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Editor:
Cláudio Osti

Crônica do Voto de uma Nota Só

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por Almir Escatambulo:

Vivemos o ápice do delírio moral, a barbárie gourmetizada que transforma o ganha-pão em moeda de chantagem ideológica.
A orientação (da deputada estadual eleita Jessicão do PL) de sugerir a demissão de quem pensa diferente não é apenas mesquinha; é o atestado de falência da sanidade nacional.
Reduziram o debate público a uma caça às bruxas corporativa, onde a carteira de trabalho vira um tribunal de inquisição partidária.

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É a histeria coletiva de um neoconservadorismo caricato que confunde a gestão de um negócio com o despotismo de um feudo medieval.
Agora, o cidadão que limpa o chão ou presta um serviço precisa jurar fidelidade ao altar da paranoia alheia para poder sobreviver.
Sob o pretexto hipócrita de proteger a liberdade, aniquila-se o sagrado direito de discordar, transformando a fome em punição.
Que mediocridade abjeta essa que enxerga o trabalhador não pelo seu suor e competência, mas pelo espectro do seu voto nas urnas.
Trata-se do fascismo cotidiano infiltrado nas relações humanas, o ódio de estimação destilado em doses de puro desespero econômico.
O país mergulha num abismo kafkiano onde a própria dignidade do indivíduo é demitida pela soberba de quem se julga dono do mundo.
Se a subsistência do povo agora depende de uma mordaça eleitoral, nossa civilidade virou uma piada trágica contada por fanáticos.

A festa na avenida contrastava com o fantasma de uma hegemonia petista que já não se sustenta sozinha, fragmentada por uma oposição sólida.
Sem a maioria no Congresso e cercado por governadores de oposição, o Planalto precisará mais do que nunca de uma base firme e articulada.
A vitória histórica no segundo turno revelou-se um terreno frágil, onde governar exigirá habilidade cirúrgica diante de um eleitorado conservador expressivo.
O tamanho desse desafio e do radicalismo que o cerca pôde ser visto nas redes sociais após o resultado das urnas.
A deputada estadual eleita Jessicão (PL-PR) sugeriu abertamente que empresários fizessem uma demissão em massa de funcionários que votaram no petista.
Essa postura ilustra o clima de perseguição e a polarização que tentam transformar o direito ao voto em motivo de punição econômica.
Enquanto a parlamentar aconselha o rompimento de relações comerciais e pessoais, o novo governo enfrenta o teste de estabilizar as instituições.
A retórica da demissão por convicção política expõe as vísceras de um Brasil que pune o trabalhador por suas escolhas democráticas.
Para Lula, pacificar um cenário tão hostil exigirá converter a vitória das urnas em uma sustentação política real e imediata.

*Almir Escatambulo é cientista social e colaborador do Portal

*Os artigos assinados não necessariamente refletem a opinião do Portal

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