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Cláudio Osti

Investigadores veem situação de Toffoli como insustentável e alertam ministros do STF sobre agravamento das investigações do Caso Master

3 comentários

do G1

Investigadores ouvidos pelo blog da Sadi nos últimos dias são taxativos: a situação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, é vista como insustentável e tende a se agravar.

Relator do caso Master na Corte desde dezembro, quando tomou a decisão de puxar para o Supremo as investigações de supostas fraudes financeiras do banco de Daniel Vorcaro, Toffoli tem causado estranheza por decisões do caso. Como, por exemplo, quando determinou que o material apreendido na 2ª fase da Operação Compliance Zero fosse enviado para o STF e não para a Polícia Federal (PF).

Além disso, na última semana, foi revelado que fundos ligados ao Master compraram a participação de irmãos do ministro no Resort Tayayá, na cidade de Ribeirão Claro (PR). A transação foi divulgada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e confirmada pela TV Globo.

Não há, portanto, na avaliação dos investigadores, um ponto de virada que encerre a crise — apenas uma sucessão de desdobramentos que independem, inclusive, das decisões do próprio Toffoli.

O motivo é estrutural, explicam investigadores. Há frentes da investigação que não estão sob o comando do ministro nem concentradas no Supremo. Em São Paulo, por exemplo, apurações envolvendo fundos e estruturas financeiras seguem em curso e podem gerar novos fatos a qualquer momento. Mesmo que Toffoli tente “organizar” o caso no STF, o desgaste pode vir por fora.

Esse diagnóstico já foi levado diretamente à maioria dos ministros da Corte. Investigadores alertaram que o caso tem potencial para “arrastar o tribunal para a lama”, transformando um problema individual em risco institucional. Ministros estão cientes da gravidade do quadro.

Dentro do Supremo, a leitura é dura, mas pragmática. Há quem concorde que a situação é complexa demais para que o ministro permaneça à frente do caso e defendem uma saída para baixo, ou seja, que o caso desça para a primeira instância.

Na avaliação de uma ala da Corte, a decisão sobre o que fazer está nas mãos do próprio Toffoli. — Foto: AFP via BBC

Na avaliação de uma ala da Corte, a decisão sobre o que fazer está nas mãos do próprio Toffoli. — Foto: AFP via BBC

Essa é considerada a alternativa possível justamente porque a outra — Toffoli simplesmente deixar o caso — não é vista como factível. Ministros não acreditam que ele aceitaria se afastar voluntariamente da condução.

Ao mesmo tempo, há uma queixa interna: não houve uma tentativa real de convencimento institucional. Faltou uma conversa direta, coordenada, que buscasse construir essa saída antes que a crise ganhasse dinâmica própria.

O resultado é que a crise colocou o Supremo como tema político antecipadamente. Nos bastidores, a avaliação é que o STF foi colocado “na linha de tiro da campanha”. O tribunal deixou de ser apenas um alvo da extrema-direita e passou a entrar no radar eleitoral de forma mais ampla, transformando-se em tema de disputa num momento de alta sensibilidade institucional.

O impasse central permanece: na avaliação de uma ala da Corte, a decisão está nas mãos do próprio Toffoli. Manter o caso no Supremo concentra o desgaste nele e amplia o risco de o tribunal ser visto como juiz em causa própria. Com novos fatos podendo surgir fora do alcance do relator, a contenção pode se tornar inviável.

A leitura interna é que esticar a corda agrava a situação do tribunal e empurra o STF para o centro de uma crise política permanente. A crise de Toffoli, dizem investigadores e ministros, não tem prazo para acabar. Tem apenas a chance — ainda aberta — de ser contida antes de contaminar toda a Corte.

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3 comentários

  • Assim, sustentável no fim das contas é, porque ninguém pode efetivamente fazer nada contra nenhum ministro do Supremo. O Toffoli pode fazer o que bem entender que ninguém irá puni-lo de forma nenhuma.

    Acho que o melhor caminho pra continuar salvando a demogracinha, o estado mandiocrático de direito e a çoberania nacional é que o Toffoli mande o processo pra 1ª instância. Assim, ele garante que o processo não vai acabar nunca, e quando ele voltar pro Supremo, em 2059, algum ministro pode mandar um “nada vê isso aí que você falou” e mandar o processo pra trituradora de papel.

  • Jordão Bruno

    O ministro Toffoli é uma das redes de proteção de Daniel Vorcaro & Cia. Outra rede de proteção que está sendo articulada fica na Câmara e no Senado. A CPMI que está sendo articulada não passa de uma manobra para tentar livrar a cara dos tubarões envolvidos na falcatrua e responsabilizar algum bagrinho da esquerda que se meteu onde não devia. A gang dos tubarões do golpe tramado por Daniel Vorcaro vai do governador bolsonarista de Brasília, inclui o ex-presidente bolsonarista do Banco Central, Roberto Campos Neto, e chega ao governador bolsonarista e trumpista de São Paulo e seu amigão, também bolsonarista, Ciro Nogueira. O que é gritantemente óbvio é que, se não fosse o atual presidente do Banco Central, nomeado por Lula, Daniel Vorcaro teria amealhado bilhões de reais e deixado um prejuízo ainda maior ao banco do Distrito Federal, com a cumplicidade do governador Ibaneis Rocha, que, aliás, já deveria estar preso pela responsabilidade pelo quebra-quebra em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.

  • Machado Silva

    Não adianta. O ministro Toffoli já deveria ter pedido pra sair. Tá na cara que a PF não vai topar fazer investigação para ministro engavetar.

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