Por Antônio Santiago
Londrina, comecinho dos anos 90.
Os ventos da democracia sopravam levemente ainda após o fim da ditadura.
Quase uma brisa.
E foi em um dia frio de inverno que trabalhadores sem terras ocuparam o latifúndio de um figurão da cidade. A reação foi imediata. O cidadão, influente que era, conseguiu uma liminar de reintegração de posse em questão de minutos. A polícia foi acionada, e os milicos ainda contaminados pelo regime anterior, chegaram descendo o cacete. Porrada em todo mundo, sem exceção, homens, mulheres, crianças e até cachorros.
O único vereador de esquerda da cidade foi imediatamente para lá para tentar evitar o pior. A tarde tinha sessão na Câmara e o assunto foi esse. Um vereador propôs um voto de louvor ao comandante militar que tinha comandado a operação, porque segundo ele, o troglodita havia feito isso para manter a paz e a ordem.
Por unanimidade a sugestão foi aceita.
Logo em seguida, chega ao plenário, o edil que tinha ido ver “in loco” o massacre e exaltado e nervoso pede um voto de repúdio ao comandante brucutu.
Aí, o absurdo dos absurdos, a proposição também é aprovada por unanimidade.
Não me lembro como foi resolvida a questão, mas daquele dia em diante eu percebi que a dita “casa do povo” não passa na realidade de um circo.
Por Antônio Santiago, jornalista e correspondente do blog















1 comentário
Cadê a sinceridade
Como aumento do IPTU de Belinati e o projeto de lei popular para revoga-lo.
Como a cassação de Rony e Takahashi que não foi feito por uma viagem de outro vereador.