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Cláudio Osti

A vaquinha do primeiro turno

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Por Marcos Defreitas

Sabe aquela vaquinha de churrasco do fim de semana com os amigos. Sempre tem um cara que dá a ideia de comprar picanha e cerveja cara. Todo mundo topa na empolgação. Na segunda-feira, cobram o Pix de R$ 43 de cada um sem nem ter comido metade da carne. Pois é, a eleição é igualzinha.

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A diferença é que, nesse churrasco do Brasil, a conta chega querendo ou não.
Pronto, acabou o primeiro turno. Passaram-se aquelas semanas inteiras de santinho voando no chão. Música grudenta na cabeça, tocando em som alto, mesmo com lei proibindo a poluição sonora. Carreata travando o trânsito. Candidato andando de bicicleta, comendo pastel da Sergipe, abraçando desconhecido na rua e sorrindo até para cachorro. Para ter uma ideia do ritmo, durante quase oito anos de mandato, o governador Ratinho Junior não veio pra cá com a frequência que apareceu agora nessa campanha. Mas, no dia seguinte, a gente acorda e descobre o tamanho do prejuízo.
E que prejuízo.

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Para fazer a festa da campanha de 2026, separaram R$ 4,96 bilhões do Fundo Eleitoral. Só que não basta colocar o pessoal na rua, precisa pagar a estrutura do evento. A Lei Orçamentária colocou mais R$ 1,884 bilhão só na conta dos pleitos eleitorais para fazer a máquina rodar.
Juntando esses dois, dá R$ 6,85 bilhões. Isso sem contar o custo anual do TSE e da Justiça Eleitoral, mantidos o ano inteiro, que aí já é outra história bem mais salgada.
Voltando aos R$ 6,85 bilhões, se você pegar a calculadora e dividir essa montanha por todos os 214,2 milhões de brasileiros, dá uns R$ 31,96 por cabeça. Mas, se pegar só quem realmente vai para a fila votar, os 158,8 milhões de eleitores, a brincadeira sai por R$ 43,12 para cada um.
Quarenta e três reais e doze centavos.
A gente passa o mês inteiro ouvindo que o eleitor é o grande protagonista da democracia.

É mesmo.
Tão protagonista que a entrada para o evento já vem descontada no bolso, sem direito a pedir reembolso ou escolher o cardápio. O valor sai direto do caixa público e pronto.
Agora que passou o turbilhão, dá até para respirar. As ruas limpam. Os jingles param de alugar a cabeça da gente. As promessas começam a caducar e os vencedores vão comemorar.
Os R$ 6,85 bilhões já eram, cumpriram o papel deles na festa, lembrando, inclusive, que, na hora da divisão desse dinheiro, os candidatos mais ricos recebem mais e os menos abastados ficam apenas com as migalhas. No fim, depois de apertar tanto botão na urna, resta apertar o botão mais importante de todos, que é o da calculadora. Afinal, na política brasileira, o voto é secreto, a conta do churrasco é pública e, no dia seguinte, a azia por ter pago picanha e ter comido só pão com alho é inteiramente nossa.

Marcos Defreitas é jornalista e articulista colaborador do Portal

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