigos asiáticos. O planeta inteiro sofre desse mesmo amor contagiante e festivo. Nas savanas africanas do Quênia e da Nigéria a camisa canarinho é tratada como um manto sagrado de alegria por comunidades inteiras que provavelmente jamais cruzarão o oceano para ver o Rio de Janeiro de perto. Nos mercados árabes e nas esquinas lotadas da Indonésia o futebol brasileiro é uma paixão de pura celebração. Lembrem do guerreiro povo do Haiti que mesmo jogando contra a nossa seleção em solo americano nessa Copa do Mundo nos Estados Unidos preferiu esquecer a rivalidade para aplaudir comovido e gritar de emoção ao ver os craques brasileiros de perto transformando a partida em um momento de pura união e paixão.
​Até as mansões de Hollywood e os palcos iluminados da Europa se curvam diante dessa magia irresistível. Celebridades do cinema e divas da música pop esquecem a pose de famosa quando a bola rola. Vejam o espetáculo da maravilhosa Rihanna que veio da bela ilha de Barbados e é uma fã confessa do futebol arte de Ronaldinho Gaúcho. Em um momento de pura paixão canarinha ela já pintou o nome do Brasil e o nome de Pelé no próprio rosto para torcer e vibrar pela nossa seleção diante das câmeras do mundo inteiro. Ela e tantas outras estrelas internacionais vestem a camisa canarinho com o orgulho genuíno de um menino de periferia e gritam gols com o sotaque dos privilegiados que foram tocados pela nossa alegria.
​Talvez fosse exatamente esse o plano genial e generoso de Jules Rimet ao criar o torneio. O idealizador percebeu com humor e sabedoria que a bola representa a nossa própria Terra no formato e na essência e desenhou a Copa do Mundo a cada quatro anos justamente para parar o mundo por trinta dias em torno de um sentimento único. É verdade que os atuais dirigentes parecem ter esquecido um pouco o romantismo do velho mestre mercantilizando o espetáculo com ingressos abusivos e pacotes comerciais que afastam o povo das arquibancadas transformando a festa em um negócio de luxo. Mas a beleza do futebol arte é que ela não aceita algemas financeiras. Mesmo com os preços elevados a paixão transborda para fora dos estádios gourmetizados e se espalha pelas calçadas do planeta onde o povo joga e torce de graça. No fim de tudo quando o apito final consagra o espetáculo descobrimos com uma alegria emocionante e divina que a despeito do dinheiro dos cartolas somos todos irmãos de camisa compartilhando o mesmo destino sob o céu.

Marcos Defreitas é jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e cronista convidado pelo Portal para a Copa do Mundo

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