
Por Israel Marazali
O resultado das urnas confirmou o pior cenário para a representação política de Londrina, consolidando o que pode ser apontado como o maior crime eleitoral cometido contra o futuro da cidade em todos os tempos — um crime de omissão e dispersão perpetrado pelo próprio eleitorado local. Os alertas que publiquei nos dias 3 de agosto e 26 de setembro deixaram de ser previsões estatísticas para se tornarem uma dura realidade: o município reduziu sua bancada federal em 75%, elegendo apenas o ex-prefeito Marcelo Belinati para a Câmara dos Deputados.
O “eu avisei” raramente é bem-recebido, mas neste caso não carrega arrogância; carrega a frustração de quem viu o eleitorado local, historicamente, transferir milhares de votos para candidatos de fora da região. Há quatro anos, o próprio Belinati já alertava para esse comportamento do eleitor londrinense.
O voto é individual, mas as suas consequências são comunitárias. O reflexo prático de termos apenas um parlamentar fixado em Londrina será sentido diretamente na capacidade de articulação em Brasília. Representação política de verdade significa disputar espaço no Orçamento da União, abrir portas em ministérios e garantir que as demandas de um município de 540 mil habitantes não sejam engolidas por colégios eleitorais maiores, como a capital do Estado.
É evidente que Londrina não ficará completamente desamparada de recursos federais ou de emendas de outros deputados paranaenses. No entanto, perde-se o peso de uma bancada regional focada e unida. Quem brigará prioritariamente por aportes financeiros para a nossa Santa Casa? Quem articulará investimentos de grande porte para a nossa infraestrutura, educação e assistência social?
O resultado das urnas é soberano e deve ser respeitado. Contudo, o debate sobre os rumos políticos da cidade não termina com a apuração — ele recomeça agora. A questão central para os próximos quatro anos deixa de ser a quantidade de cadeiras conquistadas e passa a ser o tamanho do prejuízo na nossa capacidade de atração de investimentos federais. A conta dessa escolha começou a ser escrita hoje.
Eu avisei
Israel Marazaki, articulista, publicado originariamente no perfil Aconteceu Londrina















3 comentários
Antonio
Excelente texto para reflexão. Concordo que o eleitor local deve votar em candidatos da cidade, mas será que não pode ser uma resposta aos últimos candidatos que a cidade escolheu nas últimas eleições???
Quais as grandes obras ou recursos que Alex Canziani e sua filha trouxeram a Londrina? Hauly? Felipe Barros? Diogo Garcia? Cloara? Tercilio?
Pelo que sei é já foi relatado, migalhas foram enviadas a cidade.
Mas qual obra de relevância????
Acho que seria uma boa pauta para esse nobre jornalista trazer a população.
Incrédulo
O futuro de Londrina está comprometido, as leis Gerais do Plano Diretor já criou uma cidade sem identidade e sem sofisticação, bairros históricos como Bela Suíça ou Tucanos podem perder suas identidades históricas, com aglomerados residenciais e comerciais que poderiam estar em qualquer bairro com serviços públicos, na era das emendas parlamentares, sem deputados federais poucas migalhas virão, o entreguismo aos EUA que virá, empresas chinesas em Londrina vão restringir e corre risco, empresas americanas que já se foram de Londrina não voltarão, o grupo ideológico politico de Londrina com seu antipetismo, esqueceram de fazer uma campanha em prol dos candidatos de Londrina, o novo Senador que em 8 anos de Câmara pouco trouxe, como Senador esqueçam, munícipes amantes de Londrina, Perdemos!.
Prof. Paulo Minozzo
O eleitor é isso aí: um analfabeto funcional fazendo as piores escolhas possíveis.