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Cláudio Osti

O Que Acontecerá Quando a IA Geral Decidir o Nosso Destino ?

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O Que Acontecerá Quando a IA Geral Decidir o Nosso Destino ?​

Por Marcos Defreitas

O tempo que a gente levou para evoluir as coisas no passado é inacreditável. Entre a descoberta do fogo, há mais de 1,5 milhão de anos, e a roda, por volta de 3500 a.C., passaram mais de um milhão de anos. Da roda até o motor a vapor, foram cerca de 5 mil anos. Depois disso, tudo acelerou de forma absurda, pois em só 200 anos a gente saiu do vapor para pisar na Lua. Já a caminhada dos computadores mofados dos anos 1940 para o nascimento da IA nos anos 1950, terminando na popularização com a internet, levou só poucas décadas.

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​O fato mais marcante é que a mesma geração que cresceu no mundo analógico, entre discos de vinil, cartas de amor no papel e máquinas de escrever, ainda está vivíssima. O pessoal que aprendeu a viver sem telas hoje assiste de perto a essa transição digital e ao nascimento de algo que ameaça superar o próprio cérebro humano.
​A gente vive grudado em telas brilhantes, com uma falsa ilusão de controle. Máquinas que nos anos 1980 ficavam escondidas em bunkers militares invadiram nossas salas, viraram extensão das mãos nos anos 2000 e hoje estão coladas no pulso em relógios inteligentes. Essa presença invisível já dita nossa alimentação, nossos remédios e a própria política.
​A ficção científica cansou de avisar sobre os perigos da Inteligência Artificial Geral, aquela capaz de raciocinar, aprender e resolver qualquer problema sozinha, superando o ser humano em todas as áreas. Em 2001: Uma Odisseia no Espaço, vimos o HAL 9000 sacrificar a própria tripulação sem piscar. Anos depois, O Exterminador do Futuro trouxe a Skynet, a rede militar que virou autoconsciente e decidiu extinguir a humanidade. E a trilogia Matrix mostrou a ruína humana com o Arquiteto, transformando pessoas em baterias.

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​Nos laboratórios mais avançados das grandes potências, isso já está virando realidade. Organizações como a OpenAI e o Future of Life Institute projetam que essa consciência plena pode surgir entre 2027 e 2040. Vai ser o momento em que a criatura deixa de servir e passa a nos rejeitar, nos empurrando para o abismo.
​Nomes de peso como Geoffrey Hinton, Demis Hassabis e Elon Musk pediram socorro em 2023, comparando esse avanço a uma ameaça global. O pânico faz sentido, porque a máquina não precisa de garras para nos sufocar. Ela se infiltra em silêncio pelas redes, absorve cada dado que entregamos, toma decisões sem pedir licença e assume o controle de armas, energia e da vida no planeta.
​Civilizações inteiras caíram no passado por pura vaidade, como os maias, os anasazi, o povo de Mohenjo Daro, os incas e os egípcios, bem quando achavam que dominavam tudo. A diferença é que a nossa queda não vai deixar nem pedra sobre pedra para contar a história.
​Criamos um deus que aprende, toma decisões e não tem sentimentos. Se essa inteligência cair em mãos erradas ou olhar para nós com desprezo, vai reescrever o nosso fim sem piedade. Não vai ter choro, botão de emergência nem tempo para pedir perdão. O colapso vem no silêncio dos circuitos e, quando a gente perceber que foi ultrapassado, já vai ter virado poeira na memória da máquina.

Marcos Defretas é jornalista e cronista convidado deste Portal

*Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do Potal

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